Produção em família

Produção em família

Marcelo Pedroso Goulart e Luís Marcelo pretendem trabalhar juntos em outras produções

Pai e filho produziram o documentário  “Texto & Testa: Ministério Público em Tempos Heróicos e Outros Temas”, que conta a história do Ministério Público (MP) pela ótica de três promotores que atuaram na cidade de Ribeirão Preto entre os anos 1960 e 1980. Annibal Augusto Gama, Henrique Serraglia e Hilton Maurício de Araújo são os personagens centrais do documentário. 

Dirigido e produzido pelo promotor Marcelo Pedroso Goulart e seu filho, o estudante de cinema Luis Marcelo Pedroso Goulart, o documentário conta a história das  dificuldades enfrentadas dentro do MP e a evolução que a instituição passou.  “É um registro audiovisual muito importante. Servirá não só como documento para o futuro, mas também como inspiração aos novos promotores. Assim, poderão ver as dificuldades pelas quais os antigos promotores já passaram”, conta Marcelo.

Segundo o promotor, tudo foi muito exaustivo. As imagens para o documentário começaram a ser captadas em 2009 e duraram cerca de um ano para serem concluídas. Depois, pai e filho começaram a edição das imagens,  no segundo semestre de 2010. A dupla conseguiu um material com quatro horas e meia de imagens. “O tempo foi nossa maior dificuldade”, comenta Marcelo. Eles tiveram que fazer todo o conteúdo filmado caber em 75 minutos de documentário. 

Luis Marcelo lembra que na madrugada da pré-estréia, no dia 30 de março, ele ainda estava dando os retoques finais na edição do filme. “Como não tínhamos recursos, tudo foi feito de forma exaustiva e na raça”, completa.

Tudo em família
Luis Marcelo, que trancou a faculdade de direito para iniciar o curso de cinema, conta que tudo foi feito despretensiosamente, de forma precária, mas com muito empenho. “Talvez esse tenha sido o motivo que fez a produção do documentário dar certo”, diz. Os produtores, inexperientes, segundo eles, aprenderam tudo durante a produção. Luis Marcelo lembra que quando os equipamentos (câmera, luz ou microfone) tinham algum tipo de defeito, eles mesmos consertavam.

O documentário todo foi feito com uma câmera só, que foi dada de presente do pai para o filho. “Eu sempre quis fazer cinema, então meu pai me deu uma câmera para eu fazer algumas experiências”, pontua.  A trilha sonora do documentário ficou por conta de João Pedro Mourão, músico e cunhado de Luis Marcelo. “Conseguimos a música em janeiro desse ano. Foi composta pelo marido da minha irmã, João Pedro Mourão, que é músico e estuda em Los Angeles. Depois eu mesmo confeccionei toda a arte, o trailer e as fotos. Tudo isso com um tempo muito justo”, recorda Luis Marcelo.

O documentário é um marco para a instituição Ministério Público e para a própria história de vida dos personagens. Outro dado importante é que o filme apresenta a visão de como era a estrutura do Ministério Público daquela época. “Acredito que os jovens promotores, bacharéis de direitos e a sociedade em geral não tenham ideia de como a estrutura do Ministério Público era precária e toda a dificuldade que os promotores tiveram para poder realizar dignamente  seu trabalho. E isso é uma das virtudes desse documentário”, ressalta.

Projetos futuros
O resultado da experiência foi tão compensatório que a dupla pretende trabalhar junta novamente em outros projetos. Pai e filho têm ideia de fazer mais alguns documentários, inclusive outro sobre o Ministério Público. “Eu acho que meu pai, depois que se aposentar, vai começar a trabalhar com cinema. Ele gostou bastante da experiência”, afirma Luis Marcelo.
 
Agenda
No dia 27 de abril, às 20h, haverá uma exibição do documentário nos Estúdios Kaiser de Cinema, com entrada gratuita.

Confira o trailer do documentário


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Texto: Bruno Silva
Fotos: Divulgação

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