Prevenir é o melhor remédio

Prevenir é o melhor remédio

Com alguns resultados alterados, Rafael Ribeiro dos Santos está mais atento à importância da boa alimentação e das atividades físicas regulares

Nos dias atuais, o nível de atividade física está bastante reduzido, devido ao progresso da tecnologia, que traz comodismo e substituição das atividades de lazer por programas sedentários. Isso acaba sendo preocupante, visto que o estilo de vida sedentário é responsável por 13,2% de mortes no Brasil, segundo uma pesquisa publicada pela revista Lancet. Se for associado ao sedentarismo, a alimentação inadequada, o excesso de gordura corporal e outros comportamentos de risco, como tabagismo, consumo de álcool, estresse e uso indiscriminado de medicamentos, esse número pode ser ainda maior.

O médico cardiologista Pedro Schwartzmann (CRM 121.092) revela que, na avaliação inicial, o publicitário Rafael Ribeiro dos Santos apresentava critérios para a chamada Síndrome Metabólica, um quadro cada vez mais frequente na população e que está relacionado a altíssimo risco cardiovascular e morbimortalidade. “Ele, com apenas 26 anos, apresentava circunferência abdominal aumentada, níveis glicêmicos elevados, preenchendo diagnóstico de diabetes mellitus do tipo 2, colesterol aumentado e valores elevados de pressão arterial no consultório”, conta o médico, explicando que esses aspectos estão intimamente relacionados ao estilo de vida inadequado. Apesar dessas alterações, Rafael estava assintomático e foi submetido a eletrocardiograma de repouso e de esforço, com quantificação objetiva da intensidade do esforço a ser utilizada no programa de reabilitação. A avaliação cardiológica pré-participação foi completada e não foi observada nenhuma contraindicação à prática de exercícios físicos em intensidade moderada.

Dr. Pedro avalia que o projeto Revide Fit é uma mudança do estilo de vida por meio da atuação multiprofissional, com adequada orientação nutricional, perda de peso, redução da gordura visceral, aumento da massa muscular e exercícios físicos supervisionados com intensidade determinada após avaliação cardiológica. “Esse tipo de programa, conhecido como reabilitação cardiovascular, é muito bem estabelecido na literatura médica, com resultados consistentes para o tratamento de uma grande quantidade de doenças, como obesidade, alteração do colesterol e doenças cardiovasculares. Não tenho dúvidas de que, se o Rafael estiver empenhado e seguir as recomendações, obterá resultados fantásticos que poderão servir de exemplo para outras pessoas”, pontua o cardiologista.

Quando questionado sobre os benefícios da nova rotina para a redução de problemas cardiovasculares, Pedro salienta que o exercício físico promove diversas adaptações no organismo do indivíduo, com efeitos bem documentados, como melhora do funcionamento dos vasos sanguíneos, redução de substâncias inflamatórias, menor trabalho cardíaco para um mesmo esforço, ganho na função das mitocôndrias da musculatura esquelética, entre outros. “Há inúmeros trabalhos sobre a utilização do exercício aeróbico moderado como ferramenta terapêutica adicional em vários tipos de doenças, com evidências crescentes”, destaca. Sabe-se, por exemplo, que há menor risco até do surgimento de câncer, notadamente câncer de intestino. Quando são analisados os efeitos da atividade física aeróbica moderada em pacientes que sofreram infarto ou foram submetidos a cirurgia de revascularização (ponte de safena ou mamária), pode ser observado um aumento na expectativa de vida, menor chance de reinfarto ou hospitalização por doenças cardiovasculares, além de uma melhora na capacidade de esforço e na qualidade de vida.

Já para reduzir o índice de obesidade, a combinação de reeducação alimentar e exercícios físicos é imprescindível. “A reeducação alimentar é o passo principal para a mudança do estilo de vida, contudo, é difícil observar resultados contundentes de perda de peso quando essa medida não é acompanhada de exercícios físicos. A combinação de ambos é a melhor forma para redução da obesidade e manutenção da perda ponderal a longo prazo”, analisa o cardiologista. Vale ressaltar que para a prevenção de doenças cardiovasculares, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a realização de pelo menos 30 minutos de exercícios físicos, três vezes por semana. “Os portadores de doenças necessitam do estabelecimento de dois limites para a adequação da intensidade dos exercícios: um limite para os benefícios do exercício e o limite da segurança, visto que exercícios muito intensos nesses pacientes podem causar problemas como arritmias, alterações eletrocardiográficas e até morte súbita”, finaliza Pedro.

Palavra do participante

“Eu faço check-up geral anualmente, de preferência no início do ano, logo depois do Carnaval. Toda vez, o resultado era o mesmo: ‘Tudo perfeito, Rafael. Como é bom ser jovem, não?’, diziam os médicos. No exame de 2012, fui diagnosticado com hipotireoidismo. Lembro que os números estavam bem elevados e eu precisei tomar remédio para conseguir voltar ao normal. No ano seguinte, em 2013, tudo voltou à normalidade e o problema na glândula da tireoide tinha sido o único em 25 anos de vida. Porém, um ano foi o suficiente para tudo mudar e, no exame de 2014, o colesterol e o diabetes estavam chegando no limite permitido para uma vida saudável.

Além disso, o nível de testosterona estava baixíssimo e meu pâncreas estava produzindo três vezes mais insulina do que o normal. Procurei, pela primeira vez, uma endocrinologista e ela me explicou que toda essa bagunça estava ligada à uma substância bastante conhecida: o carboidrato. Com a falta de exercícios físicos e ingerindo carboidrato descontroladamente (pão, arroz, cerveja), o corpo não aguentou. Fiz tratamento com injeções e dieta, mas não cheguei a realizar o exame final. Meses depois, a dieta também não fazia mais parte do meu dia a dia.

Como eu já esperava, os exames pré-Revide Fit mostraram vários pontos de atenção. A primeira consulta com o Dr. Pedro foi fundamental para eu querer ainda mais mudar o ritmo de vida. Paciente e educado, ele me explicou todos os pontos que eu, jovem de 26 anos que levava uma vida desregrada na alimentação, precisavaconhecer. O que mais me chamou atenção foi saber que hoje eu tenho 15% de chance de ter um infarto nos próximos dez anos. Saí do consultório, entrei no carro e fiquei durante uns três minutos pensando nessa notícia. Eu, de uma família saudável, em que não há histórico de infarto, com 26 anos já tenho chance de ter um. Se eu não estivesse 100% preparado para o Revide Fit, essa frase me faria estar. É inaceitável”. Rafael Ribeiro dos Santos, publicitário.

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