Plante árvores
Segundo presidente da ONG área com menor índice de áreas verdes é a região central da cidade
A Associação Cultural e Ecológica Pau Brasil, visando uma melhora na arborização urbana de Ribeirão Preto, realiza a mobilização social “Tá com calor? Plante árvores”. O manifesto, segundo seus organizadores, pretende reforçar as ações referentes às leis de política de arborização e o código municipal de meio ambiente. Unindo forças com os orgãos públicos para criar uma equipe que realize e estimule o plantio de árvores pela população.
A Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU) recomenda que cidades de porte médio e grande tenham no mínimo 15 m² para cada habitante de áreas verdes públicas, ou seja, espaços públicos dotados de vegetação com função de lazer. Ribeirão Preto tem, atualmente, 5,5 m² por habitante, conforme atualização feita em 2009. “As árvores que são plantadas nas ruas e avenidas, que são consideradas de arborização urbana, não contam nesse índice que é calculado pela soma das áreas dos parques e praças dividido pelo número de habitantes. Este índice é referente às áreas verdes que a população pode realmente usufruir como lazer. E a nossa cidade é extremamente carente de grandes parques urbanos”, explica Manoel Tavares, engenheiro agrônomo e presidente da ONG Pau Brasil.
Manoel acredita que para melhorar o índice atual e garantir que as áreas verdes sejam implantadas, será necessário um forte planejamento urbano. “Muitos parques só existem no papel”, completa.
Melhorias
Estudos revelam que uma cidade com alto índice de arborização urbana têm diversas melhorias em seu cotidiano. Municípios como Londrina, Curtiba, Porto Alegre, Piracicaba, Araraquara, segundo Manoel Tavares, são exemplos do sucesso da elaboração de um projeto de arborização.
“Se não houver planejamento para implantação das áreas verdes, a qualidade de vida da cidade estará cada vez mais comprometida, já que as cidades no mundo com maior índice de áreas verdes são as que têm uma população mais saudável, menos estressada e ainda apresentam menor índice de violência urbana”, aponta Tavares.
O presidente da ONG cita a região central de Ribeirão Preto como a parte mais crítica da cidade no quesito escassez de áreas verdes. “Encontramos muitas ruas que não têm sequer uma árvore”, conclui.
Mobilização
O lançamento da campanha “Tá com calor? Plante árvores” será neste neste dia 29 de novembro, às 20 horas na sede da Associação Cultural e Ecológica Pau Brasil, localizada na rua José Bonifácio, 59. Para mais informações, ligue: 3610 8679
Dicas
Para quem pretende promover a arborização, confira algumas dicas do ecólogo, mestre em geociências e professor de ecologia Perci Guzzo.
- Para quem deseja promover a arborização, por conta própria, existe alguma espécie específica para ser plantada? Quais você indicaria?
Perci: Qualquer pessoa que queira contribuir com o plantio de árvores deve primeiramente planejar o seu plantio, levando em consideração o espaço disponível para ter árvores - subterrâneo e aéreo (raízes e copa). Em função do espaço disponível e em função do que se quer obter como resultado da arborização, por exemplo: sombreamento, obtenção de frutas, atração de pássaros, isolamento visual e acústico, etc, é que se definem as espécies que serão plantadas. A população pode contribuir com plantio nos quintais e nas calçadas. Especificamente nas calçadas, há uma série de observações a serem feitas para que o plantio seja adequado, pois a árvore compartilhará espaço com fios, postes, placas, guias rebaixadas, encanamentos etc. Para isso nós orientamos que seja feita consulta no site da Prefeitura Municipal | www.ribeiraopreto.sp.gov.br/smambiente/p-varborizar/manual.pdf . Neste link, que traz o Manual de Arborização de Ribeirão Preto, é possivel visualizar uma listagem extensa de espécies indicadas para a arborização urbana. Muitas espécies estão adaptadas às condições naturais do município, sobretudo espécies nativas de mata e de cerrado. No entanto, no contexto urbano, algumas exóticas também cumprem as funções de melhorar o ambiente e diversificar a paisagem.
- Então, para que a arborização seja feita corretamente, um estudo é mesmo necessário?
Perci: Sim, é necessário planejar o seu plantio. Por exemplo, em áreas verdes públicas, não pode ocorrer o plantio sem a anuência e a parceria com a prefeitura municipal, pois esses logradouros são gerenciados pelo poder público. Além disso, adquirir um boa muda, abrir uma boa cova, conseguir um bom tutor e escolher uma espécie adequada, são ações que antecipam um plantio exitoso.
- As pessoas pensam em plantar (arborizar), mas não devem se esquecer da preservação das espécies que já estão plantadas. Qual a melhor ação para a preservação e manutenção dessas espécies?
Perci: Muito bom! Cuidar e valorizar as árvores que já temos na cidade é o maior desafio que temos pela frente. Muito maior do que o desafio de plantar. Há um certo descaso com o patrimônio vegetal, sobretudo as árvores, que existem em Ribeirão Preto. Esse olhar descuidado, que não valoriza o que se tem, resulta em muitas extrações de árvores. O manejo adequado das árvores adultas requer conhecimento técnico e recursos públicos e privados. Afinal, cuidar de pragas, doenças, podas e melhorias nas condições de solo, são ações que ultrapassam a responsabilidade do cidadão comum. Estejam em espaços públicos ou em espaços privados, as árvores existentes constituem um bem de interesse coletivo, assim como o ar, a água, os animais e seus ninhos.
Algumas espécies
O engenheiro agrônomo Manoel Tavares, presidente da Associação Cultural e Ecológica Pau Brasil, aponta algumas espécies de árvores adequadas para o plantio.
Pequeno porte: As árvores de pequeno porte tem altura na fase adulta entre 4 e 5 metros e o raio de copa fica em torno de 2 a 3 metros. São espécies apropriadas para calçadas estreitas (2,5m), presença de fiação aérea e ausência de recuo predial. Murta, Ipê-de-jardim, Flamboianzinho, Manacá-de-jardim, Hibisco, Resedá-anão, Grevílea-anã, Cássia-macrantera, Rabo-de-cotia, Urucum, Espirradeira, Calistemon, Algodão-da-praia, Chapéu-de-Napoleão e outras.
Médio porte: As árvores de médio porte, apresentam uma altura na fase adulta entre 5 a 8 metros e o raio de copa que varia em torno de 4 a 5 metros. São apropriadas para calçadas largas (2,5m), ausência de fiação aérea e presença de recuo predial. São Aroeira-salsa, Quaresmeira, Ipê-amarelo-do-cerrado, Pata-de-vaca, Astrapéia, Cássia imperial, Resedá-gigante, Magnólia amarela, Eritrina, Ligustro, Sabão-de-soldado, Canelinha e outras.
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Texto: Bruno Silva
Fotos: Divulgação