Padrasto diz ter usado insulina

Padrasto diz ter usado insulina

Ele teria autoaplicado 30 doses do medicamento, mas não precisou ir ao médico

O depoimento de Guilherme Raymo Longo, padrasto do menino Joaquim Marques Ponte, de três anos, morto e encontrado nas águas do Rio Pardo, em Barretos, não acrescentou muitas informações às investigações.

Um dos suspeitos da morte do enteado, ele falou com o delegado Paulo Henrique Martins de Castro, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), responsável pelo caso, por cerca de 3h30 na tarde desta quarta-feira, dia 13.

Segundo o advogado de defesa de Guilherme, Antônio Carlos de Oliveira, ele informou ao delegado que aplicou 30 doses de insulina no próprio corpo, dias antes do desaparecimento do menino, no último dia 5, em função da ansiedade por abstinência de cocaína.

A versão da autoaplicação do medicamento foi apresentada pela mãe de Joaquim, Natália Mingoni Longo, depois que a caneta de insulina, que era usada pelo menino que tinha diabetes, foi apreendida pela polícia.

A declaração é uma justificativa para a utilização do medicamento, já que há suspeita que a morte ocorreu justamente por overdose de insulina no garoto.

O advogado de defesa disse que mesmo com a alta quantidade de insulina, que reduz a glicemia, Guilherme não precisou ir ao médico. Apenas teria comido alguns doces e chocolates para elevar o nível de açúcar no sangue.

“Ele aplicou o medicamento após trocar um celular por quatro cápsulas de cocaína. Quando acabou, sentiu que precisava de mais doses”, disse Oliveira.

Sobre brigas e ameaças com a companheira Natália, o advogado informou que o casal tinha uma convivência normal e que agressões nunca ocorreram. “Jamais ele agrediu a esposa ou ameaçou matá-la. A polícia precisa investigar sob quais circunstâncias ela fez estas afirmações para ter certeza de sua veracidade”, apontou.

O advogado de defesa confirmou que deve entrar com pedido de revogação da prisão do cliente nesta quinta-feira, 14, mesmo com os riscos que seu cliente pode correr estando em liberdade.

“A prisão temporária é uma exceção, não uma regra. É preciso checar outras linhas de investigação. O Guilherme tem colaborado com as autoridades e continuará o fazendo. Não há nada para esconder”, assegurou.

Defesa fala em sequestro

De acordo com o advogado de defesa, Guilherme sustenta a versão de que o menino Joaquim foi sequestrado antes de ser atirado ao córrego. No depoimento, o principal suspeito repetiu ter visto um carro branco com um garoto parecido com Joaquim próximo à sua casa, no Jardim Independência.

Ele teria saído, na madrugada, para comprar droga e deixado a porta aberta, mas o portão estaria trancado. “Acho que a polícia necessita ser mais incisiva em levar tais fatos em consideração (do sequestro). Somente vejo meu cliente como suspeito e tenho convicção em sua inocência. Onde estão as diligências para se apurar isto?”, questionou Oliveira.

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