Produção antecipada

Produção antecipada

Produtores paulistas e goianos estão conseguindo antecipar a produção dos seringais em até dois anos

Incentivados por pesquisadores da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, produtores paulistas e goianos estão conseguindo antecipar a produção dos seringais em até dois anos. No método tradicional, a seco, a sangria (processo de extração do látex) só é possível em árvores com cerca de sete anos, enquanto em plantios irrigados a produção começa aos cinco anos da árvore.

Conforme explica Elaine Cristine Piffer Gonçalves, pesquisadora da APTA, do Polo Regional de Desenvolvimento Tecnológico dos Agronegócios da Alta Mogiana, a antecipação é possível por causa da implantação de sistemas de irrigação especiais desde o plantio das mudas. Para incentivar produtores da região, em parceria com pesquisadores da Unesp de Jaboticabal e com produtores e técnicos da Netafim Brasil, a Agência Paulista começou um experimento com seis mil plantas em 12 hectares (há), em Colina, interior de São Paulo.

Luiz Carlos Pavani, docente do curso de Engenharia Rural, e Pedro Luiz Alvez, professor de Biologia Aplicada, contribuíram para a elaboração do delineamento estatístico do projeto de pesquisa e para a condução da “fertirrigação” (irrigação acrescida de produtos nutricionais). “Pretendemos observar o desenvolvimento da seringueira em cada uma de suas fases”, frisa Luiz Carlos. Na área cultivada, segundo Elaine, foram definidas três experiências: parte das árvores recebem tratamento normal (a seco); uma segunda amostra é irrigada por gotejamento, enquanto a terceira conta com o auxílio de microaspersores, que lançam jatos de água ao ar para que eles caiam sobre a cultura na forma de “chuva”.

Carlos Eduardo Jábali Sanches, chefe agronômico da Netafim, afirma que a produção nacional tem muito a crescer. No Brasil, existem apenas 116,8mil ha de dicados à cultura da borracha. Este volume representa apenas 1,1% da produção mundial. Para se ter uma ideia, a Indonésia, líder desse mercado, com 33,1% da extração de látex, possui 3.414 milhões de hectares de seringueiras. Dos 9.893 milhões de toneladas de borracha pruduzidas em todo o mundo, 9.735 milhões são consumidas. “Com a irrigação, as perdas de mudas são de apenas 5%, contra cerca de 10% a 20% no cultivo a seco”, reforça Carlos.

Fotos: divulgação

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