Por melhorias
Teatro já passou por algumas mudanças. Mas produtores culturais e alguns grupos ainda reinvidicam
Inaugurado no final da década de 1960 — mais precisamente em 1969—, o Teatro Municipal de Ribeirão Preto, localizado na Praça Alto do São Bento, tem o desafio de competir com vários outros teatros da cidade e, segundo o produtor cultural Antônio Veiga, essa disputa torna-se desfavorável em alguns pontos. Veiga acredita que, numa sociedade em que as pessoas buscam mais praticidade e comodidade, um teatro com a estrutura do Municipal, que ainda não tem uma bilheteria informatizada, é inadmissível e “arcaico”. “O Municipal não tem bilheteria que, a meu ver, é a alma de um teatro. E também não tem um bilheteiro”, comenta o produtor.
A diretora do Teatro, Mara Cabral, aponta várias melhorias feitas desde 2009. “Até aquele ano, o Teatro estava sendo usado como depósito e moradia para vários tipos de animais. Limpamos todo o espaço, retiramos entulhos, reformamos a parte elétrica e a rede hidráulica. Mas essas ações são internas, imperceptíveis aos olhos”, explica.Com relação às reivindicações feitas por alguns produtores sobre a informatização da bilheteria, a diretora afirma que novos orçamentos estão em andamento. “Os orçamentos que fizemos têm mais de seis meses. Com a expectativa de verba para algumas reformas, estamos novamente contatando empresas do ramo para atualizarmos as contas e revermos a possibilidade da informatização da bilheteria”, acrescenta.
O produtor cultural Jader Desinde , que produz a peça “Nina - um show nadaver”, que acontece no teatro neste final de semana, acredita que dois pontos principais diferenciam o Theatro Pedro II do Municipal. Na opinião do produtor, a bilheteria informatizada no Pedro II e o estacionamento contam pontos a favor do espaço no Centro. “Com a bilheteria, informatizada o público consegue visualizar, no mapa do virtual, o melhor lugar e, como muitos hoje não saem com dinheiro, tem a opção de pagar no cartão. Assim fica mais fácil”, ele conta. Ainda na visão de Jader, os flanelinhas também atrapalham. “No Pedro II, esse problema não existe. Já no Municipal, os guardadores de carros até estipulam preços, o que acaba gerando um certo desconforto em quem vai assistir ao espetáculo”, argumenta.
A diretoria
A atriz Mara Cabral, que assumiu a direção do Teatro Municipal há três anos, afirma que a informatização da bilheteria requer um estudo detalhado das normativas que regem o lugar para, assim, adaptá-lo às necessidades decorrentes da rotina do teatro. “Com a implementação de um novo Decreto, os estudos e os orçamentos anteriores tornaram-se defasados, daí a necessidade de reiniciarmos todo o processo”, conta. A diretora prevê que até o dia 15 deste mês estará com os orçamentos comparativos em mãos.
Adriana Silva, secretária da Cultura, diz também que quando o orçamento para a informatização da bilheteria foi feito em 2011 não havia recursos suficientes para executá-lo.
Melhorias
Não são só reclamações que os produtores têm a apresentar. Jader Decinde confessa que o trabalho da Mara foi excepcional. “Hoje o teatro tem outra cara. A diretora cuidou da limpeza do lugar e também da coordenação dos funcionários. Além disso, houve melhora no sistema de solicitação de utilização do espaço, que antes era feito de forma desordenada e injusta, muitas vezes cedendo o lugar a pessoas que não faziam eventos culturais”, diz Veiga.
“Em 2009, a Secretaria da Cultura e eu recebemos um teatro que não tinha uma política pública. Não sei nem que nome daríamos ao sistema de agendamento disponível. Era ‘quem chegar pegou’. Geralmente isso privilegiava os grupos mais antigos e isso era totalmente injusto, pois o teatro ficava privado a alguns grupos e pessoas”, conta Mara.
Secretaria da Cultura
A secretária da Cultura Adriana Silva, que assumiu em 2009, acredita que o teatro precisa ser modernizado. As mudanças incluem informatização da bilheteria, troca dos carpetes, conserto de detalhes do telhado e troca das poltronas. “Temos R$ 100 mil aprovados para este ano pelo Conselho Regional de Participação Comunitária (Corpac). Com esta verba, iremos investir nas ações de modernização, mas não será possível realizar tudo o que é necessário”, ressalta a secretária.Desde 2010, todos os recursos da bilheteria do teatro passaram a ser revertidos para a manutenção do próprio espaço. Mas se comparado ao retorno do Theatro Pedro II, a secretária confessa que o Municipal não tem a mesma representação. “Em vários aspectos. Por exemplo, com o edital de apoio às produções locais, o espaço reservado para projetos das várias comunidades culturais, não viabiliza retorno, por isso, a manutenção do municipal fica comprometida”, avalia Adriana.
Opinião do produtor
Jader Decinde, que chega a apresentar um espetáculo por mês no Teatro Municipal, diz que a cultura é “empurrada com a barriga” e que Ribeirão Preto só se tornará um polo cultural quando os governantes perceberem que a cultura é uma maneira de tirar os jovens das ruas e atrair mais visitantes para a cidade.A macrorregião de Ribeirão Preto tem mais de 1 milhão de habitantes. “A cidade tem cerca de sete teatros, muitos centros de convenção, novos bares e restaurantes a todo momento, além de uma melhora na rede de hotelaria. Não é à toa que as pessoas investem na cidade, que tem potencial para ser inserida no circuito cultural brasileiro. Posso dizer, com toda a certeza, que o movimento teatral da nossa cidade é infinitamente maior que o de Campinas, por exemplo”, conclui.
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Texto: Bruno Silva
Fotos: Julio Sian e Arquivo Pessoal