Projeto Floresta USP-RP
As pesquisas realizadas na Floresta da USP transformaram o local em referência regional
“A esperança, ideologia, trabalhos científicos (muitos em andamento), dinheiro público e uma riqueza genética florestal inestimável queimaram junto com o Banco Genético da USP- Ribeirão Preto em um incêndio devastador”, conta a professora Elenice Mouro Varanda, do departamento de Biologia da USP-RP, após o incêndio que aconteceu na última terça-feira (16) no campus.
Cerca de 40 hectares de floresta foram queimados e estudantes, professores e pacientes que estavam próximos ao local foram tirados as pressas enquanto dois caminhões do Corpo de Bombeiros e funcionários do local ajudaram a controlar o fogo que estava a dez metros das residências e próximo ao laboratório de virologia no campus.
O local era fonte de pesquisa para professores e alunos de diversos cursos da USP-RP e fazia parte do projeto “Floresta da USP-RP”, que implantou o único Banco Genético de mata mesófila semidecidual do Brasil e ampliou em 20% as áreas verdes urbanas de Ribeirão Preto. Além das pesquisas, o local conta com o auxilio do Centro de Estudos e Extensão Florestal da Floresta da USP-RP (CEEFLORUSP), um Núcleo de Apoio ligado a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão, criado em 2005, para coordenar as atividades desenvolvidas na floresta, estimular pesquisas para produzir conhecimentos sobre a recuperação dos processos ecológicos e a conservação da biodiversidade regional.
Segundo a professora Elenice Varanda, o projeto era realizado por diversas pessoas e tinha como objetivo conservar a genética dessas espécies nativas, assim como fornecer sementes de origem conhecida para recuperação de áreas degradadas, contribuindo para a conservação da biodiversidade regional. “O Projeto Floresta da USP-RP possuía 45 espécies, com uma diversidade de 3.375 progênies coletadas em mais de 400 áreas de fragmentos naturais da Bacia do Pardo-Mogi, o nosso maior objetivo era o de conservação genética das espécies nativas assim como fornecer sementes de origem conhecida e qualidade garantida, a fim de recuperar áreas degradadas. O incêndio iniciado por causas desconhecidas devastou grande parte da Floresta da USP, incluindo todos os 45 hectares do Banco Genético e junto com os hectares, parte dos nossos estudos”, revela a professora.
“É difícil ver um objeto de estudo tão valioso, ser perdido de uma hora para outra por causas desconhecidas. A única coisa que nós alunos podemos tirar de bonito nessa história é o que existia nessa floresta, e a história de luta de várias pessoas para construir um local de referência regional para pesquisas ambientais e genéticas”, conta a estudante de biologia, Lívia Maria Michelassi.
As pesquisas realizadas na Floresta da USP transformaram o local em referência regional no quesito meio ambiente e pesquisas relacionadas, além disso, a restauração da área trouxe ao campus um aumento da vazão de minas d’água e o retorno da fauna para o local.
O incêndio, que foi um dos mais graves que atingiu a universidade nos últimos anos, deu uma pausa a projetos de educação ambiental, recuperação de áreas degradas, pesquisas, conservação de fragmentos e tantos outros trabalhos dos alunos e professores do local.
“Ainda não temos uma avaliação do estrago que foi feito com a queimada, é triste ver o trabalho de tantos biólogos, professores, estudantes e funcionários se perder. Nossa meta agora é mostrar que não foi uma “matinha” que queimou, mas sim o único banco genético de espécies de mata mesófila semidecidual do Brasil, um patrimônio construído em benefício de todos. Isso não é mato. Isso é o trabalho da minha vida”, conclui Elenice.
Texto: Pâmela Silva
Fotos: Divulgação