O verde da esperança
Prevenção e diagnóstico precoce, segundo o coloproctologista Paulo Henrique Pisi, são palavras de ordem na luta contra o câncer colorretal
O câncer colorretal figura entre os mais incidentes no Brasil e no mundo. É o que acomete o intestino grosso, o reto e o ânus, mais frequente a partir dos 50 anos. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontaram a incidência de 36.360 novos casos em 2018, um aumento de 6% em relação ao ano anterior. O câncer colorretal é?o segundo mais frequente nas mulheres (após mama) e o terceiro nos homens (após próstata e pulmão). Tamanha incidência chamou a atenção da Sociedade Brasileira de Coloproctologia para a criação de um mês dedicado à prevenção e ao diagnóstico precoce — o Setembro Verde — que, segundo o coloproctologista Paulo Henrique Pisi (CRM: 112.721), podem, na maioria dos casos, evitar a doença.
O aumento na incidência ocorre, de acordo com o especialista, aos maus hábitos alimentares da população, uso abusivo de álcool e tabaco, obesidade, sedentarismo, estresse e, em partes, também pela poluição das grandes cidades. “O segredo da prevenção está no estilo de vida: alimentação balanceada, com poucas gorduras de origem animal, carne vermelha em quantidade moderada, bastante fibras e pouco açúcar”, orienta Paulo Pisi. Evitar o consumo excessivo de álcool e cigarro e praticar exercícios regularmente para reduzir a incidência de obesidade e sedentarismo também são atitudes aliadas no combate a esse tipo de câncer.
Entretanto, além da mudança no comportamento, Paulo Pisi enfatiza a realização de exames preventivos, entre eles, a Colonoscopia. “Neste exame, é possível detectar pólipos — pequenos tumores —, em sua maioria benignos, que aparecem no intestino grosso e podem crescer até se transformar em câncer”, explica. A identificação e a retirada desses pólipos, de acordo com Pisi, evitam o surgimento do câncer, uma vez que cerca de 95% dos cânceres colorretais se originam nesses pólipos.
Atento aos sinais
O coloproctologista alerta para os sintomas mais comuns do câncer colorretal: presença de muco ou de sangue nas fezes, dores abdominais, perda de peso inexplicada e alteração do ritmo intestinal (mudança no padrão das evacuações, que podem se tornar diarreicas ou mudar para um padrão constipado). O tratamento, segundo ele, é individualizado. Em alguns casos, é preciso intervenção cirúrgica para a retirada dos tumores; em outros, sessões de quimioterapia antes ou depois da cirurgia. Com o diagnóstico precoce, segundo Pisi, é possível alcançar mais de 90% de chance de cura. “Mesmo as pessoas que não foram diagnosticadas precocemente, com os avanços no tratamento, têm sobrevida maior que há alguns anos. A abordagem multidisciplinar, com o oncologista clínico trabalhando lado a lado com o cirurgião, é fundamental para o sucesso do tratamento”, conclui.
Clínica UnaVita
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