Pluralidade Cultural

Pluralidade Cultural

Espaço surgiu da ideia de um grupo de amigos, há seis anos

Seguindo na contramão dos circuitos de bares sertanejos e “baladas” rave de Ribeirão Preto, o Espaço A Coisa se tornou um local de concentração de todo tipo de arte, desde música até apresentações teatrais e vernissages.

O espaço surgiu e tomou forma no underground ribeirãopretano e desde 2006, ano em que foi idealizado, atrai cada vez mais frequentadores.

Lucas Arantes, um dos fundadores do espaço, conta que a ideia surgiu da ânsia de um grupo de jovens universitários, do qual ele fazia parte, por infinidades artísticas. “Tudo parecia diversão, mas aos poucos foi tomando rumos cada vez mais sérios e se consolidando como um projeto e objetivo de vida de cada um dos membros”, conta Lucas.

O grupo que iniciou o projeto do Espaço era formado por João Luiz, Ícaro Sarantopoulos, Callil João e Lucas Arantes. Do grupo de idealizadores, sobraram apenas os dois últimos, que se juntaram a atriz Maria Angélica.

“Atualmente preferimos dizer que somos uma família, aqui somos todos amigos de longa data e frequentamos a casa um do outro. Sem esse trabalho coletivo o espaço jamais existiria. Ele surgiu justamente desse trabalho coletivo que está em construção permanente”, conta Maria Angélica.

Com o passar dos anos, o Espaço A Coisa foi ganhando cada vez mais notoriedade, e em 2010, seguindo a ideia sugerida pelo músico ribeirãopretano Bruno Barbosa, passou a realizar o “Jazz na Coisa”, com o Quarteto Pó de Café. O evento conquistou o público e fez sucesso, até então improvável até para os organizadores. “Não imaginávamos que seria tão bem aceito pelo público. Antes, em Ribeirão Preto, o Jazz era tido como um ‘bicho de sete cabeças’ e hoje já virou mania”, aponta Lucas.

Seguindo a linha de pluralidade cultural, o Espaço A Coisa, nesse ano, inaugurou o Instituto A Coisa. O Instituto oferece cursos livres de capacitação artística nas áreas de escrita criativa, artes visuais e artes corporais. “Hoje, o grande objetivo do espaço, com o Instituto, é formar um grande centro livre de formação artística e cultural na cidade, e não somente de exibição de atividades. Mas estruturar uma escola de artes integrada com vários ramos do conhecimento, formando artistas”, ressalta Lucas.

No ano de seu lançamento, o Instituto A Coisa já disponibiliza os cursos de dramaturgia, literatura infantil, contos, roteiro para curta metragem, poesia, teatro (interpretação), básico de fotografia, fotojornalismo e figura humana.

Lucas Arantes é formado em Jornalismo, Psicanálise e escreve peças teatrais para diversos grupos de teatro, além de ministrar o curso de dramaturgia no Instituto. Os outros dois sócios do Espaço A Coisa se dedicam às atividades de estudo e aprofundamento pertinentes às áreas de interesse de cada um. Callil João é formado em arquitetura e urbanismo, atualmente mestrando em engenharia urbana e pós graduando em psicanálise. Maria Angélica é atriz e formada em Letras.

Independência financeira
Com todas as realizações e projetos, o Espaço consegue se manter sem a ajuda de verbas públicas ou de grandes empresas. E, perguntado sobre o motivo, Calil João é bem categórico. “Tem uma citação bíblica que diz: ‘quem não é contra nós, é por nós’. Claro que um auxílio das leis de incentivo seria bem vindo, mas o importante é que o projeto como um todo nunca dependa dessa contemplação”, afirma.

Ampla musicalidade
O Espaço A Coisa apresenta uma ampla diversidade musical com os eventos “Jazz na Coisa”, “Turma do Groove” e “Blues na Coisa”, dando sempre oportunidade para artistas da cidade e da região. “Damos sempre preferência às manifestações artísticas mais peculiares, pouco ofertadas na cidade. Não que isso seja uma regra, mas é um eixo de ação, e está em constante mutação. Um exemplo disso são as noites de sexta-feira, sempre com apresentações de jazz, groove e tango. Dificilmente encontramos esse tipo de evento nos fins de semana”, explica Lucas.

No Espaço também são realizados sarais literários nas madrugadas de sábado e apresentações cênicas com uma proposta diferente: as peças são apresentadas na altura da platéia, segundo Lucas, com caráter mais intimidador.

O Espaço funciona de segunda a sexta, das 14h às 18h, além das atividades de música, dança, teatro, literatura, exibição de filme, palestras, atividades de formação com os cursos do Instituto A Coisa e outras atividades, disponíveis mensalmente no site.

“Nossos projetos não param, e parece que nascem mais a cada dia. A principal questão é ter pernas para realizá-los. Estamos em constante reforma, sempre adequando o espaço e querendo ampliar também as propostas. Quem é frequentador antigo do lugar, sabe o quanto ele já mudou, e esperamos que para melhor, sempre”, finaliza Lucas.

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Texto: Bruno Silva
Fotos: Carolina Alves e Divulgação 

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