Problemas auditivos
Especialistas alertam que uso excessivo de fones de ouvido pode causar perda da audição
Eles estão por toda parte, mais precisamente na cabeça dos adolescentes. Os fones de ouvido já se tornaram acessórios indispensáveis na vida dos jovens, que não abrem mão da diversão musical e também do som alto.
O estudante Abner Tosati, 13 anos, afirma que usa fones de ouvido com o som no máximo volume, seja na escola, quando anda pela rua ou mesmo em viagens de carro. “Gosto de ouvir música com foninho, acho melhor assim e dá para se distrair, a viagem é mais rápida”, afirma.
O som alto dos fones de ouvido pode causar sérias lesões nos ouvidos e a exposição por horas ao ruído pode levar a problemas irreversíveis. Segundo o otorrinolaringologista Dr. Miguel Angelo Hyppolito, coordenador do Programa de Saúde auditiva e Implante Coclear do HCRP-FMRP-USP, se o som aplicado pelo fone de ouvido for maior que 60 decibéis (unidade que serve para avaliar a intensidade do som), usado de maneira contínua, e por mais de uma hora ao dia, pode causar a perda de audição em um período de seis a 12 meses. “O indivíduo pode começar a apresentar dificuldade em discriminar sons em ambientes com barulho, dificuldades para assistir televisão, ouvir música em ambiente aberto, dificuldades de se comunicar em festas e eventos sociais”, explica.
A jovem Gabriela Alves da Silva, 17, viaja de ônibus todos os dias para estudar. Ela conta que durante o trajeto sempre ouve música com fones de ouvido, mas já sofre com o uso excessivo. “Começo a ficar com dor de cabeça e desligo o som”, afirma, acrescentando que sente dores mesmo quando o som não está alto.
A dor de cabeça causada pelo excesso de barulho e som alto entrando diretamente nos ouvidos é um dos sinais de alerta que os jovens precisam observar. Outro sinal perigoso é o zumbido – um dos indícios precoces da perda auditiva. “O uso do fone de ouvido não causa perda total da audição, mas a lesão adquirida dificilmente será recuperada”, afirma o otorrinolaringologista Dr. Alexandre Bianchi Barichello. “Uma pessoa que tenha sua audição prejudicada ou um som estranho em sua orelha, na sua cabeça, pode ter sua qualidade de vida bastante alterada”, explica.
Mas os ouvidos não são os únicos prejudicados. Alguns sintomas como alterações emocionais, irritabilidade, ansiedade, falta de concentração, agitação, taquicardia, desestabilidade do convívio social e insônia são evidências dos problemas auditivos no corpo humano.
É necessário, portanto, observar se a música que os jovens escutam não está alta demais para os ouvidos. Basicamente os adolescentes podem notar quando não entenderem outra pessoa falando a menos de meio metro ou quando alguém precisa gritar para falar com eles. Para aqueles que não conseguem se livrar do hábito dos foninhos, é importante pontuar algumas medidas, como evitar o contato com o aparelho por mais de uma hora seguida, ajustar o volume na potência média e optar por não escutar mais o som no volume máximo.
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Texto: Fernando Belezine (colaborador)
Fotos: Ibraim Leão e Julio Sian