Olhar renovado

Olhar renovado

Novo protocolo sistemático de atendimento para catarata melhora a qualidade da visão, respeitando o estilo de vida de cada paciente, as necessidades profissionais e os hobbies

Gleilton e Juliana destacam que a análise personalizada consegue refinar a visãoEntre as principais causas da cegueira está a catarata, problema reversível, causado pela opacificação do cristalino. Ela pode ser senil, caso que atinge aproximadamente 85% da população acima de 50 anos, ou congênita, presente desde o nascimento. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a doença seja responsável por 51% dos casos de cegueira que podem ser curados no mundo — o que representa cerca de 20 milhões de pessoas. Embora possa ser congênita ou decorrente de trauma ou afecções metabólicas, o problema relacionado à idade é o mais comum e, portanto, tem o maior impacto. 

Um estudo realizado nos Estados Unidos (Beaver Dam Eye Study), descobriu que 23,5% das mulheres e 14,3% dos homens desenvolveram catarata visualmente significativa até os 65 anos. Em busca de reverter esse quadro com maior segurança e qualidade para os pacientes, a cirurgia personalizada é uma das inovações da área oftalmológica. O procedimento consiste em um novo protocolo sistemático de atendimento, que não apenas trata a catarata, mas procura melhorar a qualidade da visão, sempre respeitando o estilo de vida de cada paciente, as necessidades profissionais e os hobbies

De acordo com o oftalmologista Gleilton Mendonça (CRM-SP: 101.076) e diretor do Centro de Oftalmologia Especializada (COE) de Ribeirão Preto, um jogador de tênis, por exemplo, pode ter necessidades visuais totalmente diferentes daquelas de um professor ou de um músico. Durante a abordagem, certifica-se que o procedimento não apenas mantém, mas também aprimora a visão em todas as distâncias, com maior enfoque para perto ou para longe, de acordo com as necessidades dos pacientes, conforme explica Gleilton, que é mestre e doutor em Oftalmologia pela Universidade de São Paulo (USP), membro titular da Sociedade Brasileira de Catarata e Implantes Intraoculares e médico do setor de córnea do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP-USP). 

Esse protocolo, segundo o especialista, foi desenvolvido a partir do conhecimento científico acumulado ao longo dos anos, por meio da compreensão do feedback de pacientes e, principalmente, do resultado do avanço tecnológico de meios diagnósticos e lentes intraoculares. Neste processo do tratamento, o perfil do olho é avaliado em todos os aspectos e cada parte do globo ocular é analisada individualmente, da superfície da córnea até a retina e nervo ótico. Esse diagnóstico permite que o cirurgião decida qual é a potência adequada da lente a ser implantada, as características, marca e modelo. “Uma nova classe de tecnologia de lentes intraoculares, além de proporcionar a melhora na visão intermediária, permitiu a redução de efeitos colaterais desagradáveis, como a visão de halos e borrões à noite”, avalia a oftalmologista e integrante da equipe médica do COE, Juliana Zaninello (CRM-SP: 134.195).

Enquanto a cirurgia convencional utiliza o mesmo método padrão em todos os casos, a análise personalizada permite definir onde serão efetuados os cortes, que, embora minúsculos, conseguem refinar a visão. Cada olho tem características distintas e o local do corte depende dessas particularidades. “Pode acontecer de uma mesma pessoa ter dois procedimentos diferentes, um para cada olho”, observa. A cirurgia é realizada em nível ambulatorial, podendo ser feita com anestesia tópica, onde o paciente recebe apenas gotas de colírio anestésico e, após, o procedimento não há necessidade do uso de oclusor (tampão). O inicio da recuperação visual é imediato e o paciente já começa a enxergar logo após o procedimento. 

Transplantes de córnea 

Consultórios possuem avançada tecnologia de diagnósticoOutra revolução recente na Oftalmologia ocorreu em relação aos transplantes de córnea, ou ceratoplastia, em que a córnea doente é substituída por outra saudável. Na técnica convencional, conhecida como penetrante, todas as camadas da córnea são substituídas, estejam elas doentes ou não. O restabelecimento da visão é lento e o efeito final é verificado após cerca de um ano. “O resultado refrativo (grau do olho) varia muito e a rejeição é a mais temida das complicações. Até pouco mais de dez anos atrás, essa era a única maneira de se transplantar uma córnea”, observa o especialista.

O oftalmologista revela que as modernas técnicas de transplante dessas membranas, conhecidas como lamelares são divididas em anterior, quando apenas a parte da frente da córnea é substituída, e endotelial, quando a parte de trás da córnea é trocada. O primeiro, de acordo com Gleilton, é indicado para tratar as patologias que acometem apenas as camadas anteriores da córnea, como cicatrizes e, principalmente, o ceratocone, doença que leva a uma deformação na córnea, que ganha a forma de um cone.

Para o tratamento das doenças da parte de trás da córnea, o transplante endotelial permite a substituição apenas da camada mais interna e também a mais importante da córnea — o endotélio. “Na maior parte das vezes, não há necessidade de pontos e o grau do olho não é alterado”, avalia o especialista. O tempo de recuperação é de apenas algumas poucas semanas, sendo que a estrutura e anatomia originais do olho são preservadas”, destaca Gleilton. 

COE day-hospital 

Idealizado em 2014 pelo oftalmologista Gleilton, o COE foi planejado para atender aos pacientes em todas as subáreas da Oftalmologia, do início ao fim do tratamento. A ideia começou a se concretizar na antiga sede, localizada na Avenida Presidente Vargas, e ganhou novas proporções cinco anos depois, com a inauguração do novo day-hospital. Inaugurada no dia 4 de fevereiro, a nova sede, que fica na Avenida Independência, 3886, nasceu da necessidade de ampliar a capacidade de atendimento, sempre mantendo o compromisso com a excelência nos cuidados da saúde ocular e o respeito no atendimento de cada paciente.

Com projeto assinado pelos arquitetos Matheus Benette e Dariane Bertoni, a nova estrutura física conta com mais de 1.000 m², divididos em três pavimentos, disponibilizando sete consultórios para atendimento e três salas de espera climatizadas e preparadas para garantir conforto para até 50 pacientes ao mesmo tempo. O Centro Cirúrgico conta com duas salas aparelhadas com equipamentos de última geração, além de amplo centro de diagnóstico, para realização de exames complementares, e área de adaptação de lentes de contato, otimizando o fluxo de atendimento. 

Concebido atendendo os conceitos de arquitetura e construção sustentável, no projeto do “edifício verde”, foram adotadas práticas e tecnologias para minimizar os impactos no meio ambiente. Gleilton observa que toda a área de estacionamento externa é revestida por “piso-grama”, que permite a livre infiltração da água da chuva na terra. A caixa d’agua do sistema anti-incêndio usa água de reuso captada da chuva. O sistema de produção de energia fotovoltaica instalado no telhado utiliza 104 placas de captação de energia solar. Sistema capaz de produzir 3.800 kWh por mês, equivalente a cerca de 80% do consumo de energia elétrica do hospital.

Gleilton estima que as novas instalações permitam, diariamente, o atendimento de mais de 200 consultas, 60 exames e até 16 cirurgias. Entre os procedimentos cirúrgicos programados estão os transplantes de córnea — inclusive os procedimentos lamelares de córnea (DALK e DMEK) —, implantes de anel corneano, tratamento dos descolamentos da retina, cirurgia plástica ocular, estrabismo e a cirurgia de catarata personalizada, principal intervenção cirúrgica realizada do novo day-hospital. 

Nova unidade tem estrutura para atender até 50 pacientes ao mesmo tempo

Distorção visual

A catarata é a opacificação da lente natural dos olhos, o cristalino, em um processo que dificulta a dispersão da luz que entra no globo ocular, distorcendo as imagens e, em casos mais graves, levando à cegueira.

40 milhões de novos casos até 2020.
550 mil novos casos por ano no Brasil.
20,5 milhões de pessoas acima dos 40 anos são afetadas nos Estados Unidos.

Sintomas
Visão turva ou embaçada.
Diminuição da sensibilidade às cores e ao contraste.
Visão dupla num olho (diplopia monocular).
Alteração frequente dos erros refrativos com mudança frequente de óculos.
Diminuição da visão noturna.

 

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