Patrimônio desprotegido

Patrimônio desprotegido

A construção do início do século passado que abriga o marp não passa por uma boa reforma há cerca de 20 anos

Um dos principais cartões postais de Ribeirão Preto tem seu acervo cultural e histórico em risco por conta de vários problemas. Com um patrimônio permanente de 1.200 itens, entre obras de arte e arquivo documentário, o Museu de Arte de Ribeirão Preto Pedro Manuel Gismondi (MARP) ainda não equalizou pendências que há anos não saem do papel.

Tombado pelo Conselho Municipal de Patrimônio Cultural (Compac), a construção do início do século passado não passa por uma boa reforma há cerca de 20 anos. Localizado na rua Barão do Amazonas, 323, o prédio de 1908, de propriedade da Telefônica, já foi sede da Sociedade Recreativa, da Câmara Municipal e palco de grandes eventos no apogeu da era do café. No entanto, a construção sofre com infiltrações e rachaduras aparentes. Além disso, o sistema de climatização dos ambientes não é adequado. Outro agravante é o ponto de ônibus em frente ao prédio. Além de prejudicar a visibilidade e o acesso dos visitantes devido ao grande movimento de veículos e passageiros, polui o ambiente e os jardins na frente do Museu.

Inconformada com a lentidão na solução dos problemas, a presidente da Associação de Amigos do MARP (AAMARP), Heloisa Junqueira, cobra uma eficiência maior do poder público. “O acervo do Museu é maravilhoso e, infelizmente, não recebe a atenção que merece. Além da falta de manutenção, o ponto de ônibus é, sem dúvida, um dos maiores problemas”, reforça. Heloisa lembra que a própria Instituição ajuda na manutenção do prédio e na realização de alguns eventos com recursos provenientes da mensalidade paga pelos 275 associados.

De acordo com o diretor do Museu, Nilton Campos, a retirada do ponto de ônibus é um pedido feito há dez anos que ainda não foi atendido. “A situação só não é pior porque nossos funcionários mantêm o local limpo. Além disso, a Prefeitura tem realizado a manutenção periódica do jardim”, explica Nilton.

A Prefeitura, por meio da Secretaria da Cultura, já oficializou junto à Transerp um pedido para a retirada do ponto de ônibus. No entanto, segundo a secretária Adriana Silva, a empresa alegou que transferir a parada do transporte público para outros quarteirões nas proximidades causaria um congestionamento maior. “Entendo o ponto de vista dos técnicos do trânsito, mas estamos trabalhando em uma legislação de proteção do patrimônio que proíba instalação de orelhão, ponto de ônibus, lombada e bancas na frente de bens tombados. Estes espaços são verdadeiros cartões postais e precisam de soberania visual”, enfatiza a secretária.

José Mauro de Araújo, diretor de Transporte da Transerp, explica que as 21 linhas que passavam pela Praça Carlos Gomes são distribuídas em dois pontos de parada, um deles situado à rua Barão do Amazonas e o outro, à rua Duque de Caxias. Segundo o diretor, não há, no momento, outro local em condições propícias para a criação de um novo ponto de parada para remanejamento das referidas linhas sem comprometer as condições de fluidez da região.

Em relação à mudança no sistema de climatização dos ambientes e à reforma do prédio, Nilton destaca que um levantamento de custos está sendo feito para ser apresentado ao executivo municipal. O diretor lembra, ainda, que o espaço destinado à reserva técnica, onde fica a maior parte do acervo, não é climatizado, representando grande risco de deterioração das peças.

Ponto de referência para a realização de exposições em parceria com a Pinacoteca do Estado de São Paulo e com o Sistema Estadual de Museus (Sisem), Nilton teme que o Museu possa perder espaço para outras instituições do Estado e deixar de receber importantes mostras culturais.

Segundo a secretária da Cultura, a Prefeitura já concorreu a um edital do BNDES em busca de subsídios para a reforma, mas não foi contemplada. Agora, busca recursos junto ao governo federal e à iniciativa privada. Para viabilizar a captação de recursos, a ideia é estabelecer parceria com agentes culturais especializados. A restauração do prédio, a valorização da fachada e a qualificação do espaço interno, segundo Adriana, fazem parte do projeto de revitalização do Centro Histórico. “Reuniões estão sendo feitas e aguardamos os resultados. Estamos prevendo recursos para o MARP na proposta de criação do Roteiro do Café”, frisa.

A secretária também enviou dois ofícios à diretoria da Telefônica ainda sem retorno: um pedindo a doação definitiva do prédio e outro, estabelecendo contrato de comodato. Em nota oficial à Revide, a Telefônica informou que o imóvel ocupado pelo Museu de Arte de Ribeirão Preto é de propriedade da Telecomunicações de São Paulo S.A. (Telesp), empresa do Grupo Telefônica, que cedeu o prédio à Prefeitura em regime de comodato, de 19/05/2006 a 18/05/2011. Segundo a assessoria de imprensa, o pedido de extensão do prazo se encontra sob análise da companhia.

Compartilhar: