Projeto internacional para preservar as mães
Parceria entre Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e OMS pretende baixar mortalidade materna no mundo
Uma parceria entre o Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto e a Organização Mundial da Saúde (OMS) tem uma missão importante: baixar os níveis de mortalidade materna no mundo.
Para isso, estão desenvolvendo o Projeto BOLD (Better Outcomes in Labour Difficulty, Melhores resultados em dificuldades do trabalho de parto). Instituições da Finlândia, da Nigéria e da Uganda também participam do projeto, que conta com US$ 3 milhões para a primeira fase financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates.
O lançamento do projeto aconteceu nos dias 11 e 12 de fevereiro, na sede da OMS, em Genebra, na Suíça.
Os altos índices de mortalidade materna relacionados ao parto estão na mira da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os índices mais altos são encontrados, sobretudo, nos países em desenvolvimento, que respondem por 99% da mortalidade mundial.
Das 287 mil mortes registradas no mundo em 2010, metade foi no continente africano e um terço no sudeste asiático. Os números alarmantes da África fizeram com que o continente fosse o primeiro a receber o projeto.
O projeto terá duas fases de execução. A primeira será a coleta de dados de doze hospitais, na Nigéria e em Uganda. A partir daí, será desenvolvida uma nova ferramenta para auxiliar médicos e parteiras. A ferramenta foi batizada de SELMA (Simplified, Effective, Labour Monitoring-to-Action tool) e virá como uma alternativa ao partograma.
A segunda fase do projeto está programada para começar em 2016 e terá duração de cinco anos. Nesta fase, o trabalho será implementado e realizado em dez países do continente africano.
De acordo com o professor João Paulo Dias de Souza, um dos coordenador do projeto, caberá à USP analisar os dados e desenvolver a ferramenta que substituirá a atual, que data da década de 1970.
“Na primeira fase estamos coordenando a coleta de dados que está sendo feita por duas universidades na África e faremos a análise dos dados, para desenvolver um programa de apoio aos profissionais de saúde”, afirmou. O professor disse que as metas de diminuição da mortalidade serão traçadas depois de que o projeto for colocado em campo.
Morte materna são aquelas causadas por complicações durante a gestação e que ocorrem até 42 dias após o parto, geralmente são provocadas por hipertensão, doenças preexistentes e desprendimento da placenta. A baixa qualidade do atendimento médico nos países em desenvolvimento colabora com a alta mortalidade. O índice inclusive faz parte dos Objetivos do Milênio traçados pela ONU.
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Texto: Brunno Vogah (Colaborador)
Imagem: Divulgação/OMS