Peça sobre Rita Lee virá a Ribeirão

Peça sobre Rita Lee virá a Ribeirão

Diretor de musical inspirado em livro de ribeirãopretano garante espetáculo na cidade

Já sucesso de crítica e de público, o musical “Rita Lee mora ao lado”, que estreou há uma semana no Teatro das Artes em São Paulo, virá a Ribeirão Preto ainda neste ano, segundo o diretor e produtor da peça, Márcio Macena. O diretor ainda revelou os detalhes da peça, que tem como principal estrela a atriz Mel Lisboa. Quem assistiu ou ouviu falar do musical, nem deve imaginar que a peça é baseada em uma biografia escrita pelo músico ribeirãopretano Henrique Bartsch, morto em 2011.

Fundador e integrante do Grupo Nós, Henrique era apaixonado pelo grupo Os Mutantes. Tamanha admiração ao grupo, sobretudo à cantora Rita Lee, a qual se tornou sua amiga no final da década de 1990, após contatos pela internet.

Foi a partir dos e-mails trocados com a cantora, que contava passagens de sua vida, que Bartsch montou uma biografia cômica, lançada em 2006, que mistura fatos reais e fictícios, contada pela visão da vizinha fictícia Bárbara Farniente. Vizinha de infância de Rita, Bárbara conta detalhes da vida da cantora, da qual é praticamente uma sombra.

Márcio Macena contou que queria produzir o primeiro musical brasileiro. Acostumado a assistir adaptações de textos estrangeiros, sobretudo os da Broadway, o expectador brasileiro pouco via produções genuinamente nacionais nos palcos.

De acordo com ele, há cinco anos então, produzir um musical brasileiro era loucura nos meios teatrais.  Fã de Rita Lee, Márcio Macena viu no ídolo uma ótima história para contar em um musical. Pediu então à sua assistente para que procurasse uma biografia sobre a cantora e uma semana depois, ela levou o livro de Bartsch para o diretor conhecer.

Márcio conta que ficou apaixonado pelo texto e o modo de abordagem que Bartsch deu à biografia. “Fiquei maluco com o livro. Entrei em contato com a editora e me passaram o e-mail do Henrique. Entrei em contato com ele e ele me chamou de doido por querer fazer um musical”, contou rindo.

As trocas do correio eletrônico evoluíram para um encontro. Henrique foi a São Paulo conhecer pessoalmente Márcio e os dois ficaram amigos “na hora”.

A biografia mistura realidade e ficção. Márcio conta que talvez fosse isso que o encantou pela obra. “O que é realidade e o que é ficção só o Henrique saberia dizer. Isso nem a Rita Lee saberia.”, brincou.

Os planos iam vento em popa, mas sofreu uma interrupção com a morte de Henrique, em 2011. O diretor chegou a desistir do projeto, porém teve o apoio da família de Henrique, sobretudo o filho Caetano, para tocar o barco. Rita Lee, que adorava o livro do Henrique, também deu a benção e apoio ao projeto.

A peça não é nem teatral, nem musical, na opinião do criador que prefere classifica-la como “teatro com show de rock”. Além da história de Rita, a peça retrata toda realidade social e política da época em que está inserida e traz a cena personagens conhecidos, como Caetano Veloso, Gilberto Gil, que encantam o público tamanho grau de caracterização.

Ao convidar Mel Lisboa, sua amiga, para viver o papel de Rita, Márcio foi chamado pela segunda vez de louco. O diretor conta que achava que a TV era pouco para o talento de Mel, que chegou abandonar uma novela na TV Record para abraçar o projeto musical. “A Mel é minha amiga há anos. Sempre achei que a TV não dava conta do talento dela”, afirmou.

Há uma semana em cartaz, Márcio não viu cadeiras vazias nas apresentações no Teatro das Artes, no Shopping Eldorado. O sucesso de público — e de crítica — superou as melhores expectativas do diretor e o musical tende a seguir a tendência natural de sair em turnê pelo País.

Rio de Janeiro e Florianópolis já estão quase fechados para receber o espetáculo e Márcio fez questão de dizer que o trará para Ribeirão Preto, terra de Henrique Bartsch.

“Já conversei com a Débora (Dubois, diretora do espetáculo) e já estamos em contato com pessoas da cidade para levar a peça”, contou. Quanto à data, Márcio disse que tem grandes chances de ser ainda neste ano. “Nosso compromisso com o Teatro (das Artes) vai até agosto. Depois disso, vamos sair em turnê”.

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Texto: Brunno Vogah (Colaborador)
Fotos: Divulgação

 

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