O Terror das Quadras

O Terror das Quadras

Do nascimento de um time, nasceu também a equipe pioneira do futebol de quadra de Ribeirão Preto

Uma mesa de bar, uma roda de amigos e uma paixão em comum pelo esporte. Foi dessa forma, mais precisamente na esquina das Ruas São Paulo e Monsenhor Siqueira, no conhecido Bar do Tavico – coração dos Campos Elíseos – que nasceu o Esporte Clube Rasquetim. E do nascimento de um time, nasceu também a equipe pioneira do futebol de quadra de Ribeirão Preto.

O esporte era novo no município, mas ganhava força. No antigo Bar do Tavico, palco de alegres reuniões de amigos e amantes do futebol de quadra, surgiu a ideia e a vontade de se montar um time. Acompanhando a evolução do futebol de quadra em Ribeirão Preto, esse mesmo grupo de amigos fundou, em 10 de fevereiro de 1966, o E. C. Rasquetim, o ‘Terror das Quadras’ de Ribeirão.

Tudo começou na quadra de futebol do antigo BC (3º Batalhão de Caçadores), onde atualmente se concentra a Polícia Civil, e na quadra da Vila Tibério (sede do Botafogo Futebol Clube). Posteriormente, com o crescimento do esporte em Ribeirão, vieram as quadras do Matarazzo, Santo Antônio (Campos Elíseos), Marfinite, Círculo Operário, Gordinho (Ipiranga), entre outros. E antes, como um esporte amador, o futebol de quadra chegou ao status de torneio principal de Ribeirão Preto, tendo os campeonatos realizados anualmente no Palestra Itália Esporte Clube.

De vermelho e branco – as cores oficiais do E. C. Rasquetim – o time disputou diversos campeonatos e se consagrou campeão nos anos de 1970, 1971, 1972, 1976 e 1980, realizados nas dependências do Palestra Itália. Dentre o período glorioso do ‘Terror das Quadras’, o imbatível time dos Campos Elíseos chegou a uma série invicta de 43 partidas.

“Antigamente em Ribeirão Preto só se falava em futebol de salão. Mas o E. C. Rasquetim difundiu o futebol de quadra na cidade como uma brincadeira e, depois, se alastrou pelos bairros, chegando a ser torneio principal”, conta Octávio Valini Filho, o Tavico, fundador e presidente do time.

As competições, em sua maioria realizadas no Palestra Itália Esporte Clube, atraíam um notável público, bem como os radialistas que faziam a divulgação dos jogos nos programas de rádio. O campeonato era disputado por times tradicionais de Ribeirão Preto como Palestra E. C., Regatas, Recreativa, Caiçara, Tabu, Apolo 11, América, Ipiranga, Tiberense, DABI, Castaldelli, Esporte Clube Remo, Bar do Cocenzo, Bonfinense, Chiquinho Automóveis, Rio de Janeiro, Guanabara, Colégio Metodista e Colégio Marista, além do Esporte Clube Rasquetim.

As décadas de 60, 70 e início de 80 foram os tempos áureos do futebol de quadra em Ribeirão Preto. Dos times tradicionais do esporte da época, hoje todos estão inativos com exceção dos times de clubes recreativos. “Criamos um time bom, um time forte e que era tudo. O esporte foi algo que pegou com muito carinho e dedicação, sempre contando com os amigos”, relembra Tavico, hoje com 75 anos e dono de uma empresa imobiliária.

Para o advogado Marcos Antônio Cokely, o Esporte Clube Rasquetim era o melhor time de futebol de quadra que Ribeirão Preto já teve. “Fiz um longo círculo de amizades e foi uma honra jogar no Rasquetim. Era o esporte amador mais interessante e nos consagramos campeões”, comenta.
Outro atuante na fundação do ‘Terror das Quadras’, Wagner Garcia Filho, o Wagninho, afirma que o futebol de quadra é um futebol arte. “A habilidade se sobrepunha à força física. Foi uma época muito boa, onde fui contratado por um banco que formou um time e, logo então, iniciei a minha carreira bancária”.

Alguns membros também participaram da fundação do E. C. Rasquetim ao lado do presidente Octávio Valini Filho (Tavico), sendo: Wagner Garcia Filho (Wagninho), Wagner Garcia, Bertinho Paccagnella, José Puga (Sapo), Toninho Abrahão, Ricardo Marchi, João Flávio Simões, Luís Valini, Roberto Benedeti, João Xisto (Metralha), Sebastião Ventura (Pé de Leque), Waldemar Abrahão e outros assistiram a glória do futebol de quadra em Ribeirão Preto, difundido pela ousadia e pioneirismo do ‘Terror das Quadras’.

O time das cores vermelho e branco que nasceu através de gente humilde não tinha investimento e tampouco patrocínio, sobrevivendo à época na base da co-operatividade dos membros e do amor pelo esporte. Inativo como tantos outros times de Ribeirão Preto, o Esporte Clube Rasquetim criou o Rasquetim Júnior na década de 80, voltado para crianças, onde o filho do presidente do clube, Octávio Valini Júnior, participou dos campeonatos. As atividades se encerraram na mesma época.

“Até hoje o E.C. Rasquetim é lembrado em todos os cantos da cidade. Todos comentam sobre o grande time fundado e presidido pelo meu pai. Tenho muito orgulho disso”, comenta o advogado Octávio Valini Júnior.
No passado, ficou a glória dos campeonatos; no presente, um esporte praticado por lazer. Entretanto, o futebol de quadra ainda se mantém vivo na memória dos eternos amantes do esporte.

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Texto: Fernando Belezine (colaborador)
Fotos: Carolina Alves

*Publicado em 18/07/2011

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