Parada nas obras
A primeira etapa do projeto, que deveria ter sido entregue em dezembro de 2012, não foi cumprida

Depois de três meses da abertura das propostas da licitação para revitalização e reforma do Calçadão de Ribeirão Preto, vencida pela empresa Tecla Construções, o que se vê nas ruas do centro são obras fechadas com tapumes e poucos avanços. Até o momento, foram feitas as instalações elétricas subterrâneas e o nivelamento do piso, que ainda está em andamento.
O projeto total prevê obras e intervenções nos trechos que compreendem os seguintes pontos: rua General Osório, entre as ruas José Bonifácio e Barão do Amazonas; rua Álvares Cabral, entre as ruas General Osório e São Sebastião; rua Tibiriçá, entre as ruas General Osório e rua São Sebastião; rua Barão do Amazonas, no trecho da calçada em frente ao Marp, da rua General Osório até a Duque de Caxias.
A obra, orçada em R$ 8,3 milhões, envolve uma área total de 12.600 m² e serão realizados serviços de assentamento do piso decorativo, instalações elétricas, implantação de mobiliários como banco, lixeiras, sombreiros e cinzeiros, além de nova pavimentação asfáltica, drenagem e paisagismo, com previsão de entrega de 12 meses.
A primeira etapa do projeto, que deveria ter sido entregue em dezembro de 2012, não foi cumprida. A justificativa por parte dos comerciantes sobre a paralisação das obras foi a movimentação do período de festas de fim do ano. No início deste ano, as obras foram retomadas com a adequação da fiação elétrica subterrânea, porém, com pouca adesão dos comerciantes, as obras entraram, novamente, em recesso. Na fase atual, as obras contemplam as ruas Barão do Amazonas e Visconde de Inhaúma e não necessitarão de intervenções no tráfego de veículos. As obras estão sendo realizadas por etapas para que haja menor transtorno aos lojistas e à população.
Em princípio, a empresa fez uma drenagem manual para saber que tipo de máquina deverá ser utilizada durante as obras para que o impacto causado seja o menor possível. Para cumprir os prazos, como a construtora havia se comprometido, foram colocados mais homens na obra com a finalidade de agilizar os trabalhos. No trecho em questão, o trabalho foi feito, manualmente, para garantir a funcionalidade da obra por se tratar de uma área antiga e não permitir o uso de máquinas para escavação no local.
Para o representante da Associação dos Amigos, Moradores e Empresários do Centro (AMEC), Marcos Zeri Ferreira, a união de forças entre os envolvidos para a conclusão das obras é fundamental. “Estão sendo feitos os reparos com os cuidados necessários com a estrutura antiga. Por isso, é importante ter apoios como o do Daerp, por exemplo, bem como o da CPFL, no que diz respeito à manutenção dos conduítes que foram rompidos durante as escavações. Espero que tudo ocorra bem e que Ribeirão Preto encontre a sua identidade e revitalize o seu Centro”, afirma Marcos.
A Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP), juntamente com a administração municipal e empresas de telefonia e eletricidade, percorreram as lojas para orientar os comerciantes sobre as readequações necessárias na fachada dos estabelecimentos para o recebimento da fiação subterrânea. Por meio da assessoria de imprensa, a ACIRP informa que, para acelerar o andamento da obra, irá financiar tais modificações às empresas que necessitarem. O pagamento pode ser feito por boleto bancário, de forma parcelada. Ainda assim, a ACIRP comenta que, diferente da última etapa das obras, que acarretou na queda de 40% do movimento, a nova etapa irá impactar menos as vendas por conta da altura dos tapumes.
Expectativa pelo resultado
Dono de uma banca de revistas, Ivair Balieiro Filho está ansioso para o término das obras. “A expectativa é a melhor, pois se obedecerem à planta do projeto inicial, a revitalização trará uma boa imagem para a cidade”, diz. Quando questionado, o comerciante fica apreensivo. “Da forma como está sendo feito, não tivemos muitos transtornos. Os tapumes não atrapalham a visão das lojas, mas é preciso cumprir o cronograma para que não se arraste até o período das festas”, completa.
Paulo Muller Correa, gerente de uma loja de artigos de couros, concorda com Ivair. “A nossa rotina não foi alterada. A única reclamação é que o Centro como um todo está feio, mas as expectativas são as melhores se for cumprido como o planejado. Talvez tenha faltado um pouco de organização no cumprimento das datas, mas tenho esperança que tudo ocorra tranquilamente dessa vez”, comenta Paulo.
Já para Dariane Sacre Ávila, as obras desde o início só trouxeram complicações e transtornos para os consumidores. “A Prefeitura de Ribeirão Preto não teve organização e respeito com os usuários do centro. Está uma confusão, com reformas para todo lado, além do piso irregular que provoca quedas, sem contar em época de chuva, que vira uma grande bagunça”, desabafa.
Ribeirão Preto, embora seja uma cidade do interior, tem problemas parecidos com os de uma capital. A opinião é de Reginaldo Vicente, segurança. “Esta etapa parece que iniciou de forma mais tranquila, mas é importante que as obras terminem antes do período de festas para que os consumidores possam transitar sem maiores problemas pelas ruas”, adverte o segurança. As obras ficarão interrompidas de 15 de novembro de 2013 até a primeira quinzena de janeiro de 2014.
Resgate histórico
A revitalização do centro tem como marca registrada o resgate histórico no período cafeeiro. “O Projeto está inserido no Projeto Cidade Histórica – Revitalização, das manchas urbanas identificadas como de relevância histórica, desenvolvido pela Prefeitura de Ribeirão Preto através das secretarias da Cultura e do Planejamento e Gestão Pública, com a colaboração dos diversos órgãos municipais e de lideranças que representam a comunidade local”, explica a arquiteta Rose Borges, uma das responsáveis pelo projeto.
Dividido em quatro etapas, o projeto tem como eixo principal a união dos conceitos de morar, trabalhar, circular, divertir e admirar a paisagem urbana. Para ela, a finalidade é mesclar conceitos urbanísticos que valorizem as esquinas como elemento de referência e a implantação de praças de convivência, transformando o cruzamento das ruas com o calçadão em marcos referenciais. “A proposta está pautada na identidade cultural, explorando o conceito da cultura do café e dos imigrantes, que se traduz na trama, na textura e nas cores do piso”, complementa.
A todo vapor
Nesta fase, que tem até o dia 15 para ser concluída, a previsão é que o calçadão tenha recebido o contrapiso por completo. Neste período, os lojistas pediram interrupção nos trabalhos para que as vendas de Natal não sejam prejudicadas. A interrupção vai até a primeira quinzena de janeiro do ano que vem. Para Abranche Fuad Abdo, secretário de obras, a população ainda confunde a etapa preparatória das ruas para o recebimento do contrapiso. “As pessoas insistem em dizer que tudo foi quebrado novamente. Na realidade, o que existia era uma camada de cimento que foi feita para facilitar o trajeto de pessoas que andam pelo centro da cidade, até que o resultado da licitação saísse para que a obra tivesse sua continuidade”, explica.
As obras seguiram, normalmente, com as ligações de esgoto e remanejamento de caixas de gordura e, depois disso, o trabalho foi dedicado às galerias de águas pluviais das lojas. Feito isto, as guias foram alinhadas e todo trecho foi preparado para ser concretado. “Não sabíamos o que iríamos encontrar no subsolo, se as galerias estavam em ordem, caixas de gordura, etc. Por ser uma área muito antiga, tivemos mais cuidado para saber onde poderíamos entrar com máquinas e os trabalhos que deveriam ser realizados”, explica o engenheiro Flávio Henrique Lintz, responsável pela obra.
Texto: Cristiane Araujo | Fotos: Carolina Alves e Ibraim Leão