Os SUVs dominam
Em busca de segurança, sofisticação, status e versatilidade cada vez mais consumidores compram SUVs
Havia um tempo em que todos os carros de porte maior eram chamados de jipe e somente gente do ramo sabia o significado da sigla SUV (Sport Utility Vehicle) — Veículo Esportivo Utilitário, em português. Mas este cenário vem mudando muito, perceptível aos olhos — basta observar a quantidade de veículos dessa categoria existentes pelas ruas das cidades e também oferecidos pelas concessionárias — e através de dados. Há cinco anos, os SUVs representavam 4,7% do total de veículos vendidos no Brasil. Em 2011, apenas de janeiro a junho, já alcançou 8,1%.
De acordo com representantes de revendedoras de Ribeirão Preto, as vendas na cidade acompanharam a participação de mercado do segmento e, este ano, cresceram em média de 10% a 15%, em relação a 2010. No Grupo Eurobike, que compreende marcas premium, entre elas Audi, BMW, Porsche, Volvo e Land Rover, o aumento foi ainda maior. “Praticamente dobramos o número de vendas de SUVs comparado ao ano passado”, afirma Guilherme Passalacqua, diretor de operações do grupo. Já o gerente de vendas da Honda Lago-San, Nuno Rufino, afirma que a concessionária chegou a vender, em um mês, mais unidades do modelo CR-V — representante SUV da Honda — do que os modelos Civic e Fit.
Quando ainda existiam poucos modelos SUVs no mercado, era reflexo de outros motivos que levaram à demora do desenvolvimento do segmento no Brasil. Entre eles, o fato de serem importados, luxuosos, pouco econômicos e caros. Mas hoje o panorama é outro. “Devido à estabilização do dólar, a aquisição desses veículos, que em sua maioria são importados, ficou muito mais acessível ao consumidor”, diz Newton Ceschin Jr., superintendente de vendas da Itacuã.
Outra característica a favor do SUV é a sensação que ele proporciona ao motorista: altura privilegiada, dirigibilidade, espaço interno e pacotes de equipamentos. O carro agrega conforto, segurança, conveniência, performance, modernidade, luxo e potência — capaz mesmo de desbancar outras categorias. “Há uma migração de clientes de modelos como sedan médio, minivans e peruas compactas que buscam todas essas qualidades reunidas nos modelos SUV”, comenta José Vitor da Silva Junior, gerente de vendas da Santa Emília Toyota. “O consumidor brasileiro começou a descobrir as vantagens de ter um veículo que proporcione a satisfação do uso individual e familiar com alto valor agregado em segurança, acessórios e custo benefício. Os SUVs representam este novo comportamento, que vem crescendo mês a mês”, analisa Eliéser Fraga, diretor da Kia Matriz.
Mesmo com o Brasil emergindo economicamente, o preço de um SUV ainda pesa, variando entre R$ 50 e R$ 180 mil — no segmento premium, mais ainda. Há muita variedade de modelos, atendendo a diferentes gostos. Porém, o perfil do consumidor que compra este tipo de veículo mantém-se praticamente dentro de um mesmo padrão: entre 30 e 60 anos, bem sucedido, em busca de segurança e praticidade. Segundo Cesar Rodrigues Jr, gerente comercial da Mitsubishi Kyoto, os carros da marca são utilizados por homens e por mulheres. “Os clientes sempre dizem que conseguem usar tanto no passeio na terra, como indo ao teatro ou ao restaurante. Basta lavar e pronto”, avalia. Marcelo Bekcivanyi, gerente comercial da Stecar Automóveis, revendedora de marcas premium como Mercedes-Benz e Jeep, acrescenta características relacionadas à liberdade. “Quem procura um SUV, geralmente é aventureiro e tem ‘espírito jovem’. A segurança que o carro proporciona, a facilidade de acesso em qualquer tipo de terreno e o conforto são os aspectos mais comentados pelos clientes”, diz.
O empresário Arnaldo Adams Pinto dirige no asfalto e na estrada de terra. Há anos, não abre mão de modelos SUV. O último que comprou foi uma Pajero Dakar Mitsubishi. “Primeiramente, é um carro econômico, confortável e espaçoso. Opção muito boa para quem tem família grande. Depois, é excelente na estrada e na terra. É resistente e tem tração. Isso me garante segurança em qualquer estrada”, diz ele, que viaja muito para a região de Delfinópolis.
Nuno Rufino afirma a posição do público feminino. “As mulheres querem SUV para levar os filhos à escola e para terem mais conforto, espaço e segurança”, conta. Por falar em segurança, não é apenas o tamanho que posiciona o modelo SUV como um veículo mais seguro, mas também itens e tecnologias inseridos desde o projeto até a construção desses carros — entre eles, tração nas quatro rodas, sistemas especiais de frenagem e exigências internacionais. Porém, Marcelo Bekcivanyi alerta que o motorista não deve depositar toda a responsabilidade de segurança no veículo. “Uma coisa é a sensação que determinado produto apresenta, outra é a característica construtiva. Todo SUV é mais alto que os outros automóveis, pois ele é feito para transpor obstáculos, mas o maior responsável pela segurança é o condutor”, declara o gerente.