Populares e encantadores

Populares e encantadores

O protocolo de carro popular no Brasil foi assinado em 1993, um período de instabilidade da indústria automobilística

São inúmeros modelos, cores e opcionais. E o melhor de tudo: com preço facilitado e inferior às outras opções de veículos do mercado. Entre tantas opções, ficou difícil escolher um carro de mil cilindradas para comprar. Os  carros populares foram os maiores beneficiados com a queda do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) anunciada pelo governo neste ano. A procura por esses veículos foi tão grande que muitos clientes enfrentaram filas de espera nas concessionárias. 

Entre os modelos, é possível encontrar veículos básicos, sem ar e direção hidráulica por R$ 21.240,00 e até modelos completos por R$ 29.068,00. De acordo com Roseli Lemos Torres, supervisora de vendas da Itacuã, o tradicional Gol 1.0 ainda continua sendo o “queridinho dos populares”. Em nova versão, o modelo traz motorização atualizada, com a tecnologia TEC que proporciona economia de até 4% de combustível. “Para o tradicional Gol, fabricado no Brasil, existe uma fila de espera de aproximadamente 30 dias. Com a redução do IPI, tivemos um aumento de vendas de 60%, um número bastante alto”, explica Roseli.

A supervisora acredita que o sucesso do modelo ocorre devido à credibilidade da marca, valor de mercado competitivo e facilidade de vendas. Além disso, Roseli destaca o menor custo de manutenção do  Gol.

No mesmo segmento, o Uno, primeiro veiculo a ser lançado dentro dos padrões “Carros Populares”, ainda é um dos mais vendidos da Fiat. A montadora re-inventou o modelo e trouxe para o mercado o Novo Uno, que além de econômico, veio com ar arrojado, design inovador e valor acessível. Conforme conta Evandro Reis, gerente de vendas da Atri Fiat, a procura é alta. “Todas as versões são bem aceitas pelo mercado, alcançando inúmeros prêmios, entre eles “Carro do Ano”, “Melhor Carro Imprensa Automotiva”, “Melhor Carro Popular” e “Melhor Carro Nacional” pela Associação Brasileira de Imprensa Automotiva (Abiauto). O modelo também recebeu mais dois prêmios pelo Top Car TV, “Melhor Carro até 1.000cc” e “Melhor Carro de 1.000 a 1.599cc”, complementa o gerente de vendas, destacando que o produto é 100% brasileiro, fabricado em Betim, Minas Gerais.

O perfil da maioria dos clientes dos carros populares são pessoas que adquirem o primeiro veículo e procuram economia e autonomia para uso na cidade.  Os carros desses modelos foram repaginados e, atualmente, contam com uma variação imensa de modelos e de opcionais, atendendo diferentes faixas etárias e públicos, pois trazem novos acessórios de série, com conforto, segurança e preço mais em conta.

O início dos populares
O protocolo do carro popular no Brasil foi assinado em 1993, período de instabilidade da indústria automobilística, durante o governo de Itamar Franco com o IPI simbólico de 0,1% para estimular as vendas. Naquela época, eram equipados com motor 1000cc e sem acessórios. Apesar do acordo que previa a permanência no mercado até 1996, o programa foi abreviado em 1995, quando o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso elevou o IPI para 7%. Com a recuperação do mercado e o crescimento das vendas, o modelo recebeu acessórios como um propulsor turbo, que desenvolvia mais de 100 CV de potência.

O primeiro veículo a ser lançado foi o Fiat Uno Mille, em 1990. Depois foram lançados o Volkswagen Gol 1000, Mille Eletronic, Chevrolet Chevette Júnior, Ford Escort Hobby 1.6 e 1000. A Kombi surgiu no segmento junto com o Fusca em 1993. 

Texto: Mariana Secaf
Fotos: Ibraim Leão 

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