Os Mistérios do Porto
O famoso vinho do Porto conquistou diversos paladares com seus aromas, doçura, coloração e possíveis harmonizações
O vinho do Porto é um dos mais conhecidos e apreciados em diversos países. A bebida se destaca de outros rótulos pelas características singulares, como o elevado teor alcoólico, a doçura, a cor e o aroma, que variam de acordo com os diferentes tipos existentes. Ele é produzido exclusivamente a partir de uvas provenientes da região demarcada do Douro, ao norte de Portugal, próximo à cidade do Porto. Entretanto, apesar de produzida com as uvas do Douro e armazenada nas caves de Vila Nova de Gaia, esse estilo ficou conhecido como vinho do Porto a partir da segunda metade do século XVII por ser exportada a partir desta cidade.
Segundo a gerente da Grand Cru, Tatiana Arruda, o que torna o vinho do Porto diferente dos outros, além do clima único, é o fato da fermentação não ser completa, sendo parada na fase inicial. “Quando a fermentação está em andamento, existindo açúcar não transformado em álcool, adiciona-se ao mosto a aguardente vínica de alto teor alcoólico, que interrompe a fermentação, já que as leveduras não conseguem trabalhar quando o teor alcoólico ultrapassa os 15 graus”, explica Tatiana.
Após este processo, o vinho passa por envelhecimento, mantendo contato com a madeira em pipas de características da região Durienses e, depois, é engarrafado. Mesmo após esse procedimento, algumas garrafas ainda passam por um novo período de envelhecimento, conservando-se reservadas, enquanto o vinho mantém contato com o oxigênio que sobra depois de serem fechadas.
Um Porto bem acompanhado
Branco: geralmente, é oferecido no início das refeições, como aperitivo.
Tawny: acompanha queijos tipo cheddar forte, torta de maçã, frutas secas, chocolates, cheesecake e tiramisù.
Ruby: combina com queijos, chocolate escuro e frutas silvestres. É uma excelente pedida para completar o jantar.
Um vinho, diversos estilos
A cor, a doçura, o aroma e o teor alcoólico do vinho do Porto variam de acordo com cada tipo da bebida e com a forma e o tempo de envelhecimento, por exemplo: barril de madeira ou de carvalho e depois na garrafa. Esse processo gera diferentes estilos do vinho. “Apesar de ser adocicado, o vinho do Porto pode apresentar variações. A diferença no grau de doçura é determinada pelo fabricante, que difere na forma e no tempo em que o processo de fermentação é interrompido”, pontua Tatiana.
A gerente acrescenta que o vinho do Porto pode ser dividido em duas categorias distintas, são elas: os que são envelhecidos em barris de madeira e os que são envelhecidos em garrafa. “É possível encontrar uma extensa variedade de vinhos do Porto, com diferentes sabores e aromas”, reforça.

Porto Ruby: vinho mais jovem que apresenta uma coloração característica e tem aroma intenso. São feitos a partir de uma mistura de uvas frescas de diferentes safras e colheitas.
Porto Tawny: menos encorpado e com cores menos intensas. Normalmente, é envelhecido em barris de madeira, apresenta-se um pouco mais adocicado e possui sabor semelhante às nozes.
Porto Reserva: esta categoria é aplicável aos Tawny e aos Ruby e representa uma versão de maior qualidade desses vinhos. Ruby Reserva é feito através de safras selecionadas que apresentam mais complexidade e estrutura que o tradicional e o Tawny Reserva é mais aprimorado, possui aroma amadeirado e de frutos secos.
Porto Branco: vinho que difere devido à cor, doçura e período de envelhecimento. Sua produção é feita a partir de castas brancas, normalmente envelhecidas por dois ou três anos.
Porto Vintage: considerado um dos melhores, é produzido a partir de uma única colheita especial. É um vinho de excelente qualidade, encorpado e de coloração forte.
Late Bottled Vintage: proveniente de um único ano, é envelhecido por mais tempo em barris de madeira para que a evolução oxidativa possa ser bem lenta. Normalmente, é engarrafado entre quatro a cinco anos após a produção.
Região produtora
O vinho do Porto é produzido na região demarcada do Douro, no norte de Portugal, a cerca de 100 km a leste da cidade do Porto. Desde 2001, o Douro é considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO como “paisagem cultural evolutiva e viva” e está dividido em três sub-regiões: Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior, cada uma apresenta diferentes condições e castas aptas à produção do néctar.
