Obras públicas e privadas

Obras públicas e privadas

Com cerca de R$ 1,35 bilhão em investimentos, Ribeirão pode solucionar velhos problemas


Dinheiro público e privado. Dinheiro privado aplicado em obras públicas e financiamentos que alavancam a economia. Pela primeira vez na história da cidade, Ribeirão Preto tem anunciado um pacote de investimentos que soma cerca de R$ 1,35 bilhão para aplicação em obras diversas. Serão contemplados setores da educação, saúde, tecnologia, transportes, mobilidade urbana etc.


No valor, não estão contabilizados investimentos que ocorrerão na terceira etapa do Distrito Empresarial, por estarem ainda em definição, mas serão significativos em função do número de áreas comercializadas, mais de 80% dos 111 lotes disponibilizados.

O maior volume de recursos vem do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), do governo federal, com financiamentos por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). São cerca de R$ 350 milhões, incluindo contrapartida da Prefeitura para aplicação em obras de mobilidade urbana e saneamento — o Daerp investirá R$ 40 milhões do total.

Outro investimento público de vulto, por meio de convênio entre os governos estadual e municipal, é a ampliação da pista do Aeroporto Leite Lopes em 500 metros. O valor do investimento anunciado é de R$ 307 milhões. O Estado investirá R$ 282,2 milhões e a Prefeitura, R$ 25,8 milhões. O início das obras ainda aguarda o licenciamento ambiental. Já o Terminal Internacional de Cargas do Aeroporto está sendo finalizado pela Tead Brasil, que ganhou a operação em Ribeirão Preto, com custo estimado de R$ 25 milhões.

O Buriti Shopping, previsto para ser construído onde funcionou a cervejaria Antarctica, deve exigir investimentos de mais R$ 300 milhões. Outro investimento público de peso vem sendo feito no Hospital das Clínicas. Um pouco mais de R$ 161 milhões estão sendo injetados em obras do Hospital da Criança (R$ 57 milhões) e em reformas das instalações do HC (R$ 62,8 milhões).

Em obras desde o ano passado, a remodelação do trevo da rotatória Waldo Adalberto da Silveira, o “Trevão”, tem custo estimado de R$ 120 milhões. As mudanças estão sendo feitas pela concessionária Autovias, que terá o investimento compensado com a ampliação do tempo de concessão.

Outro investimento público será feito pelo Daerp, em obras de saneamento básico e abastecimento de água. Serão R$ 90 milhões, sendo R$ 50 milhões com recursos próprios e R$ 40 milhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Na área da saúde, a Unimed está construindo um hospital com investimentos de R$ 40 milhões que deverá ser entregue em meados de 2015. Nas áreas de educação e de ciência e tecnologia também há recursos em aplicação. A construção da Faculdades de Tecnologia (Fatec), pelo governo estadual tem previsão de custo de R$ 20 milhões. Já o Parque Tecnológico de Ribeirão Preto, que teve concluída sua primeira etapa, custará R$ 11 milhões.

Obras de muitas brigas políticas e judiciais, os equipamentos para os ônibus urbanos devem começar a sair do papel com a construção do terminal da Jerônimo Gonçalves. Com estações e terminais, o Consórcio PróUrbano deve investir cerca de R$ 11 milhões este ano. Junto com os terminais e as estações, precisam chegar as obras de mobilidade urbana, que irão consumir quase toda a verba destinada pelo PAC a Ribeirão Preto. São avenidas, viadutos, túneis, calçadas e terminais de ônibus e coberturas de pontos de ônibus.

INEDITISMO DE RECURSOS

“Ribeirão Preto nunca teve tanto investimento junto. Isso mostra que o pessoal da cidade, falando da classe política, soube reivindicar os recursos que irão para o setor público”.

A afirmação é do diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Guilherme Feitosa. O diretor comenta que a iniciativa privada também tem investido muitos recursos. “A cidade está no radar dos investimentos. Tem vocação para receber recursos públicos e privados”, diz Feitosa.

O empresário afirma que, com esses investimentos, Ribeirão Preto passa a se firmar como a “capital do interior”, porque está em um momento muito positivo — e os reflexos na economia, como geração de emprego e renda, serão muitos. “Não dá para mensurar agora, mas serão muitos os benefícios destes investimentos”, acrescenta Feitosa.

NOVAS EMPRESAS

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP), José Carlos Carvalho, aposta que, com os investimentos em transporte e em logística, como a ampliação do Aeroporto Leite Lopes e a remodelação da rotatória Waldo Adalberto da Silveira, o “Trevão”, muitas novas empresas virão para a cidade. “A ampliação do Leite Lopes criará condições diferenciadas para as empresas, principalmente as exportadoras. Acredito que teremos um conjunto de novas empresas que operam com o comércio internacional”, afirma.

Carvalho aponta também que a remodelação do “Trevão” é um fator que levará desenvolvimento para aquele setor da cidade, já que o tráfego será substancialmente melhorado. O empresário, no entanto, ainda espera investimento em outro setor. “É preciso melhorar muito o transporte coletivo. Caso contrário, por mais investimentos que se faça, o trânsito continuará complicado e o usuário do transporte coletivo, perdendo muito tempo para se deslocar”, finaliza o presidente.

PÚBLICO E PRIVADO

O professor de Economia e coordenador do Instituto de Economia da ACIRP, Antônio Vicente Golfeto, opina que a cidade vai se expandir com os investimentos, porque “crescimento só vem com investimento”.

“Hoje, o setor público está atraindo recursos do setor privado, porque o público é uma espécie de GPS para o privado, que segue a tendência de desenvolvimento. O mais importante é que a cidade está conseguindo somar as duas coisas”, diz. Golfeto considera, no entanto, que a cidade está perdendo em ciências e em pesquisas de inovação.

Professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), da USP de Ribeirão, Luciano Nakabashi, tem opinião semelhante à de Golfeto, porém considera que o problema da quantidade de investimentos é a falta de um prazo definido.

“Esse investimento em dez anos não é muito, mas o seria em dois anos, por exemplo”, comenta. Sobre a qualidade dos investimentos, o professor explica que os que melhoram a infraestrutura de transporte tem o poder de atrair investimentos privados, o que gera renda e emprego.

“Isso ocorre porque uma melhor infraestrutura reduz custos de logística, facilita a instalação de novas empresas, o que traz outras oportunidades por gerar maior produção, demanda por outros produtos e emprego”, analisa o professor.

Nakabashi ainda comenta que o recebimento de investimentos pela cidade tem lastros em vários fatores. “O Município é bem localizado, sendo perto do Triângulo Mineiro e de cidades importantes do interior, como Campinas, São Carlos, Araraquara, Rio Claro, Franca, São José do Rio Preto, Sertãozinho, etc. A região também possui um setor agropecuário e agroindustrial bem desenvolvido, além de ser um polo regional com um comércio e serviços bem estruturados. Uma melhora na infraestrutura tende a realçar ainda mais essa posição de liderança regional e pode, ainda, estimular o setor industrial”, analisa.

PROVA DE CRESCIMENTO

Para a prefeita Dárcy Vera (PSD), o recebimento de tantos investimentos é a prova de que Ribeirão Preto tem um crescimento diário.

“A soma dos investimentos em Ribeirão Preto neste ano mostra o desenvolvimento da nossa cidade. Há recursos que serão aplicados pela iniciativa privada e outros pelo poder público. Obras públicas e novos empreendimentos. Tudo isso é resultado do trabalho de Ribeirão Preto para atrair investimentos”, afirma a prefeita.

Dárcy Vera cita o Distrito Empresarial como um fomentador deste desenvolvimento, já que, em cinco anos, ganhou dezenas de empresas e há quase cem lotes comercializados.

“Oferecemos uma boa infraestrutura, com grande malha viária, serviços e ampla área para expansão. Temos também um grande aeroporto em fase de internacionalização e continuaremos expandindo. Receber tantos recursos em um ano é prova de que Ribeirão Preto está crescendo cada dia mais, gerando empregos e oportunidades às famílias”, comenta a prefeita.

SEM PRAZOS DEFINIDOS

Apesar do grande volume de recursos, a maioria dos investimentos não tem um prazo definido de conclusão. As obras de mobilidade urbana podem começar este ano e se estender pelos outros dois anos da atual Administração Municipal.

Já a ampliação do Leite Lopes ainda depende de licença ambiental para ter início. A previsão do Buriti Shopping era operar no segundo semestre deste ano, mas as obras ainda não começaram e a nova previsão de entrega é meados de 2016.

Segundo Marcos Romiti, diretor do grupo Nassau, o número de lojas será definido nos projetos, ainda em desenvolvimento. “O que podemos adiantar é que teremos um shopping completo voltado às classes B e C, incluindo restaurantes, cinema, e muitas opções de vestuário e lazer para a população de Ribeirão Preto”, afirmou. A demolição do prédio deve começar nos próximos meses para o início das obras.

As obras do Hospital das Clínicas estão em andamento e parte do HC Criança será inaugurada em junho. As demais obras não têm previsão de término.

Também estão sendo realizadas as obras de adequação do “trevão”, com previsão de término apenas em 2015. Com cerca de R$ 90 milhões (sendo R$ 50 milhões de recursos próprios) para investir, o Daerp perfurará poços e construirá reservatórios, mas não há previsão de conclusão das obras.

O Terminal Internacional de Cargas do Aeroporto Leite Lopes, em construção pela Tead Brasil, deve ser inaugurado este mês. Com investimentos anunciados, antes da construção, de R$ 25 milhões, a empresa não divulgou ainda o fechamento dos custos, já que a obra está sendo finalizada.

Com término previsto para meados de 2015, o hospital que está sendo construído pela Unimed tem previsão de custo de R$ 40 milhões em sua primeira etapa. O Hospital terá 100 leitos, 20 deles na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O objetivo é o atendimento de média e de alta complexidade, com todos os serviços de retaguarda necessários.

O Parque Tecnológico de Ribeirão Preto já concluiu a primeira etapa das obras e deve ser inaugurado este mês. A segunda etapa ainda será licitada. O investimento previsto é de R$ 11 milhões.

O Consórcio PróUrbano também prevê o investimento de R$ 8 milhões apenas no primeiro terminal que construirá até o final do ano. No mesmo período deve construir também as estações de Bonfim Paulista, USP, São José e Planalto Verde, o que deve elevar os investimentos para cerca de R$ 10 milhões.

MOBILIDADE URBANA

O maior volume de verbas de investimento será da Prefeitura, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em obras de mobilidade urbana.

Serão, por exemplo, 56 quilômetros de corredores estruturais para o transporte coletivo urbano. O eixo Norte-Sul terá 27 quilômetros, o Leste-Oeste terá 25 e a área central mais quatro quilômetros. O custo estimado é de R$ 42,2 milhões. Calçadas e equipamentos de acessibilidade ao longo dos corredores têm previsão de investimento de R$ 52,7 milhões. Terminais e abrigos nos corredores exigirão mais R$ 22,6 milhões.

Os projetos de mobilidade apontam ainda para 30 quilômetros de ciclovias nas avenidas Antonia Mugnato Marincek, Recife, Thomaz Alberto Whately, Café, Rio Pardo, Presidente Kennedy, Costábile Romano e Luzitana, com valor de R$ 9,6 milhões.

Haverá ainda quatro viadutos, quatro pontes, dois túneis, uma passarela, obras de adequação em vários locais e duplicação da Avenida Antonia Mugnato Marincek.

Todas as obras estão orçadas em R$ 109,1 milhões. Por meio de investimentos públicos e privados, Ribeirão Preto deverá receber R$ 1,35 bilhão nos próximos anos, que vão resolver antigos problemas de infraestrutura

Texto: Guto Silveira
Fotos: Carolina Alves/Ibraim Leão/Divulgação 

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