Pacto por Ribeirão Preto

Pacto por Ribeirão Preto

Por Chaim Zaher, presidente do Grupo SEB

"Em casa que falta pão, sobra discussão e ninguém tem razão”. Em momentos de crise e dificuldades, os ânimos tendem a ficar exaltados e pode ser difícil encontrar o consenso. Talvez esse ditado sirva, guardadas as devidas proporções, para ilustrar o que Ribeirão Preto tem vivenciado desde que a pandemia do novo coronavírus se instalou na cidade, trazendo consigo crises econômica e na área da saúde.

Inicialmente, a grande preocupação com relação à Covid-19 estava na taxa de letalidade e na possibilidade de levar os hospitais ao colapso, uma vez que muitos pacientes precisam de leitos de UTI e respiradores durante a recuperação. Temos acompanhado diariamente os índices de ocupação desses leitos em Ribeirão Preto e a cidade, que já tangenciou os 100%, hoje regula entre os 70% e 80%.

Nesse combate ao novo coronavírus, o isolamento social se transformou na principal ferramenta e o Plano São Paulo de retomada da economia classificou as regiões do Estado de acordo com índices relacionados à doença para flexibilizar as atividades comerciais. Nossa cidade, que pertence à Direção Regional de Saúde XIII, junto de outros 25 municípios, foi a que permaneceu por mais tempo na faixa vermelha — a mais restritiva do Plano e que prevê apenas o funcionamento de atividades essenciais.

A constante restrição ao comércio da cidade tem trazido prejuízo aos empresários que dependem das vendas. Muitos estão fazendo o sacrifício de permanecer com as portas fechadas e amargam despesas há quatro meses.

Por tudo isso, não é hora de fazer uma opção entre saúde e economia. É preciso salvar vidas, o que implica em tomar medidas assertivas nas duas áreas. Proponho, assim, um pacto por Ribeirão Preto. A ideia nasceu no programa Mentoria Ribeirão, pela TV Thathi, em que conversei com autoridades para que buscássemos uma saída em uníssono.

Por mais que evoluamos de fase no Plano São Paulo e que consigamos nos reerguer diante de tanta dificuldade, é preciso compreender que a constância das atividades econômicas só será possível se houver o envolvimento de toda a sociedade civil, junto dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Veículos de comunicação farão a sua parte, conscientizando a população dos cuidados mínimos, como usar máscara e lavar as mãos.

É fundamental que a cidade se una nesse momento, e não que se divida. A população não pode, por exemplo, se aglomerar no Calçadão, nos shoppings e nas lojas assim que as atividades são liberadas. É preciso ter comedimento nas ações, respeitar o próximo e buscar o senso de coletividade, entendendo que apenas juntos vamos conseguir fazer com que o município evolua.

É hora de harmonia e união, não de desavenças. É o momento de deixarmos as diferenças de lado e nos juntarmos por um propósito que é de todos: o desenvolvimento de nossa cidade e o funcionamento das atividades que respeitem restrições, mas que, também, permitam que empresários e funcionários consigam arcar com suas despesas e trabalhar dignamente.

Temos de pensar em uma progressão definitiva, sem retroceder. E a única maneira de fazermos isso é estabelecermos esse pacto, com Ribeirão Preto como prioridade. Juntos, certamente venceremos esse grande desafio.

- Chaim Zaher é presidente do Grupo SEB

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