Planejamento integrado

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Falta de programas de eduacação ambiental e de infraestrutura agravam o problema do lixo em Ribeirão Preto

A cada ano, a população de Ribeirão Preto aumenta e, com isso, um dos principais problemas estruturais registrados na cidade, o lixo, é potencializado. Dados da Divisão de Limpeza Pública do município comprovam que a produção de resíduos domiciliares está crescendo de forma significativa. Em 1990, foram coletadas 106.029,47 toneladas. Em 2000, esse número passou para 143.966,25 e, no ano passado, o registro chegou a 180.683,45 toneladas, ou seja, uma média de 600 toneladas por dia. Desse total, apenas 1.244,41 toneladas são destinadas à reciclagem, aproximadamente 1%. “Grande parte das pessoas é exageradamente geradora de lixo. Tudo hoje é descartável e, assim, o desperdício fica enorme. O primeiro passo em busca de uma solução é reduzir esse montante de forma consciente e separar o orgânico do reciclável. Nesse contexto, a educação ambiental é fundamental”, explica o gerente da CETESB, Marco Artuzo.

Para atingir resultados, a população precisa se comprometer com a causa e torná-la uma prioridade. Obter o engajamento necessário não é tarefa fácil. Para Artuzo, a administração pública deve investir em campanhas permanentes e dar sustentação a toda e qualquer iniciativa que busque um reposicionamento diante do problema. Atualmente, algumas ações ajudam, mas sempre de forma pontual, segmentada. É preciso elaborar um plano de gestão de resíduos completo, onde todos se envolvam e colaborem dia a dia. Caso contrário, o cidadão que está com o lixo em casa vai querer descartá-lo e há grande probabilidade dele fazer isso em locais inadequados, causando diversos riscos aos outros e a si mesmo, como a intensificação das enchentes e a propagação de doenças.

Além de orientação, uma infraestrutura adequada é fundamental. Segundo Marilene do Nascimento Falsarella, chefe da Divisão de Limpeza Pública, Ribeirão Preto conta hoje com um sistema eficaz de coleta de resíduos domiciliares. O serviço é feito em 100% do município, três vezes por semana nos bairros em dias intercalados. Na área central e nas avenidas onde há muita atividade comercial, a coleta acontece diariamente. O trabalho, executado através de uma empresa terceirizada, a Leão Ambiental, é realizado nos períodos diurno e noturno, por 18 caminhões compactadores com um motorista e quatro coletores em cada veículo. No programa atual, elaborado pela Coordenadoria de Limpeza Urbana do Município, a estrutura disponível supre a demanda de coleta geral.

Agora, quanto ao recolhimento de material reciclável, o sistema ainda deixa a desejar, aponta Luiz Carlos Pacola, diretor-presidente da Leão Ambiental. A maioria dos bairros não faz parte desse projeto. “A coleta seletiva é realizada de acordo com o contrato, respeitando-se as limitações do valor a ser gasto, que limita a abrangência da coleta e o volume do material coletado”, destaca. Mesmo nos locais onde a triagem é feita, parte da população não separa os resíduos corretamente. “Isso prejudica ainda mais o resultado final”, conclui Pacola. É preciso, ainda, fomentar o trabalho de cooperativas especializadas no reaproveitamento de materiais para que o ciclo fique completo.

Outro aspecto que deve ser levado em conta é a destinação final do lixo. Desde 2009, Ribeirão Preto utiliza um aterro sanitário privado,  licenciado em Guatapará, desde que o Aterro Sanitário Municipal atingiu a capacidade máxima e teve as atividades encerradas. O local é considerado referência no setor, tendo obtido avaliação máxima da CETESB. “Hoje é, sem dúvida, a melhor opção disponível para descarte correto do lixo. Entretanto, o ideal seria maximizar a reciclagem e deixar para o aterro o mínimo de resíduos. Porém, infelizmente, não é o que acontece”, comenta Pacola.

Mesmo com um aterro funcionando de forma correta, Artuzo ressalta que já é hora de pensar em mais alternativas e investir em outras formas de descarte. “Não podemos ficar presos a uma solução. Porém, antes de qualquer mudança, uma análise ambiental rigorosa se faz necessária. Outros países já trabalham com sistemas diferenciados. A Alemanha utiliza incineradores que ainda produzem energia. Mas temos que checar se as novas tecnologias são viáveis para nossa realidade econômica e social. Caso o contrário, podemos criar mais riscos”, indica.  

Tentando solucionar o empasse, a administração municipal lançou um projeto que visa ao estabelecimento de um programa integrado de limpeza urbana através de uma Parceria Público Privada (PPP) para realização dos investimentos necessários à manutenção de um sistema de limpeza eficiente e que incentive o reaproveitamento dos resíduos. A iniciativa é considerada boa, tendo sido bem-sucedida em algumas cidades. “Veremos se esse conceito se tornará concreto e efetivo”, finaliza Pacola.

Texto: Paula Zuliani

                                            

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