Pela melhor educação
Parcerias e contribuições entre setores públicos e privados podem nos fazer avançar
Em 2019, Ribeirão Preto registrou 74.669 matrículas no Ensino Fundamental, sendo 50.669 alunos das redes municipal e estadual e 24 mil matriculados em escolas particulares.
Contudo, o início do ano letivo de 2020 para esses quase 75 mil estudantes, repletos de expectativas, logo se revelou um grande desafio. A pandemia do novo coronavírus obrigou uma mudança de rota: com as aulas presenciais suspensas em março, o ensino a distância, por meio de ferramentas digitais, transformou-se no principal responsável pela manutenção das atividades escolares.
Mas não foi só a versatilidade de muitas escolas que ganhou espaço nesse período. Constatou-se, também, um vasto abismo entre as instituições de ensino públicas e privadas com relação às possibilidades de aprendizado remoto. A manifesta desigualdade social brasileira ficou ainda mais evidente quando avaliada do ponto de vista da educação, especialmente no cenário pandêmico.
Estudantes de baixa renda, sem acesso à internet, não conseguem acompanhar o conteúdo disponibilizado, a despeito da mobilização do Estado de São Paulo para a criação de um aplicativo que permita a interação entre alunos e professores. Enquanto isso, escolas particulares já habituadas com mecanismos tecnológicos propõem com maior tranquilidade as atividades on-line e ao vivo. E as diferenças se aprofundam.
A defasagem do ensino público em relação ao privado não pode ser o lastro do desenvolvimento da educação no nosso país. Ao contrário: é necessário que as instituições particulares também se mobilizem para contribuir com o estreitamento dessas diferenças.
Acredito que o momento seja propício para que os governantes avaliem, ainda mais intensamente, essa lacuna existente e que se empenhem em desenvolver o ensino público ao invés de retroceder a evolução educacional em nosso país.
Um de meus mais sólidos princípios, desde 1963, com a fundação do Grupo SEB, é o oferecimento de um ensino de qualidade para diferentes faixas etárias e a contribuição social à medida que consigo retribuir a Ribeirão Preto, e ao país, tudo o que construí nesses mais de 50 anos.
Foi esse pensamento que sustentou a criação do Instituto SEB, por meio do qual oferecemos preparação pré-vestibular para jovens de famílias com renda de até quatro salários mínimos, e é também a convicção na contribuição social que nos move durante essa pandemia: oferecemos cursos de extensão e capacitação para pais de alunos.
Não tenho dúvidas: são parcerias e contribuições conjuntas, entre setores públicos e privados, que podem nos fazer avançar. Tanto acredito nisso, que firmamos uma parceria do Instituto SEB com a Secretaria de Estado da Educação para oferecer um curso preparatório para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) a mais de 400 mil alunos da rede pública de São Paulo. As aulas, que acontecem aos sábados com transmissão pela TV Cultura e pelo aplicativo do Centro de Mídias do Estado, tiveram início em 23 de maio e seguem até as vésperas da prova. Nossa proposta é elevar o número de aprovações da rede pública tanto em quantidade, quanto em qualidade.
Esse projeto tem sido emblemático: mostrou como é possível unir esforços para evoluirmos em conjunto. Temos grandes e empenhados profissionais na educação em nosso país e é a partir do empenho conjunto que vamos superar todos os desafios — a pandemia da Covid-19 e os efeitos que ela traz.