Programa escola da família

Programa escola da família

Universitários trabalham em programa do Governo do Estado em troca de bolsa integral de estudos na faculdade

Educadora universitária com criança em projeto de desenho livreCriado em agosto de 2003, o Escola da Família é um programa da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo que propõe diversas atividades, aos finais de semana, nas escolas da rede municipal e estadual de ensino público. Essas atividades giram em torno dos desenvolvimentos realizados por universitários e voluntários em quatro modalidades: cultura, esporte/lazer, trabalho e saúde.
No programa, o universitário trabalha aos finais de semana (seis horas no sábado e seis horas no domingo), desenvolvendo projetos para crianças e jovens do bairro e/ou cidade, e recebe em troca bolsa integral de estudos na faculdade. A instituição de ensino paga 50% da mensalidade do curso e a Secretaria de Educação cobre os outros 50%.
Há nove anos trabalhando como coordenador do Programa Escola da Família, na EMEF Professora Yolanda Luiz Sicchieri, em Pontal, Sebastião Pinton, 65 anos, afirma que o trabalho lhe rendeu bons frutos, tanto profissionalmente quanto pessoalmente. “Esse tempo todo trabalhando na escola e com jovens universitários acabou me fazendo aprender a lidar com diferentes níveis sociais e melhorar  como pessoa e também no trabalho realizado”, afirma.
Segundo o site do Escola da Família, até junho do ano passado, 15.411 universitários foram atendidos pelo programa. São 2.685 escolas municipais e estaduais de 619 municípios paulistas oferecendo atividades proporcionadas pelo programa.
O estudante de Administração Evelton de Figueiredo Borges, 25 anos, trabalha há três na escola de Pontal e afirma que, mesmo trabalhando aos finais de semana, é possível conciliar o trabalho com os estudos do curso em Jaboticabal. “Sempre que posso adianto os trabalhos da faculdade, nada me prejudica, pelo contrário. Se eu soubesse do programa há mais tempo, já teria feito uma faculdade”, conta.
As universitárias Thaís Tonani dos Santos, 18, e Rubênia da Silva Correia, 27, ambas estudantes de Administração, realizam projetos na escola a fim de atrair o público infanto-juvenil. A proposta geral das atividades do Escola da Família é tirar jovens das ruas e deixá-los mais próximos do mundo educacional. “Meu projeto é Cinema e a cada fim de semana mais pessoas têm vindo participar”, explica Thaís, que conta com uma sala da escola própria para exibição de filmes. Já Rubênia, que passa atividades como Desenho Livre para as crianças, afirma que participar do programa lhe ajudou a entrar na faculdade. “Entrei no Escola da Família porque não tinha condições de pagar meus estudos. Hoje consigo estudar tranquilamente e fiz novas amizades também”, confessa.

Vale a pena
Muitos universitários, que conseguem a bolsa de estudos pelo programa Escola da Família, viajam aos finais de semana para atender o público em escolas da região. É o caso da estudante de Publicidade e Propaganda, Léia Nagayoshi Francia, 27 anos, que entrou no programa em seu último ano de faculdade. A questão financeira foi o que mais pesou para que a estudante de Ribeirão Preto se cadastrasse no programa.
Hoje, Léia trabalha na EE Abel dos Reis, em Cássia dos Coqueiros, e viaja pouco mais de 80 quilômetros para cumprir seus desafios como educadora universitária. “Vale a pena o esforço todo. Consigo controlar minhas contas e também tenho aprendido muito com as crianças”, acrescenta.


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Colaborador: Fernando Belezine
Fotos: Fernando Belezine

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