Perigo evidente na água
Acidentes envolvendo moto aquática apontam falta de fiscalização
Acidentes fatais envolvendo moto aquática têm chocado a população e são bastante comuns, principalmente no verão. Em fevereiro, durante o carnaval, na cidade de Bertioga - litoral paulista - Grazielly Lames, de três anos de idade, perdeu a vida após ser atingida por uma moto aquática. A imprudência por parte dos donos e dos condutores é a principal causa desses acidentes. No caso da garotinha Grazielly, um adolescente de 13 anos conduzia a embarcação próximo aos banhistas, desobedecendo a orientação aos condutores de manter qualquer tipo de veículo náutico a 200 metros da praia.
Outro acidente, envolvendo Jet ski aconteceu no último dia 26, em Ribeirão Pires. Nesse caso, Antonio Edvan Moreira de Carvalho, de 40 anos, rebocava um bote com uma moto aquática onde estavam seu filho, Mitchill Guilherme Pereira de Carvalho, de 9 anos e seu sobrinho de 14 anos. Mitchill morreu após o bote se chocar contra a pilastra da ponte do Rio Billings.
Valdir Donizeti Zagui, que trabalha como vendedor em um despachante naval, diz que faltam conhecimentos básicos de navegação em ambos os casos. “Em hipótese alguma esse tipo de embarcação deve ser usado para rebocar outra embarcação e, no caso do ‘atropelamento’ da garotinha no litoral paulista, está é uma infração grave, pois qualquer um que tenha feito o curso de Arrais amador sabe que nenhuma embarcação deve chegar a 200 metros da praia”, afirma.
A Arrais é uma habilitação para veículos náuticos disponibilizada pela Capitania dos Portos divididas em três categorias:
- O Arrais-Amador está apto para conduzir embarcações, nos limites da navegação interior (idade mínima 18 anos);
- O Mestre-Amador está apto para conduzir embarcações entre portos nacionais e estrangeiros, nos limites da navegação costeira;
- O Capitão-Amador está apto para conduzir embarcações entre portos nacionais e estrangeiros, sem limites de afastamento da costa.
“O curso de Arrais amador é indispensável para a condução deste tipo de embarcação, mas ele não ensina o aluno a pilotar”, revela Valdir, que acredita que não ensinar ao aluno aulas práticas de pilotagem é um erro da Arrais amador. “Durante o curso, o aluno deve ler uma apostila que fala sobre o RIPEAM, que são as regras internacionais para evitar abalroamento no mar. O aluno também estuda sobre balizamento, manobra, combate a incêndio, primeiro socorros, sobrevivencia e segurança no meio marinho”, explica. Mas tudo na teoria.
Durante o curso, que consiste da leitura de uma apostila com centenas de perguntas e respostas, o aluno aprende sobre o RLESTA (regulamento da lei de segurança do tráfego aquaviário) e normas básicas de segurança para atividade náutica de esporte e recreação. “A prova é simples. São 40 questões e, se o aluno acertar 20 está aprovado e apto a conduzir a moto aquática, por exemplo. Mas, isso não lhe dá o direito de emprestar uma moto aquática para um menor”, conclui.Dados da Capitania dos Portos de São Paulo apontam que neste verão o número de moto aquáticas atingiu a marca de 27 para cada quilômetro de costa. Hoje são mais de 16 mil no Estado de São Paulo.
Em Ribeirão Preto
Em novembro de 2011, o comerciante Pietro Mazzeo, de 28 anos, morreu após uma colisão entre duas moto aquáticas em uma lagoa próxima ao Recreio Internacional. Segundo amigos e familiares da vítima, Pedro Mazzeo foi atropelado por outro Jet ski que estaria sendo conduzido por uma criança, que levava uma mulher como passageira.
A lagoa onde aconteceu o acidente, próxima à entrada do Recreio Internacional, está interditada para uso náutico, embora Ribeirão Preto não tenha, hoje, um orgão que fiscalize as irregularidades em lagos e represas da cidade.
Segundo o corpo de bombeiros e a polícia militar e ambiental, esse tipo de fiscalização não é de responsabilidade desses orgãos e sim da marinha. No entanto, o comando da marinha mais próximo de Ribeirão Preto fica em Barra Bonita, a 179 Km.
A redação do portal da Revide entrou em contato com o Comando da Marinha em Barra Bonita, mas não obteve retorno sobre a responsabilidade de fiscalização e interdição de lagos e represas da cidade.
Revide On-line
Texto: Bruno Silva
Fotos: Divulgação