Otimismo com as vendas
Estudo da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e do Serviço de Proteção ao Crédito mostra que mais de 110 milhões de consumidores devem presentear alguém neste Natal?
Embora a economia do país esteja se recuperando ainda lentamente, muitos brasileiros pretendem ir às compras neste Natal, o que deverá aquecer o comércio no período. Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) aponta que podem ser injetados cerca de R$ 53,5 bilhões na economia. O estudo mostra, também, que mais de 110,1 milhões de consumidores devem presentear alguém nesta data. Em termos percentuais, 72% dos brasileiros planejam comprar presentes para terceiros, número que se mantém elevado, principalmente, nas classes A e B (83%). Apenas 9% disseram que não vão presentear — 26% porque não gostam ou não têm o costume, 23% por estarem desempregados e 17% por não terem dinheiro —, enquanto 19% ainda não se decidiram.
Para o Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto e Região (Sincovarp), as projeções para dezembro são de crescimento. Segundo Paulo César Garcia Lopes, presidente do Sindicato, os negócios no período tiveram variação positiva de 0,38% em 2017, na comparação com o ano anterior. Para este ano, o ticket médio dos presentes deverá girar em torno de R$ 180,00. “Alguns eventos prejudicaram a economia em 2018. A paralisação dos caminhoneiros atrasou a recuperação da crise e mostrou que era preciso tomar decisões importantes. Depois das definições políticas, a expectativa de que o país vai caminhar para frente voltou a dominar”, ressalta. Lopes acrescenta que a tendência é que as pessoas voltem a consumir. “Não será o melhor Natal de todos, mas estamos otimistas”, conclui.

Para impulsionar as vendas, os shoppings apostam em campanhas capazes de atrair adultos e crianças. Tudo é pensado cuidadosamente para proporcionar momentos de interatividade em família. O desafio dos grandes centros de compras é reverter a queda na frequência dos consumidores. “A expectativa é a melhor possível. Esperamos superar os números do ano passado. Para isso, lançamos uma campanha promocional que contempla nossos clientes com brindes instantâneos e o sorteio de três automóveis SUV automáticos. Toda a equipe do Novo Shopping trabalha muito para preparar um Natal melhor a cada ano aos visitantes. Além da decoração inédita, que traz uma Vila de Natal para a Praça de Eventos, uma atração exclusiva é a apresentação musical “É tempo de Natal”, que acontece aos finais de semana e vem conquistando o público de Ribeirão Preto e região”, destaca o superintendente Wilson Gotardello.
Segundo Julio Cesar Souza, superintendente do ShoppingSantaÚrsula, o cenário deste ano é mais positivo do que o de 2017. O centro de compras está passando por um momento de consolidação, com a remodelação do “mix” de lojas. “No terceiro trimestre de 2018 registramos um crescimento de 17,6%, em relação ao mesmo período do ano passado. A projeção é de que o crescimento continue robusto”, observa. Para o público que quiser prestigiar o espaço em clima natalino, há diversas atrações. Sob o tema “Natal da União”, o espaço oferece apresentações musicais, teatrais, shows e brincadeiras gratuitas. A Roleta da Sorte também está garantindo muitos prêmios aos consumidores. “O ShoppingSantaÚrsula mantém diversos projetos desenvolvidos ao longo do ano, sempre pensando em oferecer algo a mais aos clientes, como o Bem-Estar, o Feliz Idade, as aulas de Yoga e Tai Chi, as apresentações teatrais infantis, entre outros. No Natal, as apresentações para as crianças acontecem aos sábados e domingos; além disso, disponibilizamos um passeio gratuito de trenzinho para as crianças no entorno do shopping”, lembra Souza.

Com expectativa de aumento de 10% nas vendas deste ano, o Shopping Iguatemi reforça as boas oportunidades de compras para atrair um público maior. De acordo com a gerente de marketing, Manoela Whitaker, o varejo está retomando o desenvolvimento e as vendas aumentaram. “Já sentimos um reaquecimento do mercado. Estamos constantemente investindo em inovação e em atualização no mix de lojas. Somente em dezembro, sete lojas foram inauguradas, criando uma experiência de consumo diferenciada e buscando novas oportunidades de bons investimentos. Este ano, seguimos a mesma estratégia de criar bons motivos para que os clientes voltem ao empreendimento”, reforça a gerente. O ambiente está com uma extensa programação cultural para adultos e crianças, que inclui até apresentação da Orquestra Sinfônica da cidade. Uma ação que ganha destaque é a promoção compre e ganhe, que presenteará os clientes com um Chocottone de Frutas Vermelhas e sorteará três carros Audi modelo A3 Sedan.
No RibeirãoShopping, a expectativa é de um crescimento expressivo nas vendas e no fluxo de clientes. Neste Natal, o empreendimento investiu para trazer novas experiências aos clientes, com uma decoração inovadora e diversificada, além de uma grande campanha promocional, que terá sorteado, ao final, 10 carros zero quilômetros e 250 pares de convite para o show do cantor Daniel. “Além disso, o RibeirãoShopping fez investimentos durante todo o ano, revitalizando as áreas interna e externa do empreendimento, assim como o paisagismo. A atitude de inovar, associada à visão de mercado, sempre antecipando as tendências, transformou o RibeirãoShopping em um dos maiores complexos multiuso do Brasil”, destaca João Fernandes, superintendente do centro de compras.
Lenta recuperação
Para Gabriel Couto, economista da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP), dois importantes aspectos devem ser levados em consideração ao observar o cenário econômico atual do Brasil. ”Já tivemos uma pequena recuperação do emprego, a economia voltou a crescer lentamente e é natural esperarmos que as vendas deste ano sejam melhores do que em anos anteriores”, enumera o especialista, ressaltando que ainda há um longo caminho pela frente. As projeções para 2019 ainda são incertas, pois é preciso que o governo dê mais atenção às reformas tributária, fiscal e, principalmente, previdenciária.

Caminhando pelo calçadão da cidade, é possível observar o corre-corre com sacolas e o interesse por preços promocionais. O empresário Nivaldo Dalava, que havia acabado de comprar dois pares de tênis, pagos à vista, não hesita em responder quando questionado sobre o valor que gastaria neste Natal. “O espírito natalino vai entrando no coração e sempre cedemos”, brinca Nivaldo. Já a diarista Maura Bergamasso Curto comprou uma máquina de lavar e irá presentear os netos apenas com roupas, parceladas em até duas vezes. A única dívida adquirida por Maria Áurea da Silva neste Natal deve-se à compra de dois presentes para crianças carentes. “Não gosto de fazer dívidas e sempre pago à vista”, acrescenta a aposentada.
Quem ainda está em dúvida sobre como gastar, vale a dica do economista. “As famílias precisam aplicar o princípio básico de não gastar mais do que recebem. Primeiro, as obrigações devem ser cumpridas e o que sobrar pode ser convertido em presentes e em lembranças. Também vale a pena pesquisar bastante os preços, pois sempre há variações. Essa prática ajuda muito a economizar”, finaliza Gabriel.
Expectativa dos comerciantes
Mesmo com uma lenta recuperação, já é possível afirmar que existe um quadro mais otimista sobre os resultados do varejo. Estudo realizado neste mês com empresários do setor em todas as capitais pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) evidencia que, para 43% dos comerciantes, as vendas no período devem ser melhores na comparação com 2017. Outros 32% acreditam que as vendas estarão no mesmo patamar do ano anterior e apenas 9% esperam um desempenho pior, com queda em relação a 2017. Os entrevistados que não souberam responder cresceram 15%.

A pesquisa investigou, também, a intenção de empregar mão de obra durante as festas de Natal e Ano Novo. Na ocasião, 20% dos comerciantes já haviam contratado ou iriam contratar trabalhadores neste período — informais, temporários, efetivos ou terceirizados. Em termos absolutos, a expectativa é de que 35,1 mil vagas sejam criadas até o fim do ano. Suprir a demanda aquecida de dezembro é o principal motivo para 83% dos comerciantes que pretendem contratar ou já contrataram. Outros 70% não querem agregar novos profissionais às equipes, sob a justificativa de não perceberem aumento expressivo no movimento.
* A pesquisa ouviu 605 empresários e gestores responsáveis pela contratação de mão de obra de empresas do comércio varejista localizadas nas capitais e no interior do país. A margem de erro é de 4,0 pontos percentuais, a uma confiança de 95%.
Texto: Bruna Romão
Fotos: Ibraim Leão