O setor que mudou a cara de Ribeirão
Em um período de quase 30 anos, construção civil mudou a paisagem de Ribeirão Preto

Quem passa pelas ruas e pelas avenidas de Ribeirão Preto se impressiona com a quantidade e com a qualidade dos empreendimentos imobiliários. São verdadeiros arranha-céus que aliam materiais nobres, tecnologia de ponta, design arrojado

e inteligência construtiva para embelezar a paisagem da cidade e, ao mesmo tempo, proporcionar funcionalidade, conforto e bem-estar aos moradores. Com produtos repletos de atrativos e novidades, as empresas que atuam na área elevam o número de vendas a níveis acima da média, mantendo um ritmo, constantemente, acelerado. Por tudo isso, o setor passou a ser apontado como referência nacional e aumentou sua participação na economia regional. Porém, há três décadas, o cenário urbano era completamente diferente. “O mercado era limitado em função da inflação e o crédito imobiliário praticamente inexistia. Construía-se a preço de custo, com recursos próprios das empresas e dos compradores”, lembra o engenheiro civil e empresário do ramo, Paulo Tadeu Rivalta de Barros, da Habiarte.
A evolução percebida hoje, que aconteceu de forma relativamente rápida, foi
conquistada por etapas. Desde o seu lançamento, em 1986, a Revide acompanha essas mudanças. A história desse segmento está devidamente registrada nas páginas da revista. Em meio às várias matérias, algumas merecem destaque. Uma delas foi divulgada na edição de abril de 1991, com o título “Paisagem de concreto”. No texto, havia uma comparação entre a realidade da época com a da década de 70, quando a cidade tinha, aproximadamente, 50 prédios com mais de três andares. Nos final dos anos 80, início dos anos 90, o processo de verticalização se intensificou. Muitos casarões antigos foram demolidos e cederam espaço para imponentes edifícios. “Os terrenos disponíveis tinham tamanho reduzido, o que limitava as características do projeto, com garagens e recuos aquém das necessidades”, aponta o empresário Paulo Tadeu. Os endereços privilegiados estavam no entorno das avenidas Nove de Julho, Francisco Junqueira, Independência e Jerônimo Gonçalves. Além disso, comprar um imóvel era difícil para a maioria da população, devido aos preços elevados.

Essa trajetória teve um marco importante: o surgimento da avenida professor João Fiusa em 1996. A via revolucionou o desenho da cidade, alavancando o desenvolvimento da zona sul, principal vetor de crescimento de Ribeirão Preto atualmente. Paulo Tadeu participou ativamente desse momento. “As irmãs ursulinas precisavam construir um novo colégio em uma chácara que possuíam nessa área. Porém, os recursos para esse investimento teriam que sair do próprio local. Era um enorme desafio. Para cumpri-lo, montamos um ‘master plan’ dirigido para a construção de edifícios de grande porte. Foram gerados 23 terrenos com dimensões adequadas para receber esses empreendimentos mais elaborados”, relembra o empresário. A partir do ano seguinte, os espaços começaram a ser ocupados de fato e o sucesso dos lançamentos fez com que o foco da excelência urbanística e imobiliária se consolidadesse na região.
Nesse tempo, a economia também mudou, o que afetou diretamente o setor. Os investimentos cresceram, assim como o poder de compra dos cidadãos. “A conquista da estabilidade econômica, com o Plano Real em 1994, e o aprimoramento do sistema de concessão de crédito habitacional foram fundamentais para a consolidação da construção civil. Essa combinação de fatores deu novo impulso ao mercado imobiliário, que também sofreu com as várias crises econômicas que vieram e, bem ou mal, o setor soube se adaptar a elas”, comentaWelton Tadeu De Bortoli, presidente do Grupo WTB. Com um número maior de clientes em potencial, as incorporadoras e as construtoras tiveram que se superar, trazendo novos conceitos arquitetônicos e urbanísticos para a cidade. “A arquitetura acompanha o comportamento da sociedade. Os empreendimentos são moldados para suprir, da melhor maneira possível, as necessidades e os desejos desse público”, enfatiza o empresário.
Por diversas vezes, as características almejadas pelos consumidores e as soluções propostas
pelas empresas para atender a essas exigências foram tema das editorias da Revide.
EDUARDO NOGUEIRA, diretor da Stefani Nogueira Incorporação e ConstruçãoDe Bortoli cita algumas dessas tendências imobiliárias. “Cada vez mais, as famílias buscam momentos de prazer e de recreação dentro das próprias casas ou condomínios. Por isso, as áreas gourmet, os itens de lazer e a interação com o verde ganharam mais espaço nos projetos. A falta de tempo trouxe o fortalecimento dos complexos multiusos, que encurtam distâncias e facilitam a vida das pessoas, otimizando o dia a dia”, pontua. Ainda segundo o empresário, esses modelos são extremamente valorizados até hoje e a estimativa é que eles continuem em alta.
Constatando que a construção civil estava em plena atividade, produzindo empreendimentos e notícias a todo instante, e que os leitores tinham interesse nesse segmento, a revista lançou, em junho de 2007, a Revide Imóvel. A capa apresentava o Jardim Fazenda Olhos D’Água, elaborado através de um estudo minucioso, que unia preservação ambiental e modernidade. Agora, sete anos depois, os primeiros passos do projeto já podem ser vistos fora do papel, no prolongamento da avenida João Fiúsa, além do Anel Viário. O caderno, publicado semanalmente, continha textos sobre compra, venda e locação, financiamentos, feirões, materiais de construção, acabamentos, móveis, decoração e paisagismo, entre outros.
Na edição 644, de 3 de fevereiro de 2013, a revista se reinventou e inovou o projeto gráfico. As novidades passaram a ser apresentadas em reportagens especiais. “É interessante ver como a Revide reúne informações para traçar um verdadeiro panorama do segmento. Vemos o quanto o mercado imobiliário cresceu e contribuiu para aprimorar o planejamento urbanístico de Ribeirão Preto, mas ainda há um longo caminho pela frente. Temos que pensar que o trabalho que fazemos no presente vai definir a cidade que teremos no futuro”, alerta De Bortoli, acrescentando que o setor ainda tem muito a evoluir. “Enquanto houver déficit habitacional, estabilidade econômica, desejo de ascensão social, manutenção do poder aquisitivo e acesso ao crédito, a construção civil terá espaço para crescer, que pode ser maior ou menor conforme a conjuntura econômica do momento. Nos próximos dois anos, teremos uma certa estabilização. Haverá menos lançamentos, feitos com mais cuidado e preparo. Muitas empresas já estão revendo o planejamento estratégico para se adequar a essa nova realidade. De toda maneira, sou um otimista. Acredito que teremos boas notícias para compartilhar em breve”, finaliza.
CIDADE MAIS BONITA
“O setor imobiliário evoluiu de diversas formas. Antes, a aquisição de um imóvel era somente para quem possuía muito dinheiro e as linhas de financiamentos eram raras em um mercado carente de produtos. Evoluímos com a disponibilidade de crédito, prazos longos, taxas de juros mais baixas, diversas opções de bancos para financiamentos e aprovações mais rápidas. Houve a profissionalização no mercado e os produtos foram, e estão sendo, melhorados tecnologicamente para facilitar e trazer qualidade de vida às pessoas. Além dos negócios, a construção cível trouxe o desenvolvimento social e econômico para Ribeirão Preto, gerando empregos diretos e indiretos através da urbanização. Com ajuda do setor privado, a cidade ficou ainda mais bonita e aumentou o desejo imobiliário de muitas pessoas.”
JOÃO PAULO FORTES GUIMARÃES, diretor da imobiliária Fortes Guimarães
PROJETOS SOFISTICADOS
“Nesses 28 anos, o setor da construção civil melhorou muito, houve um alto grau de profissionalização, além do aumento da procura por novas técnicas e conceitos para atender aos desejos dos clientes. Os projetos de urbanismo e de incorporação estão cada vez mais sofisticados e o mercado reconhece. Hoje, na região, o número de lançamentos cresceu cinco vezes em relação aos anos 90. Houve uma corrida dos empresários para se aperfeiçoarem. A evolução está sinalizando a industrialização no processo construtivo, de forma racional e sustentável, com um olhar diferenciado para o artesanal e para o customizado.”
O DESENVOLVIMENTO DO MERCADO
“Nesses últimos 28 anos, vivenciamos uma efervescência de acontecimentos positivos e nos deparamos com o desenvolvimento do mercado imobiliário local. A cidade foi impulsionada a crescer de forma vertiginosa e o setor tem cumprido o dever de casa. Se compararmos os registros históricos, fica nítido o ritmo acelerado do processo de urbanização. O aquecimento é resultado, entre outros fatores, do fortalecimento do poder aquisitivo do ribeirãopretano. Recentemente, o Município foi apontado como o 43º do país com o melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e a população foi motivada a praticar um conceito de morar e viver bem. A zona sul, especialmente a criação da Av. João Fiusa, uma área inovadora de verticalização iniciada na década de 90, é um bom exemplo dessa evolução.”
FERNANDO PAOLIELLO JUNQUEIRA, diretor da Perplan Urbanização eEmpreendimentos
UMA REFERÊNCIA
“Ribeirão Preto é considerado, hoje, o 6º município mais populoso do interior do Brasil. Uma cidade que tem um mercado imobiliário com alta performance e oferece, constantemente, novas oportunidades de trabalho e estilos diversificados de moradia. Esse perfil de desenvolvimento injeta investimentos de grande porte, o que contribui para o crescimento econômico local e regional. Gradativamente, mais bairros foram surgindo. Isso fez com que nos tornássemos o 17º maior Município do país em área urbana. Essa evolução demográfica, imobiliária e populacional criou uma marco nas duas últimas décadas e fez Ribeirão Preto tornar-se uma referência, atraindo empresas e empreendedores que vislumbram por aqui negócios de sucesso.”
FABIO FRANCO, diretor da Bild Desenvolvimento Imobiliário
EXPANSÃO URBANA
“Há alguns anos, empreendedor era uma designação quase que restrita à construção. Hoje, esse termo é usado de forma recorrente, nos mais diversos setores, indicado àqueles que abrem portas e criam oportunidades. Porém, ainda é na indústria da construção, a mais sensível do mercado, que encontram ressonância. Nos anos 1980 e 1990, a economia brasileira passou por profundas transformações. Naquele período, a paisagem da cidade foi significativamente alterada e verticalizada, especialmente na região central. De lá para cá, a expansão urbana criou novos caminhos e possibilidades, pautadas por expectativas comerciais e sociais, reflexo da ebulição da economia e da sociedade.”
ISKANDAR AUDE, diretor da Jábali Aude
* Publicado em 29/08/2014