Pegada hídrica
Na pecuária, o manejo hídrico é um dos principais gargalos
Para identificar qual o volume de água utilizado para garantir determinada produção, criou-se, em 2002, o conceito da pegada hídrica. Conhecer esse valor pode evitar o desperdício e melhorar a gestão do líquido em todos os segmentos. Na pecuária, o manejo hídrico é um dos principais gargalos. Hoje, a média global para produção de um quilo de carne bovina é de 15,5 mil litros de água. Segundo o pesquisador Julio Palhares, da Embrapa Pecuária Sudeste, de São Carlos, as propriedades rurais ainda não têm controle significativo da água captada e consumida.
A pegada hídrica da carne, por exemplo, leva em consideração desde a quantidade consumida na produção do alimento do animal até a quantidade utilizada no abate. Para isso, o cálculo, que envolve a Embrapa e parceiros, considera os sistemas de produção de carne em confinamento e de leite a pasto. O resultado pode levar a práticas e tecnologias capazes de reduzir esse volume e, assim, melhorar a eficiência do uso da água.
O produtor de leite orgânico Ricardo José Schiavinato, de Serra Negra, adotou a irrigação noturna e a reutilização da água. Agora, reserva a quantidade utilizada na lavagem do laticínio e da ordenha para adubar as pastagens. Para medir o consumo na propriedade e conhecer o custo da água, Júlio recomenda a instalação de hidrômetros. “O resultado é a redução da pegada hídrica, essencial para uma produção animal mais sustentável e economicamente viável”, conclui Julio.
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Rose Rubini