Por uma nova dimensão de consciência

Por uma nova dimensão de consciência

A fim de encontrar um sentido por trás da rotina muitas pessoas têm despertado para uma nova consciência, em que o amor é a base de toda e qualquer relação 

Você acordou, viu as horas, deu uma espreguiçada rápida, ou nem isso, e foi logo se aprontar porque o relógio estava andando e tinha mil e uma atividades pela frente. Apesar de o trânsito não ter ajudado, o dia parecia tranquilo, até, de repente, algo desandar. Alguém disse ou fez algo e tudo ficou nublado, denso, pesado. Depois do expediente, tomou aquele banho revigorante, jantou, assistiu a algo na televisão e apagou ali mesmo no sofá ou simplesmente pôs a função “desligar” e se foi junto com a programação. Enfim, dormiu e se desconectou por algumas horas. 

Se em algum momento do dia, por um instante que seja, você parou para se colocar como um observador de si mesmo, de seus pensamentos, de suas emoções ou de suas reações, certamente já está experimentando o que, principalmente no universo holístico, é conhecido como “despertar”. Esse processo pode levar a um único caminho: sempre para dentro, cada vez mais para o interior do ser.
 
O caminhar no despertar

Diferentes pessoas, nas mais diversas profissões, em todas as classes sociais, por todo o mundo, estão sentindo o chamado para o “despertar da consciência”, um processo de reconexão com a essência que habita cada ser e que se corresponde com tudo o que existe criado de forma amorosa.

Há um movimento silencioso, mas inconteste, de pessoas deixando de comer carne, de consumir álcool e drogas, dedicando maior cuidado ao corpo e à mente, buscando a meditação e outros recursos para dar suporte à necessidade de interiorização. Desde as terapias tradicionais, passando pelas transcendentais, até os mais “inexplicáveis” processos, há sempre alguém na família ou entre os conhecidos fazendo algo para encontrar um sentido por trás da rotina, para romper com padrões sufocantes e experimentar a vida de uma forma mais plena. 

São muitas histórias narradas sobre esse assunto. Marina Nabão de Moraes, Marcelo Silveira Borges de Oliveira, Eny Xando de Abreu, Luci Holanda, Isabel Lázaro da Silva, Leandro Franco Berganton e Leandra Rezende são apenas alguns exemplos de como o “despertar”, cedo ou tarde, acaba brotando por dentro e essa consciência vai ampliando a visão que se tem da vida e transformando comportamentos.

Marcelo, aos 28 anos, sente-se mais feliz e completo como facilitador de Mindfulness do que era como empresário. Eny, aos 64 anos, finalmente se libertou da insônia e encontrou, na busca por dissolver o ego, um novo sentido para a vida. Aos 37 anos, começando uma carreira pela terceira vez, Marina opta por mergulhar com coragem na possibilidade de ser feliz, quebrando tabus, em vez de se ancorar no medo. São casos de pessoas que deixaram o senso comum para experimentar outro nível de consciência de si mesmos e da vida. Assim como o casal Leandro, que superou o isolamento social e competiu sua primeira maratona, e Leandra, que deixou a crise de pânico com renovado olhar para o cotidiano. Inquietas por natureza, a psicóloga Luci, que saiu do nordeste para virar empresária calçadista na região e a terapeuta holística Isabel, que está aprendendo sobre Inteligência Artificial, também são exemplos de pessoas que estão investindo em autoconhecimento e buscando uma experiência de vida com um propósito maior do que a sobrevivência e mais próximo da paz interior. A partir desta consciência que orienta cada passo dado no sentido de se corresponder com o mundo externo — pessoas e natureza —, surge uma forma de viver cada vez mais compreensiva, compassiva, gentil e amorosa.
 
Transição de dimensão

Este movimento de viver como um observador de si mesmo, que bem define o despertar da consciência, corresponde a um momento da história do desenvolvimento humano conhecido no universo espiritualista como a fase de transição do planeta Terra entre a terceira e a quinta dimensão. Trata-se de uma nova fase da evolução, que já pode ser facilmente identificada nas crianças que estão nascendo, que compreende a utilização ampliada e harmonizada das potencialidades do homem: racional, emocional e espiritual.

A professora e psicóloga Delma Fernandes Muniz, em seu próprio despertar, vivenciou esta transição, optando por trabalhar com Hipnose, Terapia de Vidas Passadas, Cura Quântica e Espiritual, Árvore da Vida, em vez de atuar com técnicas ortodoxas da psicologia. Para ela, a Terra está passando por um “reset mental” para o novo ciclo que está começando. “Muitos portais, que são conexões entre dimensões e universos, estão sendo abertos, possibilitando o tráfego de energias para despertar as pessoas, mexendo em nossa essência, nosso coração, ativando códigos e estruturas adormecidas e estagnadas por milênios. O tempo está acelerado e isso afeta nossos dois hemisférios cerebrais, que necessitam ser ajustados e equilibrados energeticamente para atuar na sutileza das dimensões em que estamos entrando. Gradualmente, nossa capacidade extrassensorial está se expandindo”, avalia a profissional.

“O ego, uma mente inferior que todos possuem, inibe a manifestação plena da essência”, explica Delma

Segundo a psicóloga, o ego, uma mente inferior que todos possuem, conduz a um ciclo repetitivo de culpa, cobrança, medo e sofrimento que inibe a manifestação plena da essência. Em sua trajetória pessoal, esta reconexão aconteceu quando passou a sentir seu coração e a questionar o significado de amar incondicionalmente. Tanto para ela como para Juan Guilhermo Gaviria, criador do processo Juan de La Luz, em um modo diferente de ver e viver a vida, a partir da essência, em um contínuo processo de despertar da consciência, as pessoas necessitam buscar enxergar seu verdadeiro potencial, passar a se amar mais, partindo de uma consciência individual amorosa para a coletiva, do micro para o macrocosmo, do eu para o uno. 

Basicamente, segundo Juan, são três pontos que todos necessitam ampliar em consciência para retomar sua essência: a informação trazida no DNA, para cortar cadeias geracionais que desequilibram e impedem cada um de dar seu melhor; as limitações inconscientes adquiridas desde o ventre até os sete anos, quando se assume a personalidade; e toda bagagem a ser transcendida acumulada com experiências de vidas passadas.

Para ele, o vazio sentido, muitas vezes, mesmo alcançando fama, fortuna, poder e prazer, explica-se pelo fato de estar fora do seu ser. “Daí a importância de começarmos a ter consciência de quem realmente somos e do que podemos realizar, desde a luz de nosso ser. Se toda informação de que dispomos não traz paz ao coração, que bonita oportunidade para desaprender e reconhecer que é dentro que devemos ir, ao encontro com nosso ser, de onde podemos transcender, encerrar ciclos com amor e começar a expandir nossos dons. Não necessitamos buscar nada fora, está tudo em nós”, define Juan.

Segundo Juan, para retornar à essência, a pessoa necessita ampliar a consciência de sua informação genética, de suas limitações inconscientes e de sua bagagem de vidas passadas

A nova consciência

Segundo especialistas, o próprio questionamento mecanicista sobre a nova consciência, a necessidade de a contextualizar dentro de um cenário lógico, coerente com a racionalidade linear a que a maioria das pessoas está habituada, já a desconstrói porque a nova consciência não se pauta pela razão, aliás, os “despertos” buscam, justamente, sair da dualidade de viver entre a razão e a emoção para alcançar o equilíbrio da permanência na essência, que corresponde a um estado de consciência em que se observa com muita naturalidade a transição entre a razão, a emoção e a espiritualidade, experimentada ao longo do dia nas mais diferentes situações e inter-relações.

Assim, um momento de conflito em família ou no trabalho, por exemplo, para quem vivencia o processo do despertar da consciência, não se resume a estar ou não certo e a se fazer respeitar em seu posicionamento porque esses conceitos — certo, errado, respeito —, são ressignificados pela consciência ampliada desde a essência. Para o ser, ao contrário da personalidade, tudo não passa de oportunidade de alinhamento e, portanto, motivo para aperfeiçoamento e gratidão. O propósito para a essência está sempre no amor incondicional e não na razão. 

A nova consciência não corresponde a uma fórmula matemática ou uma reflexão filosófica, mas a uma realidade da alma. Acessar este lugar de amplitude, de onde se pode observar a própria vida desde um prisma sublimado de amor, para além de qualquer sentido de linguagem que as palavras possam dar, corresponde ao verdadeiro propósito de existir que muitos já estão sentindo “na pele” e se sentindo encorajados a compartilhar, assim como Eny, Isabel, Leandra, Leandro, Luci, Marcelo e Marina. 

Desenvolver a sexualidade

“Quando passei a ouvir meu interior, aproximei-me de questões como o sagrado feminino e o desenvolvimento humano. Virei coach ontológica — que se ocupa da investigação do ser —, com foco de atuação na sexualidade feminina. Fui molestada na adolescência e vivi experiências não muito prazerosas. Quando comecei a trabalhar minha própria sexualidade, fui ganhando profunda consciência de como estava desconectada do meu feminino e consegui elevar minha vibração energética a outro patamar. Convicta de que posso ajudar outras pessoas, encontrei o propósito de difundir que todos somos seres divinos e que essa característica está presente, também, quando se trata da sexualidade.” Marina Nabão de Moraes, coach ontológica.



Dissolver o ego

“Cheguei ao limite do estresse dando aula em dois períodos e cuidando de três filhos. Estava tão distante da minha essência que, simplesmente, não dormia. No meu caminhar a nível espiritual tive o auxílio da terapia, da pintura, de vários cursos e da meditação. Tudo isso me colocou de volta ao eixo da vida, na compreensão de que temos um propósito de estar aqui. Hoje, realizo o trabalho diário de prestar atenção no que estou sentindo e avaliar o que me pertence ou não.” Eny Xando de Abreu, professora.



Trabalhar a humildade

“Sempre fui muito ativo e cresci pensando em ser bem-sucedido. Muito jovem já tinha tudo o que a vida material pode dar e, ainda assim, estava completamente insatisfeito. Encontrei um livro que falava sobre ‘eu interior’ e isso mudou tudo. Saí do extremo de só pensar para fora e fui para o de só pensar para dentro. Hoje, vejo que o grande segredo é se colocar de forma humilde, como um buscador, como um eterno aprendiz, permitindo a cada um trilhar seu próprio caminho.” Marcelo Silveira Borges de Oliveira, educador.



Romper paradigmas

“Penso que esta Nova Era de ampliação de informação e consciência teve início na década de 1980, quando passamos a quebrar paradigmas, a romper com crenças e padrões ortodoxos e a ampliar o olhar para nós mesmos, nos aceitando com maior facilidade como seres eternos, como energia pura, que se transforma e se renova, retornando à sua divindade. Percorrer este caminho de desconstrução de tudo o que fomos ensinados a acreditar não acontece do dia para noite, mas quando estamos em um processo de ascensão, simplesmente nos acalmamos e não sentimos mais desejo de ter razão, não temos que provar nada para ninguém, percebemos que todos os caminhos são válidos e nos dedicamos mais ao trabalho em nós mesmos.” Luci Holanda, empresária.



Buscar o autoconhecimento

“O autoconhecimento é um caminho sem volta, no entanto, reconfortante. Na busca por preencher o vazio que sentia, pelas respostas que sempre me inquietaram, encontrei o caminho para dentro. Procurar dentro de si, observar-se e se transformar pode ser libertador. Encontrei um sentido muito próprio para a gratidão e acho que levo desta vivência a minha essência melhorada.” Isabel Lázaro da Silva, terapeuta holística.



Conectar-se com o universo

“Estamos saindo de uma antiga era e as próximas gerações precisam que estejamos alinhados e conectados com nossas essências. Daí a importância de atuarmos de forma menos racional, carnal, material e enxergarmos o mundo não com os olhos físicos, mas com os olhos da alma. Tudo está interligado com o exercício da consciência e do livre arbítrio para trilharmos um caminho de luz.” Leandro Franco Berganton, advogado, e Leandra Rezende, professora. 





Texto: Yara Racy
Fotos: Julio Sian, Ibraim Leão e Roberto Galhardo

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