O poder da sétima arte

Foi pensando nas diversas funções da sétima arte que psicóloga Melinha Basile idealizou o Encontro de Cinema

Considerado a sétima arte, o cinema surgiu em 1895, graças aos Irmãos Lumiére, que inventaram o cinematógrafo, aparelho que registrava a “impressão de movimento” e possibilitava a projeção do material capturado. Mais de um século depois, o cinema tornou-se mais do que uma arte: ele movimenta dinheiro, impulsiona paixões, proporciona entretenimento, estimula inspirações, gera polêmicas e discussões e reúne pessoas.

Foi pensando nas diversas funções dessa arte que a psicóloga Melinha Basile idealizou o Encontro de Cinema, projeto voltado exclusivamente para as mulheres, que começou em setembro de 2009. “O que eu pretendia era propor discussões em grupos de, no máximo, dez amigas em minha própria casa, exibindo filmes interessantes e artigos que pudessem trazer conceitos novos”, explica a idealizadora do projeto, que decidiu expandir essa ideia quando Edgard de Castro, diretor da São Paulo Film Commission, propôs uma parceria através dos Estúdios Kaiser de Cinema.

O primeiro encontro aconteceu no dia 16 de setembro de 2009, com a exibição do filme “Coisas que Perdemos Pelo Caminho”, um drama americano da diretora Susanne Bier. “Já na primeira edição, percebi claramente que poderia investir no projeto, pois as mulheres gostaram muito da proposta. Fiquei extremamente feliz por dar vazão aos meus sonhos”, revela Melinha, que contou com a participação de Roberta Assef, na época comentarista de cinema da rádio CBN. Os encontros seguintes foram mediados por Jefferson Cassiano, mestre em teorias e crítica da narrativa, diretor de comerciais e produções audiovisuais, roteirista da São Paulo Film Commission, professor universitário, articulista e membro da Academia Ribeirãopretana de Letras. O papel do mediador é esclarecer cada detalhe dos filmes exibidos. “Jefferson tornou-se meu grande parceiro nesta empreitada”, afirma Melinha. A cada encontro, a psicóloga também convida um profissional que, após a sessão, discute o tema central dos filmes com todos os participantes.

Segundo Melinha, o principal objetivo do Encontro de Cinema é gerar discussões bem fundamentadas. “Assim, podemos convidar profissionais e intelectuais de diversas áreas, dando um caráter multidisciplinar aos encontros”, salienta a idealizadora que, como curadora, seleciona o filme a ser exibido. Melinha lembra que desvendar cada ingrediente dos filmes, como direção, roteiro, elenco e trilha sonora, também faz parte do propósito das sessões.  

Sem visar ao lucro, o Encontro de Cinema tem sessões limitadas a aproximadamente 50 pessoas, a capacidade da sala de exibição dos Estúdios Kaiser. “Não é mais um encontro para amigas, mas um evento público. Assim, uso um critério que julgo ser o mais justo e imparcial possível: comunico o agendamento da sessão antecipadamente às mulheres que integram meu mailing. Para fazer parte dele, basta me procurar e se inscrever”, explica Melinha. As 50 primeiras confirmações são as convidadas da noite, que pagam R$ 50,00 para custear os serviços de buffet e bebidas servidas durante a sessão, com direito a espumante, refrigerantes e água. “Ainda faço uma lista de espera, caso haja desistências, e conto com o compromisso de todas para me comunicarem em tempo se não puderem comparecer para que possa substituir a reserva”, completa. Segundo ela, este critério tem dado certo e tem mantido a sala sempre lotada.

O Encontro de Cinema possui parcerias com o RibeirãoShopping, a Ammirati, a Wine Marchand, a Galeria Diniz e a Complemento, além de jornalistas e de colunistas que garantem visibilidade e credibilidade ao projeto. Melinha antecipa que o projeto não deve ser interrompido. “Posso dizer que estou ficando sonhadora, cada vez pensando mais alto. Para mim, o Encontro de Cinema se tornou um projeto de vida”, declara.

A próxima sessão, última deste ano, acontecerá no dia 24 de novembro, com a exibição de “Perdas e Danos”. “Escolhi este filme pela excepcional interpretação dos atores principais, Jeremy Irons e Juliette Binoche, e pelo alto teor de dramaticidade do filme, que leva a pensar sobre os caminhos que nos sujeitamos a trilhar após uma escolha. Apesar de ter sido feito há 20 anos, Perdas e Danos ainda é um filme atual. Quando se faz uma obra maravilhosa, mesmo que trágica, ela continua eternamente verdadeira, já que a tragédia faz parte da dimensão humana”, analisa Melinha. Os palestrantes serão a psicanalista Dra. Suad Haddad de Andrade e o antropólogo Prof. Geraldo Romanelli.

Palavra do especialista
“O efeito transformador dessa ideia é muito grande. O cinema não se desenvolve sem audiência exigente e apaixonada. As meninas da Melinha são tudo isso, e ainda são formadoras de opinião, capazes de multiplicar os efeitos positivos do Encontro. Como mediador, reaproximo a discussão das questões específicas do cinema, artística e tecnicamente. Com eventos regulares, o Encontro de Cinema é um grande fator de transformação e crescimento para todos os envolvidos.”
Jefferson Cassiano

Competência e seriedade
“O Encontro de Cinema é um projeto cultural feito com competência e seriedade. Proporciona aos amantes dessa arte a oportunidade de assistir a bons filmes com palestrantes donos de conhecimentos que só teríamos acesso em grandes centros.”
Ana Helena Martins de Barros

Estímulo
“Nos encontros, Melinha nos mobiliza a pôr em marcha nossa capacidade de questionar, de pensar, de amar, de rever conceitos e preconceitos e de enxergar a beleza, já que a arte é uma das linguagens mais poderosas para pensarmos o que sentimos!”
Sônia Aude

Generosidade
“Melinha é uma pessoa generosa: encontrou uma maneira de compartilhar conosco sua paixão pelo cinema. Um projeto que se iniciou de forma tímida, somente para as amigas, hoje se tornou um marco na agenda cultural da cidade. Seus e-mails são esperados com ansiedade e os 50 lugares são preenchidos em poucas horas. Melinha, parabéns pela iniciativa, pelo sucesso e até a próxima sessão.”
Lucila Ehmke de Carvalho

Relevância social
“Além da difusão da cultura cinematográfica, a iniciativa é um espaço para os exercícios da reflexão, da crítica e do diálogo. A troca mediada de sensações e pontos de vista sobre forma e conteúdo dos filmes, propicia ao participante o conhecimento de si e a valorização do outro.” Roberta Assef

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