Olhar social

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Em entrevista, jornalista, empresária e consultora em compliance Ana Paula Gentile discorre sobre o papel da mulher na sociedade e compartilha inspirações pessoais e profissionais

Nascida em Ribeirão Preto, Ana Paula Gentile aprendeu desde cedo a importância do amor ao próximo. A jornalista, empresária e consultora em compliance vem dedicando parte da vida a trabalhos solidários e à compreensão do outro, buscando fortalecer vínculos humanos e sociais. Aluna da Creche Modelo, uma das principais referências em educação em Ribeirão Preto, Ana Paula cresceu com o exemplo de mulheres fortes, que fizeram a diferença na sociedade onde estavam inseridas, e costuma dizer que aprendeu, com elas, a verdadeira essência do “servir”.

Sem medo de participar ativamente das transformações sociais, Ana Paula tem no currículo uma passagem significativa pela administração municipal de Ribeirão Preto, onde teve a oportunidade de trabalhar, por cinco anos, pela ressocialização de adolescentes infratores. “Foi uma experiência muito interessante, porque pude compreender os meandros de uma atividade administrativa e, ao mesmo tempo, aprendi a lidar com jovens que, apesar de extremamente rejeitados por suas ações antissociais, agem assim em razão de sua imensa carência social, econômica e familiar”, pontua.

Ativa na sociedade, a jornalista e empresária maneja vida profissional e pessoal em uma rotina equilibrada: mãe de um filho adolescente e uma filha de 18 anos, a empresária acredita que todas as oportunidades da vida devem ser aproveitadas, podendo, assim, conciliar rotinas e atingir objetivos. “Tenho certeza de que, quando nos colocamos à disposição para servir e trabalhar, tudo se encaixa e as soluções aparecem”, afirma. 

Para Ana Paula Gentile, a sociedade é uma extensão da família e não pode prescindir da capacidade e da sensibilidade das mulheres. “No mais, já é chegada a hora das mulheres oferecerem sua parcela de contribuição para a construção dos melhores arranjos políticos, econômicos e sociais no Brasil como já acontece em outras partes do mundo”, argumenta a consultora em compliance, que ainda cita o exemplo da primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, como uma boa liderança no enfrentamento à Covid-19. 

Na entrevista a seguir, Ana Paula discorre sobre suas inspirações, a vida profissional e seus anseios para Ribeirão Preto. “Desejo uma cidade moderna, economicamente ativa, progressista e acolhedora, apta a se transformar em uma referência nacional. Desejo que a nossa cidade seja, um dia, reconhecida como a cidade do amor por sua capacidade de realizar em prol do bem comum”, destaca. 


“A vida não pode parar, apesar do nosso medo e dos obstáculos que aparecem. Em muitos aspectos, não só eu, como muitas pessoas, foram obrigadas a se reinventar buscando se adaptar às novas realidades”


Você é uma mulher com uma carreira plural: é empresária, consultora, jornalista e ainda mãe de dois filhos. Como concilia todas as atividades do dia a dia?

Toda mulher é assim! Por uma questão cultural e, talvez, até biológica, somos preparadas para assumir múltiplas funções. Quantas mulheres não se desdobram para cuidar da casa, dos filhos e também da profissão? Além disso, conto com muitas pessoas que me auxiliam para que possa desempenhar todas as minhas funções — desde a pessoa que me auxilia em casa, até colegas de profissão que dividem comigo o enfrentamento dos nossos desafios diários. Penso que só não podemos perder as oportunidades que a vida nos oferece e tenho certeza de que, quando nos colocamos à disposição para servir e trabalhar, tudo se encaixa e as soluções aparecem. 

Qual sua maior inspiração na vida profissional e pessoal?

Muitas mulheres me inspiraram. No plano pessoal, tenho a minha mãe, guerreira vitoriosa, como meu melhor exemplo. Ela foi uma pessoa que se dedicou aos filhos, ao marido e ainda encontrou tempo e disposição para trabalhar fora, cuidando de tantas crianças na Creche Modelo, da Liga das Senhoras Católicas. É uma pessoa em quem me inspiro como mãe, esposa e mulher. No plano profissional, tenho tantos exemplos inspiradores! Grandes estadistas, como Angela Merkel, Margareth Tatcher e Michelle Bachelet; juristas como Ada Pellegrini Grinover e Maria Helena Diniz. São muitos os exemplos de mulheres fortes, inteligentes e abençoadas que deram a sua colaboração para a construção de uma sociedade melhor, mais justa e igualitária, mas uma mulher em especial, que me inspira, foi a médica Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança, que literalmente deu a vida em prol dos necessitados, falecendo vítima de um terremoto que atingiu o Haiti, onde ela se encontrava em ação filantrópica. Foi, com certeza, uma mulher, ao mesmo tempo inteligente, empreendedora e de uma dedicação à humanidade, que a colocam no pedestal dos anjos. 

Ana Paula compartilha as experiências de vida e as influências de fortes mulheresQual a importância de mulheres como você, ativas e atuantes, posicionarem-se na sociedade?

É extremamente importante que mulheres ocupem lugar de destaque na organização social, em razão de sua peculiar e única capacidade de compreender as necessidades da comunidade e o seu devido encaminhamento. São as mulheres que, em geral, administram o lar e encaminham as soluções para os problemas familiares. A sociedade é uma extensão da família e não pode prescindir da capacidade e da sensibilidade das mulheres. No mais, já é chegada a hora das mulheres oferecerem sua parcela de contribuição para a construção dos melhores arranjos políticos, econômicos e sociais no Brasil como já acontece em outras partes do mundo. Só para citar um exemplo, assistimos com satisfação ao desempenho de Jacinda Ardern, primeira-ministra da Nova Zelândia, dando lição a todos sobre o enfrentamento da Covid-19 em seu país.

Você já atuou na administração municipal, trabalhando com a ressocialização de jovens infratores. Como foi essa experiência?

Durante cinco anos, coordenei as intervenções municipais com adolescentes autores de atos infracionais. Foi uma experiência muito interessante, porque pude compreender os meandros de uma atividade administrativa e, ao mesmo tempo, aprendi a lidar com jovens que, apesar de extremamente rejeitados por suas ações antissociais, agem assim em razão de sua imensa carência social, econômica e familiar. 


“Somos preparadas para assumir múltiplas funções. Quantas mulheres não se desdobram para cuidar da casa, dos filhos e também da profissão?”


Como você vê a gestão pública nas várias esferas (municipal, estadual e federal) na condução da pandemia do novo coronavírus?

A pandemia pegou a todos de surpresa e derrubou toda pretensão de infalibilidade de pessoas e de governos. Não há quem tenha enfrentado esse desafio único em termos de proporção, complexidade e duração, sem o gosto amargo de sucessivas derrotas. Contudo, de maneira geral, tenho a percepção de que prefeitos e governadores têm feito o possível para enfrentar a Covid-19 de maneira adequada. Todos estão se esforçando para oferecer o seu melhor para a comunidade.

E como você tem vivenciado a pandemia?

Tenho tomado todos os cuidados sanitários recomendados e respeitado o isolamento social. Contudo, ainda que com limitações, continuo trabalhando. A vida não pode parar, apesar do nosso medo e dos obstáculos que aparecem. Em muitos aspectos, não só eu, como muitas pessoas, foram obrigadas a se reinventar buscando se adaptar às novas realidades. 

Qual é sua ideia de cidade para Ribeirão Preto?

Desejo uma Ribeirão Preto moderna, economicamente ativa, progressista e acolhedora, apta a se transformar em uma referência nacional. Desejo que a nossa cidade seja, um dia, reconhecida como a cidade do amor por sua capacidade de realizar em prol do bem comum. 

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