Produção elevada

Produção elevada

Safra de amendoim deve superar as duas milhões de sacas entregues à Coplana no ano passado

Otimistas com o mercado consumidor internacional, produtores da região de Jaboticabal ampliaram as áreas plantadas e devem superar os números da colheita de amendoim este ano. A Cooperativa Agroindustrial (Coplana) prevê um recebimento acima do volume do ano passado, que foi  de duas milhões de sacas de 25 kg.

Cultivado em sistema consorciado à cana, o amendoim se beneficia da renovação dos canaviais. Além de ter aumentado a área destinada a recuperação do solo, foram feitos investimentos no período após a colheita, o que resultou em maior produtividade do amendoim.

Tais fatores representam mais segurança para agricultores como Fábio Trevisoli, de Jaboticabal. Nos últimos anos, ele investiu de forma crescente e gradativa na expansão da área cultivada com amendoim do tipo runner. “Nesta safra ampliei a área plantada em cerca de 20% e espero um aumento de produção de aproximadamente 10%”, estima Fábio.   

Com 160 cooperados, produtores de amendoim de várias regiões de Minas Gerais e de São Paulo, especialmente da Alta Mogiana, a Coplana estima que 15.279 hectares (ha) foram cultivados com amendoim, contra os 12 mil ha cultivados na safra passada. A região responde por cerda de 20% de toda produção nacional, como explica José Arimatéa Calsaverini, superintendente da Coplana.

Para beneficiar e comercializar o produto, mantendo o grau de qualidade, a Cooperativa investiu cerca de R$ 30 milhões na construção de uma nova planta industrial. Os 20 mil m² de tecnologia garantem a qualidade do produto, que sai da unidade em grãos blancheados, ou seja sem a casca. Tal característica é valorizada pelo mercado, especialmente nos países europeus. “Hoje, o produtor da região tem um canal direto com o mercado externo”, frisa Arimatéa.

Safra terá a melhor tecnologia do país

A nova planta industrial da Coplana, instalada na Unidade de Grãos, foi projetada sob medida. Devido às suas características de inovação, envolveu engenheiros do Brasil, Argentina e Estados Unidos. “E quando estiver em pleno funcionamento, estará entre as instalações mais modernas do mundo para processamento de amendoim, com a mais recente tecnologia em equipamentos e projeto”, afirma José Arimatéa Calsaverini, superintendente da Cooperativa.

A nova fábrica é totalmente informatizada, oferecendo maior eficiência e segurança em todo o processo, desde a chegada do amendoim em casca, a limpeza, até a exportação. Entre os diferenciais da planta, está a implantação do hilo, o que conferirá grande agilidade na descarga. O equipamento é semelhante ao que hoje é utilizado em usinas de cana-de-açúcar, e foi especialmente adaptado para atender ao amendoim.

Em dezembro de 2010, a Unidade de Grãos conquistou a certificação internacional British Retail Consortium (BRC), o que atesta a qualidade do produto para a  exportação ao mercado europeu, principal destino do grão, e um dos mais exigentes do mundo. A norma é referência global para alimento seguro. “Em dezembro de 2011, a Unidade foi recertificada e, novamente, com a mais alta classificação - Grau A”, frisa Arimatéa.

Na Coplana, em Jaboticabal também, está o armazém de big-bags, entre os maiores do mundo para acondicionamento de amendoim em condições ideais de umidade e temperatura. São 20 mil m2 de tecnologia para a garantia da sanidade do produto. O amendoim também sai da Unidade de Grãos blancheado (blancheamento é o processo mecânico de retirada da película),  característica preferida pela indústria.

Evolução da Cultura

Os investimentos na cultura promoveram uma transformação na economia regional. O amendoim é produzido em áreas de reforma de canavial, o que leva à produção de alimentos nas mesmas áreas onde é produzida energia (etanol). Com isso, renasce uma cultura em uma área onde não haveria mais espaço para outros tipos de cultivo.

A cultura contribuiu também com aspectos de sustentabilidade: o pequeno produtor de cana tornou-se o grande produtor de amendoim, que planta em áreas de arrendamento. Isso faz com que seja possível a sua permanência na atividade.

A região de Jaboticabal, num primeiro momento, substituiu as importações da Argentina. A indústria de doces nacional passou a consumir amendoim brasileiro. Em seguida, esses produtores, por meio de sua Cooperativa, abriram o mercado externo.

Essa mudança só foi possível pelos investimentos em mecanização no campo, mudança na variedade (atualmente o runner) e investimento nos processos de pós-colheita. Foram mudanças que conferiram qualidade ao grão e sua sanidade, dentro das normas do alimento seguro, que incluem a rastreabilidade.


Textos: Rose Rubini
Colaboração: Renata Costa
Fotos: Ewerton Alves

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