O tom da MPB

O tom da MPB

Cheia de swing e com uma voz marcante, a cantora Verônica Ferriani está preparando o novo CD e promete surpreender o público com canções inéditas

Nascida em Ribeirão Preto e dona de uma voz marcante, Verônica Ferriani descobriu sua paixão pela música aos oito anos de idade, quando ganhou um violão de presente e iniciou as aulas de música. Desde então a cantora abraçou a carreira e tem divido o palco com artistas consagrados como Beth Carvalho, Ivan Lins, Tom Zé, Martinho da Vila entre outros. Verônica canta e encanta os palcos por onde passa, levando o melhor da Música Popular Brasileira em inúmeras apresentações.

Em entrevista exclusiva para o portal da Revide a cantora fala sobre sua paixão pela música e os atuais projetos. Confira!

- Como você decidiu cantar?
Verônica: A música fez parte de minha vida desde a infância. Meus pais, embora tenham outra profissão, sempre tocaram violão e cantaram. É tradicional a roda de música na varanda com toda a família. Aos oito anos ganhei de Natal meu primeiro violão e passei a fazer aulas. Ao longo da vida estive próxima da música, mas nunca considerando a carreira. Até que comecei a estudar música, já em São Paulo, durante a Faculdade de Arquitetura na FAU-USP, onde inclusive me formei. A partir daí, abandonei a arquitetura sem nunca mais olhar para trás, foi natural como se eu sempre soubesse.

- Quais foram suas primeiras influências musicais?
Verônica: Meus pais e minha professora de violão na infância, Adélia Diniz.

- Quais músicas não podem faltar no seu som?
Verônica: Todas da Ella Fitzgerald, minha cantora preferida. Mayra Andrade, do Cabo Verde, Norah Jones, Elis Regina e João Nogueira também sempre estão. Adoro conhecer o que está sendo feito nessa geração também.

- Você se formou em arquitetura, mas acabou optando pela música. O que te levou a “mudar os rumos”?
Verônica: O amor pela música, que me tomou por completo quando passei a estudá-la de verdade, aos 20 e poucos anos. Tive um grande incentivo de meu mestre musical, Levy Miranda, professor na “Groove”, em São Paulo, escola em que estudei música durante quase cinco anos.

- Você é considerada uma das revelações dos últimos anos da MPB. Como você vê isso?
Verônica: Tenho feito um trabalho gradual e construído em busca do amadurecimento artístico. Faço pela música. Quero que meu trabalho seja ouvido, mas acima de tudo, quero fazer um trabalho que mereça ser ouvido.

-  Atualmente, a mulher tem mais espaço no mundo da música?
Verônica: Acho que a mulher sempre teve espaço na música, embora houvesse mais preconceito antigamente. Mas isso talvez para todos: o músico homem era o “malandro” ou “boêmio” e a mulher era relacionada às “mulheres da vida” por ter, em geral, para a época, uma cabeça mais liberal e de direitos e costumes mais parecidos com os homens, o que é diferente. Isso mudou bastante, há inclusive um glamour exagerado hoje, em minha opinião. Por mais que o artista faça sonhar e inspire as pessoas através de sua arte, é um profissional como qualquer outro, com um talento específico e vontade de fazer um trabalho profissional e sério, acima de tudo.
Em geral, nós mulheres ainda somos mais cantoras, menos instrumentistas, principalmente no meio popular e no Brasil. Mas creio que a mulher brasileira tenha mesmo um dom especial para a música e para cantar, basta ver quantas cantoras divinas e únicas temos em nossa história. Basta ver como o coro brasileiro do público é sempre tão afinado.

- Existe algum cantor/cantora que você sonha em dividir o palco?
Verônica: Penso sempre no Gilberto Gil, aprecio muito o trabalho dele.

- Conte-nos algum fato marcante da sua carreira?
Verônica: Um fato engraçado aconteceu logo no início, quando fiz coro num grande show para Martinho da Vila, Moacyr Luz, Aldir Blanc, entre outros sambistas, no show “Esquinas Cariocas”, no antigo Tom Brasil, em São Paulo. Fiquei tão emocionada, que ao final do show, na comemoração, no Bar Pirajá, desmaiei. O que ninguém esquece é que fui socorrida por um Dr. Aldir Blanc já bem tomado pela “birita”, o único médico presente no local, que imediatamente ficou sério (risos)

- O que é a música para você?
Verônica: É minha vida e maior paixão.

- O público pode esperar alguma novidade no seu trabalho?
Verônica: Sim, o próximo disco trará uma mudança no repertório, que focará nas canções inéditas autorais.

- Como está sua agenda de shows?
Verônica: Este ano foi certamente o melhor de minha carreira. Alguns dos próximos serão cantando Ary Barroso no projeto “Compositores.br” em Belo Horizonte/MG, com a Gafieira São Paulo no Bourbon Street/SP (01/11), com Giana Viscardi em Belém/PA, com Teresa Cristina cantando Nélson Cavaquinho no CCSP (06/11), com Toquinho no Vivo Rio (11/11) e no Clube Pinheiros (18/11) em SP, entre outros.

Conheça o trabalho da cantora Verônica Ferriani AQUI

Revide Online
Texto: Pâmela Silva
Fotos: Arquivo Revide

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