Os benefícios da atividade física
O Dia Mundial da Atividade Física foi comemorado recentemente. A data, 6 de abril, foi instituída pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para mostrar à população os benefícios do exercício físico
O Dia Mundial da Atividade Física foi comemorado recentemente. A data, 6 de abril, foi instituída pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para mostrar à população os benefícios do exercício físico e também para combater o sedentarismo. Segundo a entidade, a inatividade física é o quarto principal fator de risco de morte no mundo.
Se a população brasileira tivesse consciência do bem que a prática de exercícios faz à saúde certamente seria mais ativa. A atividade física melhora a circulação, a pressão arterial, os batimentos cardíacos e a musculatura. Também é um excelente remédio contra o colesterol alto, a insônia, a depressão e ajuda a emagrecer ou a manter o peso dentro do ideal. Enfim, ela melhora a qualidade de vida e age na prevenção das doenças.
Não é preciso muito esforço para sair do sedentarismo. Trinta minutos de atividade física, de leve a moderada, como caminhada, por exemplo, cinco vezes por semana, já bastam para não ser considerado sedentário, pela OMS. Antes de começar uma atividade física mais intensa, porém, vai um alerta: é importante que a pessoa faça uma avaliação médica, independentemente da idade.
Apesar de parecer relativamente fácil cumprir 30 minutos diários de exercícios pelo menos cinco vezes na semana, a maioria das pessoas não pratica exercícios físicos. Pesquisas mostram que cerca de 30% da população dos grandes centros urbanos é classificada como ativa; os outros 70%, como sedentários.
Estudo internacional publicado pela renomada revista médica The Lancet calculou o impacto da inatividade física sobre a saúde financeira global. Foram estimados os custos diretos do sedentarismo para os sistemas de saúde e os indiretos (perda de produtividade) em 142 países, que somam 93% da população do planeta. Os dados utilizados são de 2013 e consideraram o impacto direto nos sistemas de saúde causado por cinco enfermidades, nas quais a influência da vida sedentária é mais conhecida: doença coronariana, derrame cerebral, diabetes tipo 2, câncer de mama, câncer de cólon e de reto.
Os resultados são alarmantes. Contados os gastos dos sistemas de saúde e os anos perdidos de trabalho por morte precoce, a inatividade física custou para o mundo U$ 67,5 bilhões. Esse número é igual ao PIB da Costa Rica e maior do que o PIB de 80, dos 142 países estudados. Para o Brasil, o custo foi de R$ 3,6 bilhões!
O sedentarismo é tão sério que mata mais que o tabaco: 5,3 milhões de pessoas por ano morrem no mundo em decorrência da inatividade física, contra 5,1 milhões por tabagismo. A falta de atividade física é, portanto, um grave problema de saúde pública, mas não é visto nem tratado como tal. Um bom começo para reverter esse quadro é estimular a prática de esportes nas escolas, mas, infelizmente, a reforma do ensino médio torna a educação física uma disciplina optativa. Além disso, das cerca de 190 mil escolas públicas existentes no país apenas 32% possuem quadra esportiva.
Precisamos mudar a mentalidade dos nossos governantes, das pessoas que pensam a saúde e a educação nesse país. O investimento em esportes, transporte público e espaços de lazer combate o sedentarismo e pode reduzir gastos desnecessários com saúde e perda de produtividade, e o melhor: aumenta significativamente a qualidade de vida das pessoas.
Yussif Ali Mere Jr
Médico, presidente da Federação dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do Estado de São Paulo (FEHOESP) e do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios de Ribeirão Preto e Região (SINDRIBEIRÃO)