Procura-se um mecenas
Segundo a vocalista Pietra Junqueira, o empresários ainda se mostram receosos em ajudar
A trajetória artística de uma banda passa, necessariamente, por mudanças, quer sejam elas sonoras ou de postura. E desde o seu nascimento, passando por seu amadurecimento, até o anúncio de seu fim, uma banda sempre ultrapassa inúmeros obstáculos, entre eles, o de se lançar e de sobreviver no competitivo mercado da música.
É o que acontece, por exemplo, com a banda ribeirãopretana Guaraná Joy, que está em busca de amadurecer sua sonoridade. Formada em abril de 2010 pelo baterista Cimão, pelo baixista Mizuta, pelo guitarrista Orlando e pela vocalista Pietra Junqueira, inicialmente com a proposta de ser uma banda de música pop, o grupo agora pretende incrementar seu som, incluindo música erudita em suas apresentações.
O quarteto pretende produzir um álbum com músicas autorais e também lançar um DVD, além de realizar dez shows pelo país, acompanhado por músicos convidados, entre eles, a “Oficina Experimental da Voz”, do curso de Música da USP/Ribeirão Preto. “Eu compus algumas músicas, o guitarrista outras e teremos canções de outros compositores, mas todas serão inéditas”, ressalta Pietra.
Formada em música pela Universidade de São Paulo (USP/RP), Pietra Junqueira lamenta a falta de investimento na disseminação da música erudita. “Mesmo cursando a faculdade eu via o quanto esse mundo era desconhecido para mim. Por esse motivo, achei que seria muito bom englobar estes dois mundos musicais. Levando o erudito, através do pop, teremos a oportunidade de melhorar sua assimilação e compreensão, além de proporcionar um nível diferente de entretenimento”, explica.
Incentivo fiscal
Para viabilizar essa proposta, a Guaraná Joy criou o projeto “Banda Guaraná Joy e você: fazendo a diferença”, com o objetivo de buscar apoio financeiro através da Lei de incentivo à Cultura, a Lei Rouanet (nº 8.313/1991), que permite a destinação de 6% dos impostos pagos por pessoas físicas e 4% dos impostos pagos por pessoas jurídicas, sobre o lucro real, para projetos culturais.
Para um artista é imprescindível viver da arte, assim como em qualquer outra profissão é necessário sobreviver de seus rendimentos, e o incentivo fiscal é peça fundamental para isso, pois sem ele muitas ideias não sairiam do papel por falta de verba e estrutura para serem realizadas.
Através da destinação direta de impostos, o governo proporciona às pessoas e empresas de uma localidade investir em sua própria cultura sem precisar se descapitalizar para isso. Apesar disso, o desconhecimento ainda é um grande fator limitador.
“Ainda há muito receio e desinformação sobre a Lei Rouanet. Muitas empresas pensam que estamos buscando patrocínio e que vão precisar tirar dinheiro do próprio lucro, o que não é verdade, já que o projeto é realizado com um percentual do imposto a ser pago, e com isso criam uma barreira antes mesmo de entender do que se trata. Infelizmente, grande parte dos contadores, que poderiam ser nossos aliados na captação de recursos, se fecham para o assunto e criam dificuldades que não existem para a destinação da verba”, comenta Pietra.
A Guaraná Joy tem seu projeto de ‘pop & erudito’ estruturado, com as músicas compostas e as metas estipuladas, apesar disso, ainda encontra dificuldades para conseguir o incentivo das empresas.
“As empresas que buscam a destinação fiscal para projetos culturais como alternativa contábil só tem a ganhar, pois estão cumprindo um papel social importante, movimentando a economia, gerando empregos e expondo sua marca a custo zero. Estão mostrando que se importam com seu povo e seu país e que querem fazer sua parte para torná-lo cada vez melhor. Com apenas um ‘sim’ para a Lei Rouanet, estão mudando a vida de muitos brasileiros”, defende a artista.
Para conhecer mais sobre a banda, seus projetos e shows, clique aqui e acesse o site da banda.
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Texto: Bruno Silva
Fotos: Divulgação