O poder transformador da paternidade
O homem contemporâneo faz questão de fortalecer o lado familiar, participando ativamente da criação e acompanhando de perto o desenvolvimento dos filhos
Mesmo quando a gestação é planejada, a notícia da chegada de um filho balança as estruturas até dos papais mais preparados. A partir daquele exato momento, tudo muda. O peso da responsabilidade cresce sobre os ombros. A liberdade e o individualismo ficam de lado. As preocupações com a saúde, a segurança, o conforto, a alegria e o futuro do bebê passam a ser prioridade e preenchem a mente, gerando uma apreensão constante antes mesmo do parto. Isso prova que aquela figura do pai distante, que chegava em casa cansado depois de um longo dia de trabalho e não dava a mínima atenção para os filhos, está ultrapassada. O homem contemporâneo continua desempenhando suas funções no universo corporativo com propriedade e competência, mas, agora, faz questão de fortalecer o aspecto familiar, participando ativamente da vida dos pequenos desde o início.
Essa relação ganha proporções ainda mais significativas depois do nascimento. É hora de se render, de fato, a um amor poderoso, um sentimento inexplicável. O pai entra de cabeça em um novo mundo, repleto de descobertas. Ao lado da mãe, aprende como identificar o choro, a dar banho, a trocar a roupa, a fazer dormir e a preparar a papinha, só para citar alguns exemplos das atividades integradas à rotina do casal. Os cuidados são intensos e, de certa forma, desgastantes. Porém, basta um sorriso para que o cansaço seja rapidamente esquecido. Acompanhar o desenvolvimento do filho, dia após dia, acaba sendo a maior recompensa. Vale lembrar que esse encanto não é uma exclusividade dos papais de primeira viagem, já que cada bebê é único e, consequentemente, proporciona experiências diferentes, fazendo com que o coração acelere e a emoção aflore inúmeras vezes.
Conforme as crianças vão crescendo, outros desafios surgem pela frente. Os pais ensinam os valores familiares, acompanham a evolução na escola, incentivam as amizades, fiscalizam os namoros, dão conselhos sobre a profissão escolhida, apoiam as decisões, ajudam a enfrentar as mudanças e, por fim, celebram a vinda dos netos, renovando o ciclo da vida. No domingo, 14 de agosto, é dia de homenagear o protagonista dessa história. Para comemorar a data em grande estilo, a Revide reuniu 30 pais, que aceitaram compartilhar um pouquinho das suas impressões sobre essa incrível jornada.
Um pouco de história
Existem várias teorias diferentes sobre a origem dessa tradição. Alguns historiadores acreditam que a celebração do Dia dos Pais começou há mais de 4 mil anos, na Babilônia, quando um jovem moldou uma espécie de cartão em argila e escreveu seus votos de sorte, saúde e vida longa ao pai. Outra versão defende que a data foi comemorada pela primeira vez em 1910, em Washington, nos Estados Unidos. A ideia teria partido de uma jovem chamada Sonora Louise Dodd, que decidiu homenagear o pai, responsável pela criação dos seis filhos desde o falecimento da esposa, em 1898. Sonora conseguiu contagiar o país. Por lá, em 1966, o terceiro domingo de junho foi designado, oficialmente, como Dia dos Pais e, em 1972, tornou-se uma comemoração nacional.
Além dos Estados Unidos, cerca de 70 nações, entre elas, México, Canadá, França, Turquia, Venezuela, Japão, Chile, Reino Unido, Holanda e África do Sul, países das Américas do Sul e Central, da África e da Ásia, celebram no mesmo dia. Já em alguns países com forte tradição católica, como Portugal, Espanha e Itália, o evento ocorre em 19 de março, Dia de São José. No Brasil, a data foi instituída em 1953, coincidentemente, no dia 14 de agosto. Pouco tempo depois, mudou, em definitivo, para o segundo domingo de agosto.
Antônio Francisco Marangon • 66 anos • empresário
Pai de Doni, 36 anos. Antônio também é pai de Renata, 43 anos; João Paulo, 27 anos
Mudanças: “Quando nos tornamos pais, sofremos uma transformação total e profunda na nossa vida. Valores como a responsabilidade e a dignidade, entre outros, ganham um novo sentido. O pai deve ser um verdadeiro agente dos planos de Deus, semeando a caridade e o amor Divino.”
Aprendizado: “O maior aprendizado que tive foi reconhecer que Deus é nosso pai. Compreendi, também, que meus pais aqui na terra eram verdadeiros heróis. Muitas vezes, no papel de filhos, vivemos anos e anos sem perceber o tamanho do amor que os nossos pais têm por nós.”
Futuro: “Desejo que todos os meus filhos tenham paz e felicidade. Que sejam bem-sucedidos, tanto na parte material, quanto na espiritual. Que formem famílias dignas e que compartilhem esses ensinamentos de geração em geração, pois o reino de Deus já é aqui.”

Arthur Pedro Além • 31 ANOS • advogado
Pai de João Pedro, 5 meses
Mudanças: “Sem dúvida, o João Pedro mudou a minha vida para melhor. Tinha uma rotina tranquila de trabalho e de lazer. Com a chegada dele, vieram as noites em claro e as preocupações, próprias do começo da paternidade, ainda mais para um pai de primeira viagem como eu. No entanto, qualquer cansaço vai embora assim que eu vejo o meu filho, com seu sorriso sincero e inocente.”
Aprendizado: “Desde o início, quando descobri que seria pai, notei que a minha compaixão e o meu amor ao próximo ficaram muito mais aflorados, mesmo em situações corriqueiras. Esse sentimento ficou ainda mais forte depois que o João Pedro nasceu.”
Futuro: “Eu sei que o que vou dizer é clichê, mas é o que eu realmente sinto. Ao pensar no futuro, só peço a Deus que o meu filho tenha saúde para alcançar todos os seus objetivos e, acima de tudo, que ele seja feliz.”

Aurelio Andriolo Neto • 37 ANOS • administrador hoteleiro
Pai de Pedro, 2 anos
Mudanças: “A vida ganha uma perspectiva diferente. O que antes era focado no individual, passa a ser coletivo e, consequentemente, um pouquinho mais complexo. Hoje, absolutamente tudo o que faço é pensando no bem-estar do meu filho e da minha família. O amor que eu sinto é imensurável.”
Aprendizado: “A paternidade é um aprendizado constante. Todos os dias, encontro novas situações e busco interpretar e compreender cada uma delas da melhor maneira possível. Por causa do Pedro, com certeza, sou mais paciente, compreensivo e dedicado.”
Futuro: “Desejo que ele se torne uma pessoa ética, de bons princípios e de caráter. Que saiba lidar com as frustrações da vida e que isso o faça mais forte. Que possa contribuir de alguma forma para o bem do planeta e que, quando olhar para trás, possa sorrir e se sentir um homem realizado.”

Carlos Alberto Euzébio Abadia • 57 anos • empresário
Pai de Carlos Alberto Júnior, 31 anos; Aline, 30 anos; Renan, 26 anos
Mudanças: “A vida muda muito. Direcionamos tudo o que fazemos para assegurar o bem-estar e a educação dos nossos filhos. Sonhamos que tenham um futuro promissor, onde prevaleça o respeito, a idoneidade e a honestidade. Queremos oferecer o que há de melhor para eles.”
Aprendizado: “A paternidade me mostrou que podemos nos transformar em seres multifuncionais. Aproveito todo o tempo que tenho com eles, conciliando diversão e lazer a conversas sérias, onde compartilhamos experiências e ideias. O aprendizado é constante. Algumas falas e atitudes deles me surpreendem até hoje. Juntos, evoluímos.”
Futuro: “Meu sonho é que os três tenham respeito por todas as pessoas e que busquem, sempre, o melhor para a humanidade. Que possam sentir a felicidade de formar uma família e que tenham tempo para serem presentes na vida dos filhos, ensinando e aprendendo, dia após dia. Desejo, também, que encontrem pela frente um caminho mais ameno do que o que trilhamos atualmente.”

Danilo Gonzaga de Figueiredo • 34 anos • analista de marketing
Pai de Maria Julia, 4 anos
Mudanças: “Os holofotes, agora, estão completamente voltados para a Maju. Nossas prioridades se tornam irrelevantes. Garantir o bem-estar físico e emocional dela, e todo o contexto que isso envolve, é a minha principal meta. A vida se torna muito mais complicada, na mesma proporção que se torna muito mais bela.”
Aprendizado: “Aprendi que devemos ser gratos e curtir os nossos pais. Que devemos ensinar aos filhos como serem pessoas melhores, mais educadas, amáveis e generosas, estabelecendo uma relação de amizade, mas impondo limites.”
Futuro: “Desejo que ela tenha caráter, que sorria muito mais do que chore, que espalhe a felicidade por onde passar e, acima de tudo, que tenha Deus no coração.”

Danilo Robusti Von Atzingen Pinto • 33 anos • advogado
Pai de Benicio, 2 anos
Mudanças: “A responsabilidade aumentou bastante, pois, agora, uma vida depende de mim, mas nada se compara à alegria que o Benicio trouxe para os meus dias.”
Aprendizado: “A paternidade me ensinou muitas lições valiosas. Uma delas é a consciência de que cada atitude que eu tomo serve de exemplo para o meu filho. É como se fosse um espelho. Por isso, antes de agir em qualquer situação, penso bem no impacto que a minha postura terá sobre ele.”
Futuro: “Desejo que o Benicio conquiste todos os seus sonhos e que possa, de alguma maneira, contribuir para que o mundo se torne um lugar melhor. Certamente, estarei ao lado dele, sempre oferecendo o meu apoio.”

Eduardo Borelli • 34 anos • empresário e gelataio
Pai de Pietra, 8 anos; João Pedro, 4 anos; Francesca, 2 anos. também é pai de Ricardo, 8 anos
Mudanças: “O sono nunca mais é o mesmo. Nem o dia a dia, que foi preenchido com diversas atividades relacionadas ao Ricardo, à Pietra, ao João Pedro e à Francesca. Tudo o que eu faço é pensando na alegria, na segurança, no conforto e no bem-estar deles. Tenho a responsabilidade por zelar pela vida desses pequenos.”
Aprendizado: “Aprendi que cuidar de um filho não tem nada a ver com obrigação. Dar um banho, trocar de roupa, fazer a papinha, brincar, buscar na escola, conversar e colocar as crianças para dormir, por exemplo, são tarefas prazerosas, pois proporcionam uma interação especial. Faço questão de estar sempre presente.”
Futuro: “A maior riqueza que posso deixar para os quatro é a educação. Invisto bastante nessa área e espero que aproveitem ao máximo a oportunidade. Devidamente preparados, eles terão um futuro brilhante pela frente.”

Eliéser Pereira • 33 anos • educador social e músico
Pai de Cauã, 9 anos
Mudanças: “O Cauã nasceu aos 7 meses, com 1.180 kg. Ficou um mês e quinze dias na UTI. Então, minha rotina virou de ponta cabeça. Mesmo assim, estava certo de que ele resistiria. Nunca tive muita proximidade com criança, mas, quando ele chegou em casa, logo me prontifiquei a dar o primeiro banho. Outra mudança foi em relação ao meu sono pesado, que desapareceu. Bastava ele se mexer que eu já acordava e corria para o berço.”
Aprendizado: “A responsabilidade de ter alguém que depende de você é enorme. Sei que, conforme o Cauã cresce, ele me olha como uma referência. Também entendi que ser um pai presente na vida dele tem uma importância muito maior do que dar presentes.”
Futuro: “Quero vê-lo crescendo com objetivos. Desejo que acerte nas suas escolhas e que consiga ter uma vida equilibrada, aliando o que ele mais gosta de fazer com trabalhos, estudos e diversão.”

Ernesto Paulino • 37 anos • advogado
Pai de Luísa, 2 anos
Mudanças: “Minha rotina de trabalho é longa e intensa, porém, quando estou livre, procuro dedicar meu tempo à família. Participo ativamente da vida da Luísa. Ajudo nas tarefas diárias, como levar na escola, dar banho, brincar e educar. Semanalmente, fazemos um passeio, só nós dois, para mantermos essa proximidade.”
Aprendizado: “Aprendi a pensar primeiro nas necessidades dela. Busco, todos os dias, ser um pai presente e amigo para a minha filha. É um amor tão grande e intenso que aumenta a cada gesto de carinho.”
Futuro: “Quero que a Luísa seja uma mulher feliz, segura e realizada com as suas escolhas. Estarei sempre ao lado dela, para dar apoio e incentivo no que for preciso.”

Fabrício Galvão • 34 anos • empresário
Pai de Rafaela, 1 ano e 3 meses
Mudanças: “Ser pai é uma experiência incrível, que fica ainda mais especial quando estamos cientes de que teremos que abrir mão de algumas coisas, como da autonomia do casal, por exemplo. Antes, programar uma viagem ou um passeio era rápido, dependia apenas da minha vontade e da Marina, minha esposa. Hoje, o nosso primeiro pensamento é a Rafaela. Como já nos preparamos para isso desde a gestação, não foi nada que não pudéssemos gerenciar.”
Aprendizado: “Aprendi que existe um tipo de amor que eu nunca senti antes. Também desenvolvi um senso de responsabilidade que ainda não havia experimentado. Além disso, agora sei trocar fraldas e conheço todos os episódios da Galinha Pintadinha.”
Futuro: “Desejo que a Rafaela tenha uma vida saudável, experiências construtivas e sabedoria para aproveitar as oportunidades da sua vida pessoal e profissional.”

Felipe Gomes Pereira de Almeida • 36 anos • piloto de helicóptero
Pai de Clara, 8 anos; Pedro, 2 anos
Mudanças: “O senso de proteção aumenta demais. Comecei a ver a vida e os perigos com outros olhos. A responsabilidade é dobrada, pois tenho duas preciosidades que dependem, unicamente, de mim e da minha esposa. Então, precisamos nos manter antenados 24 horas por dia.”
Aprendizado: “Quando nos tornamos pais, as prioridades são outras. Os nossos filhos, as necessidades, as vontades e os sonhos deles vêm em primeiro lugar.”
Futuro: “Sei que criamos os filhos para o mundo. Minha missão é formá-los cidadãos de bem, decentes, honestos e especiais. Vou mostrar o caminho a seguir e protegê-los até onde puder. Após isso, estarão acompanhados por Deus e pelos valores aprendidos.”

Fernando Paoliello Junqueira • 60 anos • engenheiro civil
Pai de Simone, 36 anos
Mudanças: “Era superjovem quando descobri que seria pai. A chegada da Simone trouxe amadurecimento e despertou um senso de responsabilidade que desencadeou uma série de conquistas pessoais e profissionais. Com muita dedicação, cresci na empresa onde estagiava, fui efetivado e pude oferecer as condições ideais para o desenvolvimento da minha filha.”
Aprendizado: “Comecei a encarar a vida com mais comprometimento, determinação e seriedade. Aprendi a passar valores preciosos de um jeito especial, para que ela, desde cedo, absorvesse esses ensinamentos e se tornasse uma pessoa do bem. Olhando para a minha filha, sei que cumpri a minha missão. A paternidade me transformou em uma pessoa melhor.”
Futuro: “Espero que a Simone seja bem-sucedida em tudo o que se propuser a fazer. Que ela nunca perca a ética e a humildade. Para mim, esses dois elementos, juntos, são determinantes na nossa jornada, pois nos ajudam a alcançar metas e sonhos.”

Gilberto Augusto Benedini de Oliveira • 63 anos • educador físico
Pai de Priscila, 32 anos; Letícia, 31 anos
Mudanças: “Lembro que, já nos primeiros sinais da gravidez da minha esposa, a expectativa era imensa. Receber essas criaturinhas que Deus nos mandou é uma grande honra. A paternidade abre uma nova etapa na nossa vida, repleta de alegria e de felicidade.”
Aprendizado: “Cresci como ser humano. Aprendi a ter mais responsabilidade, sensibilidade, carinho e fé, em busca de realizações, sonhos e projetos de vida.”
Futuro: “Quando a Priscila e a Letícia nasceram, desejei que elas crescessem saudáveis. Conforme a idade foi passando, pedi que elas tivessem responsabilidade e sabedoria, entre outras riquezas. Agora, com as duas adultas, torço para que façam a diferença, que sejam pessoas realizadas, úteis à família e à sociedade. Que compartilhem seus conhecimentos profissionais e que proporcionem paz e alegria a todos que as cercam.”

Gustavo Gironi • 38 anos • educador Físico
Pai de Manuela, 5 anos
Mudanças: “Quando um filho chega, tudo muda. A rotina, tanto da casa quanto do casal, precisa ser adaptada, ainda mais no início, período em que os pais estão aprendendo os cuidados com o bebê. As novidades são constantes e cada fase é especial. Com o crescimento da criança, o dia a dia vai voltando ao normal, mas o que não muda é o amor incondicional. Isso só aumenta.”
Aprendizado: “Aprendi a ser generoso, a dividir e a rir mais. Ser pai não é apenas ser responsável pelo bem-estar físico da família, mas, também, por ensinar valores morais e formar o caráter e a personalidade de seu filho.”
Futuro: “Meu desejo é passar para a Manu os valores que aprendi com a minha família e que, com base neles, ela possa ser sempre muito feliz e realizada.”

Hélio Navarro de Albuquerque Neto • 34 anos • advogado
Pai de Alice, 6 meses
Mudanças: “Mesmo tendo programado a chegada da nossa princesa Alice, o choque foi considerável. Inconscientemente, passei a ter mais cuidado do que já tinha. Foi como se a notícia de que eu seria pai ativasse um sistema de proteção. Se a responsabilidade aumentou, a vida, por outro lado, ficou mais leve e divertida, cheia de descobertas e de amor. Presenciar o desenvolvimento humano é algo simplesmente mágico.”
Aprendizado: “Descobri um amor imensurável. Por meio desse amor, aprendi a respeitar e a admirar ainda mais os meus pais. Hoje, consigo entender o que eles sentem por mim. Aprendi, também, a observar com mais carinho e atenção pequenos detalhes da vida. Entendi que, independentemente da correria do dia a dia, devemos acompanhar o crescimento de um filho de perto, pois o tempo passa e não volta mais.”
Futuro: “Torço por um mundo mais pacífico e consciente, onde Alice possa ter uma vida repleta de aprendizados, felicidades e realizações, priorizando valores da família e o amor ao próximo. Desejo, especialmente, que ela, um dia, viva a linda experiência de ter filhos e, assim, compreenda a força desse sentimento chamado amor.”

João Batista de Campos • 64 anos • contabilista
Pai de André, 36 anos; Silvia, 35 anos; Danilo, 32 anos
Mudanças: “A vida muda de forma assustadora. Profissionalmente, sentimos uma responsabilidade enorme. Queremos nos desdobrar para termos condições de dar a eles o conforto que nunca tivemos a necessidade de ter. Emocionalmente, é o sonho de qualquer homem, um dia, ser chamado de pai.”
Aprendizado: “Destaco o amadurecimento, que nos traz a percepção de que coisas pequenas e gestos simples significam muito. Aprendi a ter jogo de cintura para lidar com as situações imprevisíveis e com as surpresas diárias. Por fim, entendi que, muitas vezes, acabamos renunciando ao que gostamos em favor dos filhos.”
Futuro: “Desejo saúde, felicidade e sucesso. Que tenham um grande desempenho na área profissional, e, acima de tudo, que sejam pessoas felizes com as escolhas que fizerem ao longo do caminho.”

João Bosco Meziara • 63 anos • médico ginecologista
Pai de Leonardo, 32 anos; Amanda, 30 anos; Gustavo, 28 anos
Mudanças: “As preocupações com a saúde, a educação e o futuro dos filhos, imediatamente, dominam o nosso pensamento. À medida que eles vão crescendo e adquirindo identidade própria, ficando adultos e independentes, não temos mais o controle, mas ficamos sempre em alerta, mesmo a distância.”
Aprendizado: “A paternidade nos impõe regras de comportamento duras, pois temos que ser exemplo. Honestidade, espiritualidade e sabedoria passam a ser importantes em nossas atitudes. Ao mesmo tempo, vamos sentindo a emoção de ter o retorno de tudo que fazemos, como se fossem bons frutos de uma colheita.”
Futuro: “Meus filhos já concluíram os estudos e iniciaram suas carreiras. O que desejo para eles é o aprimoramento profissional constante e o acerto em suas decisões pessoais para que sejam felizes, como eu sou. Tenho uma esposa maravilhosa, que sempre me apoiou e, com isso, conseguimos atingir os nossos objetivos familiares. Agradeço a Deus por tudo o que conquistamos.”

Jorge Francisco Rodrigues Rosa • 63 anos • empresário
Pai de Júlio, 39 anos. Jorge também é pai de Juliano, 35 anos, e Vanessa, 32 anos
Mudanças: “Quando me tornei pai do Júlio, tinha 24 anos e a minha esposa, Cleusa, 19 anos. Foi uma grande emoção. Não sabia se chorava ou se sorria, mas tinha uma certeza: a de que a minha vida seria dedicada a ele. Daquele dia em diante, tudo se transformou. Surgiram as responsabilidades, os horários e os compromissos, porém, uma força interior nos impulsiona e, pelo amor, seguimos em frente. Esse sentimento poderoso se repetiu com a chegada de Juliano e de Vanessa, alguns anos depois.”
Aprendizado: “As principais lições foram a responsabilidade, o compartilhamento das funções domésticas e as estratégias para tudo dar certo. Não tem como deixar nada para depois. Uma criança necessita de cuidados a todo momento.”
Futuro: “Desejo que meus filhos se dediquem ao máximo aos estudos e ao trabalho, com amor e alegria, pois a continuidade da família vai depender disso.”

Jorge Nassif Neto • 71 anos • médico
Pai de George, 38 anos; Guilherme, 37 anos; Tuca, 34 anos; Anelise, 29 anos
Mudanças: “Após o nascimento dos nossos filhos, muitos sentimentos florescem naturalmente. Entre eles, o amor, o carinho, a atenção, a dedicação e o desejo de ajudá-los a compreender o mundo através de noções de ética e de valores morais.”
Aprendizado: “Com o passar dos anos, percebi que ouvi-los é essencial, que apoiá-los perante os desafios é importante, que levarão os ensinamentos pela vida toda e, principalmente, que eu também aprendi muito convivendo com cada um deles. Somos grandes amigos.”
Futuro: “Eles são bons filhos. Sem dúvida, serão bons pais (e mãe). O futuro é incerto, mas tenho a convicção de que eles saberão usar e aprimorar todo aprendizado adquirido para suas vidas profissionais e pessoais. Meu principal desejo é que sejam felizes e jamais percam a fé.”

José Armando Calderaro • 56 anos, • empresário
Pai de Simoni, 32 anos. José Armando também é pai de Victor e Vinícius, 25 anos
Mudanças: “Ser pai mudou a forma com que enxergo a vida. Posso dizer, sem medo de errar, que me realizei plenamente e que descobri o verdadeiro sentido da palavra felicidade.”
Aprendizado: “Compreendi que não basta cumprir um papel na sociedade. Temos que ser agentes de transformação. A principal ferramenta para atingir essa meta é, justamente, o conjunto de valores que passamos para a família. Estou sempre preocupado em fazer o melhor para os meus filhos. Pela experiência, a tendência é que os pais se tornem superprotetores, afinal, não queremos que eles sofram. Devemos, sim, orientá-los na ética e na fé, mas não podemos impedi-los de viver. O ideal é dar um bom exemplo e apoiá-los. Assim, eles encontrarão o rumo certo, naturalmente.”
Futuro: “Desejo que eles tenham saúde e felicidade em abundância. Que façam a diferença como pessoas e como profissionais. Que tenham atitude e que nunca se esqueçam de olhar para o próximo.”

José Carlos Porto • 64 anos • empresário
Pai de Daniel, 28 anos. José Carlos também é pai de Gisele, 35 anos, e Carolina, 32 anos
Mudanças: “Com a chegada dos filhos, o lar se enche de graça, de amor e de muitos cuidados, especialmente nos primeiros anos. De acordo com cada fase de crescimento, incentivamos a autonomia para que eles sentissem segurança na hora de fazer as próprias escolhas. Como a Gisele, a Carolina e o Daniel já se casaram, hoje, vivo uma outra etapa muito gostosa, a de receber os netos: Benjamim, Samuel e Esther.”
Aprendizado: “Em primeiro lugar, aprendi a reconhecer a dedicação da minha esposa, Fátima. Fui um pouco ausente, por causa de inúmeras viagens de trabalho, e ela se empenhou bastante para suprir essa falta. Quando estava em casa, entretanto, rendia-me por completo a esse sentimento indescritível que só quem é pai sabe como é. Cuidava, brincava, orientava e também disciplinava sempre que necessário.”
Futuro: “Que sejam bons pais e que se tornem amigos de seus filhos. Felizmente, já vejo que eles estão seguindo pelo caminho certo. Além disso, que sejam bons cidadãos, em qualquer circunstância, confiando sempre em Deus.”

Luiz Cutti • 63 anos • empresário
Pai de Rodrigo, 39 anos; Lee, 37 anos; Luiz Júnior, 31 anos
Um caso a parte: Diferentemente dos outros depoimentos que fazem parte desse projeto, onde o pai manda seu recado, nesta página, os papéis se inverteram. Com algumas limitações motoras causadas por um AVC, Luiz Cutti não pôde compartilhar com a Revide suas impressões sobre a paternidade. Os filhos, então, foram convocados para descrever um pouquinho dessa relação em família.
Gratidão: “O nosso relacionamento sempre foi de muito carinho. Apesar de trabalharmos juntos 12 horas por dia, compartilhando os problemas e as dificuldades que a gestão de uma empresa impõe, sabíamos conversar e resolver tudo como uma família unida. Tê-lo por perto é um privilégio. Nosso pai é um exemplo de humildade e de respeito, um homem ético, honesto e justo, um professor repleto de ensinamentos inestimáveis e, acima de tudo, um amigo.”

Marcelo Senno Camargo • 37 anos • publicitário
Pai de Samuel, 6 anos
Mudanças: “Inicialmente, a rotina fica bem agitada e diferente, mas a vida muda para melhor. Depois que o Samuel chegou, coloquei todas as minhas prioridades na balança e logo notei que elas já não eram as mesmas.”
Aprendizado: “Além das lições básicas que nos ensinam quando temos um bebê, como o melhor jeito de trocar a fralda e de dar banho, por exemplo, aprendi a dividir. A TV, o videogame e os álbuns de figurinha não são mais só meus. Também fiquei emocionado quando percebi o quanto o meu filho se espelha em mim.”
Futuro: “Espero que o Samuel se torne um grande homem e que seja uma pessoa que agrega valores à sociedade. Quero que ele conserve tudo o que passamos para ele, como a importância da honestidade, do senso de justiça e da amizade.”

Matheus Hyashida • 35 anos • administrador de empresas
Pai de Luisa, 4 anos; João Francisco, 2 anos
Mudanças: “A paternidade é uma nova e desafiadora etapa. As cobranças dos outros e os meus próprios questionamentos de como conduzir a educação dos pequenos passaram a ser constantes. Apesar das incertezas, sei que os acertos são maiores do que os erros quando recebo um abraço ou escuto um sussurro de ‘eu te amo papai’.”
Aprendizado: “A sensação é a de estar novamente sentado na carteira de uma universidade, mas sem data prevista de formatura. O pai e a mãe são as principais referências dos filhos, responsáveis por educá-los para usufruírem da melhor forma do convívio em sociedade. O grande desafio passa a ser o alinhamento entre os dois para construir e transmitir o conjunto de valores que faça sentido dentro de cada contexto familiar.”
Futuro: “Meu único desejo é que meus filhos sejam lembrados pelo caminho que escolheram trilhar, seja pelas amizades cultivadas, pelo legado profissional e artístico ou até mesmo por terem transformado, de alguma forma, o nosso planeta em um lugar melhor para se viver.”

Moacir Barroso Dutra • 60 anos • empresário
Pai de Tatiana, 31 anos. Moacir também é pai de Thiago, 33 anos
Mudanças: “Segurar um filho nos braços muda a nossa perspectiva em todos os sentidos. É uma emoção indescritível. No meu caso, comecei a ver a vida com mais apreensão e com uma dose extra de planejamento. Ser pai é preocupante e gratificante. A dinâmica entre o casal também se modifica. A partir do nascimento, nosso dia a dia fica voltado para os filhos. Queremos garantir o bem-estar, a segurança e a alegria deles.”
Aprendizado: “Fiquei cauteloso, pois ter a responsabilidade de educar um filho não é uma tarefa fácil. Passei a dar ainda mais valor ao conceito de família e, desde então, o amor dentro da nossa casa só aumenta.”
Futuro: “Quero que o Thiago e a Tatiana tenham muita saúde e sucesso profissional. Tenho certeza de que eles conseguirão alicerçar uma estrutura sólida, que servirá de base para a construção de uma família feliz.”

Nayan Loureiro Muradás • 31 anos • engenheiro mecatrônico
Pai de Julieta, 1 ano e 3 meses
Mudanças: “Dormimos cedo, acordamos várias vezes durante a noite, tivemos que redobrar a nossa atenção por conta da pequena, respeitamos os horários dela e, na nossa programação, os passeios com ela têm prioridade. Porém, nada disso é sacrifício. Os cuidados vêm acompanhados de risadas, beijos, abraços, palhaçadas, carinhos e muito aprendizado. Um sorriso da Julieta pela manhã nos faz esquecer qualquer noite mal dormida.”
Aprendizado: “Estou aprendendo a valorizar mais algumas coisas que, às vezes, eram colocadas em segundo plano, como princípios éticos, paz de espírito, dar exemplo em tudo que se faz. Não adianta falar uma coisa e fazer outra. Estou aprendendo a ser menos ansioso no trabalho e priorizar a família.”
Futuro: “Desejo que a minha filha seja livre e corajosa, que tenha personalidade e possa buscar seus sonhos sem tirar o pé do chão. Que ela encontre a verdadeira felicidade sem deixar modismos e futilidades atrapalharem seu discernimento.”

Newton Pedro Mendonça • 57 anos • empresário
Pai de Marina, 30 anos; Marilia, 28 anos
Mudanças: “A vida muda completamente. Somos tomados pela felicidade de ver o milagre da vida se concretizando e, em seguida, desenvolvemos uma maturidade imediata. É o peso da responsabilidade de criar e de educar nossos filhos. Tudo passa a ter sentido, a ser mais especial.”
Aprendizado: “A Marina e a Marília me ensinaram o verdadeiro significado do meu papel como pai. Confesso que estou aprendendo até hoje. Comecei a valorizar todos os pequenos momentos e a respeitar a individualidade de cada uma. Compreendi que a família é a base e que os valores que compartilhamos serão determinantes para formar os seres humanos que elas se tornarão um dia.”
Futuro: “Desejo que minhas filhas possam construir o futuro em um mundo mais justo. Elas são de uma geração antenada, com novas perspectivas e dinamismo. Possuem uma capacidade incrível de influenciar, de criar, de adaptar e de amar. Vejo nelas um enorme potencial. Quero, também, que as duas formem suas famílias, que tenham seus filhos e que desfrutem a mesma alegria que minha esposa e eu sentimos por tê-las em nossas vidas.”

Rafael Xavier de Souza • 34 anos • gerente de Projetos de Software
Pai de Arthur, 1 ano e 4 meses
Mudanças: “Muitos dizem que um filho é o significado de nossas vidas. Essa frase resume bem a mudança que eles representam. Como a peça mais importante, alteram prioridades e ajustam objetivos de curto e de longo prazo. Hoje, interrompo algo que antes julgava primordial para cuidar, brincar, ouvir, assistir ou simplesmente estar com o Arthur. Por mais que leia sobre nadar, cair na piscina é diferente. Ter um filho foi bem parecido. É intenso, mas infinitamente gratificante.”
Aprendizado: “O maior aprendizado foi entender, com muita clareza, o significado do amor infinito, paciente e sem ciúme, a começar pelas consecutivas noites em claro. Também passei a valorizar muito mais o que meus pais já fizeram por mim.”
Futuro: “Quero que o Arthur seja feliz. Espero contribuir para que ele seja um adulto realizado pessoal, profissional e espiritualmente. Que tenha uma vida digna e plena.”

Wagner Paula Ferreira • 69 anos • cirurgião vascular
Pai de Willian, 35 anos. Wagner também é pai de Wilson, 32 anos, e de Giulia, 26 anos
Mudanças: “Com a chegada dos filhos, a vida se reveste de alegria, mas traz uma responsabilidade muito grande, que é a de se tornar um formador de caráter. Além disso, vem o medo permanente de perdê-los, mesmo sabendo que os formamos bem e que não poderemos fazer as escolhas por eles.”
Aprendizado: “Com o tempo, a vida vai mostrando que os filhos não nos pertencem. Podemos abrigá-los e orientá-los, mas não podemos desenhar seus pensamentos e seus caminhos. Com o amadurecimento, deles e nosso, passamos a ver que cada um deles tem muito a nos ensinar também. Temos que ter sabedoria para reconhecer isso e, assim, aprender.”
Futuro: “Que sejam felizes em suas vidas e em seus trabalhos, Que sejam tolerantes com os infortúnios. Que sejam compassivos com o próximo.”

Willian von Söhsten • 33 anos • jornalista e atleta
Pai de Florenza, 2 anos
Mudanças: “O que mais mudou foi o senso de responsabilidade. Tenho que me cuidar porque não posso faltar. Tenho uma pessoa muito especial que depende de mim. Passei a dirigir bem mais devagar e estou pensando até em alterar radicalmente a minha alimentação: tudo para poder ficar muitos e muitos anos com a minha pequena e ajudá-la sempre que precisar de mim.”
Aprendizado: “Todo mundo quer dizer como ser pai. Para mim, a única coisa que importa mesmo é o amor. A Florenza é carinhosa com todos. Acredito que essa característica venha da nossa criação, com muito apego. Ainda tenho algumas incertezas sobre como tratarei alguns assuntos. Sei que vou saber no momento certo.”
Futuro: “É clichê, mas desejo que a minha filha seja feliz. Quero que ela me veja como um conselheiro, alguém com quem possa contar. Desejo, ainda, que minha esposa e eu tenhamos a oportunidade de ficarmos bem velhinhos ao lado dela, para a apoiarmos em seus contratempos e, principalmente, comemorarmos suas vitórias.”

Texto: Paula Zuliani
Fotos: Lidia Muradás, Produção: Robes Britto, Agradecimento: Hotel JP, Sierra e UneRobusti