Olhar experiente

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O fotógrafo Victor Marim acredita no processo instantâneo da fotografia como ferramenta para os profissionais do ramo

A paixão por registrar momentos começou cedo na vida de Victor Marim. Através de uma Polaroid, o fotógrafo conheceu a magia e a história que os retratos guardam e, desde então, tornou-se um especialista em câmeras profissionais. Dedicou-se a fotografar pessoas, momentos e realizar palestras sobre a arte da fotografia.

O portal da Revide conversou com o fotógrafo, que contou um pouco da sua trajetória no mundo da fotografia. Confira!

- De onde surgiu sua paixão pela fotografia?
Victor: Comecei a fotografar com 12 anos. Meu pai me presenteou com uma Polaroid, aquelas câmeras antigas com as quais tirávamos a foto e a imagem surgia magicamente na hora. Isso despertou a minha paixão e pesquisa sobre o assunto. Eu já era apaixonado por fotografia na época, tirava fotos do meu irmão e das visitas dos meus primos à minha casa... Tudo era motivo para fotografar. E a partir daí, a busca por novidades fotográficas só cresceu.

- Desde quando você trabalha com esta arte?
Victor: Posso dizer que sou profissional desde 2003, quando as pessoas começaram a me perguntar sobre meu trabalho como fotógrafo e quando eu comecei a produzir projetos mais sérios, que precisavam mais da minha dedicação para serem cumpridos.

- Quais as suas principais referências na fotografia? Como chegou até elas?
Victor: Alguns fotógrafos são minhas referências fixas: Willian Eggleston, Robert Capa, Richard Avedon, Walker Evans e alguns outros influenciaram gerações de fotógrafos e são leituras visuais obrigatórias para quem quer ser fotógrafo profissional. Mas vai muito do humor, vou mudando as referências conforme vou me aperfeiçoando. Cheguei até estas referências depois de muito estudo, dedicação e horas e mais horas de conversa e aulas com grandes fotógrafos que tive a sorte de conhecer pessoalmente.

                                 

- Cite algumas de suas especializações.
Victor: Eu acabei me especializando no que eu mais gosto de fotografar, neste caso, pessoas. Posso dizer que 50% do meu trabalho envolve a produção de retratos, books e pessoas de maneira geral. Gosto muito de fazer retratos na rua de gente que eu nem conheço. A parte realmente comercial do meu trabalho envolve publicidade, produtos, retratos corporativos e coberturas de eventos. Sempre que posso, mantenho um projeto autoral fotográfico em andamento.

- Conte-me sua trajetória como fotógrafo.
Victor: Comecei estudando fotografia em casa, com livros que eram do meu pai. Depois quando entrei na faculdade de propaganda e marketing, uma das disciplinas era fotografia. Comecei a trabalhar como fotógrafo nessa época, fazia muitas fotos de produtos em São Paulo, minha cidade natal. Depois, tive a oportunidade de ir para Chicago. Passei uma temporada estudando fotografia lá e fiz alguns trabalhos na área de publicidade. Quando retornei, entrei na Escola Panamericana de Artes de SP onde já levava a profissão bem mais seriamente, estudava todo dia e fotografava sempre, de carros à pacotes de salsicha. Foi então que recebi o convite para trabalhar na Canon do Brasil, como especialista de câmeras profissionais. Conheci muitos fotógrafos que eram meus ídolos e aprendi muito com eles. Eu lancei, aqui no Brasil, o sistema de ensino Canon College, que está ativo até hoje. Atualmente tenho minha empresa de fotografia e dou aula.

- O que você gosta de registrar?
Victor: Quando estou de folga, gosto de registrar a minha família. No trabalho gosto de fotografar crianças.

- Qual a sua principal característica?
Victor: Quando tenho a oportunidade de controlar a situação da foto, no caso de books e retratos, faço uma entrevista com o retratado antes de iniciar o trabalho para garantir um trabalho autêntico. Mas acho que a principal característica que eu busco para minha fotografia é o clima e atmosfera marcantes, quero que qualquer pessoa olhe para minhas fotografias e sinta que, de alguma forma, faz parte do que está ali retratado.

- Tem alguma preferência de ângulos, lugares ou métodos na hora de fotografar?
Victor: Não tenho preferências nesse sentido, vou adaptando conforme vão aparecendo os desafios. Evidentemente, tenho um planejamento de ângulos de acordo com a pessoa retratada e o maior segredo: faço duas ou três visitas às locações antes de fazer um ensaio, para entender como a luz se comporta em cada local.

- Como você vê a fotografia hoje?
Victor: Infelizmente a fotografia hoje está “pasteurizada” e banalizada, Não vejo os estudantes de fotografia interessados em ler sobre os grandes nomes da área. Só vejo uma massiva disputa sobre quem tem mais equipamento, isso é muito triste. Existem poucos fotógrafos jovens que poderão fazer algo pela fotografia brasileira, eles não banalizam a profissão, estudam muito e deixam o “glamour” fotográfico de lado. Mesmo acreditando que a perspectiva da fotografia no Brasil é ruim por conta da baixa qualidade da maioria dos que estão se jogando no mercado, acredito ainda nos profissionais bons que fazem a diferença e tem papel importante como educadores.

- Qual a importância da mudança do padrão da fotografia, como por exemplo, a evolução do filme para o digital?
Victor: O processo passou a ser instantâneo. O pensamento do fotógrafo não mudou, mas as ferramentas tornaram-se incríveis. Você pode criar uma campanha publicitária inteira e mostrar todo o andamento do projeto para seu cliente. Claro, tem fotógrafo que não gosta de trabalhar assim, acha que essa “velocidade” atrapalha, mas eu gosto muito de envolver todos na criação e a fotografia digital abriu portas para isso, todos podem ser clicadores de botão hoje em dia, pejorativamente ou não.

- Que mensagem gostaria de passar para os futuros fotógrafos e aos leitores?
Victor: Aos leitores: conheçam a formação e as imagens do fotógrafo antes de contratar. Muitas pessoas hoje têm condições de comprar uma câmera, mas isso não as torna maptas para exercer a profissão. O photoshop não salva um trabalho mal feito, mas o pensamento fotográfico sim. E aos fotógrafos, espero ter deixado uma mensagem bacana em nome de todos os colegas que acham importante a valorização da qualidade e seriedade na profissão.

Revide On-line
Texto: Pâmela Silva
Fotos: Divulgação

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