Promoção da Paz

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Projeto RAFI busca levar mensagens de paz à comunidade de Ribeirão Preto

A mobilização contínua para discutir as formas de violência enfrentadas na cidade e a promoção da cultura da paz são os principais objetivos do Projeto Ribeirão Acolhe Seus Filhos (RAFI), lançado dia 12 de setembro, em Ribeirão Preto. O projeto irá trabalhar com o coletivo e com as famílias em busca da solução de conflitos. Para isso, serão estabelecidas parcerias com universidades, dirigentes, mediadores de conflitos, professores e estudantes das escolas públicas e privadas.

Confira o vídeo produzido pela equipe do portal da Revide:


A proposta inclui uma série de detalhes, da criação de uma logomarca ao projeto final. Simbolizado por uma flor, o RAFI pretende levar luz a questões sociais por meio dos conceitos como paciência, amor, gratidão, respeito, generosidade e gentileza. Na prática, será construída uma rede de articuladores e agentes sociais para a promoção da cultura de paz, em princípio, com a capacitação de educadores.

O próximo passo será formar núcleos responsáveis pela organização de encontros coletivos com o intuito de debater a criminalidade e as possíveis ações de prevenção à violência. “Trabalharemos, ao longo de um ano,  pela mobilização social em torno da violência, em suas diversas formas, envolvendo toda a sociedade ribeirãopretana”, explica Ana Paula de Paiva, coordenadora de medidas socioeducativas do Núcleo de Atendimento Integrado (NAI) de Ribeirão Preto.

A constatação de um ambiente urbano dominado pela violência foi o ponto inicial para a criação do projeto. “Comportamentos que já fazem parte do cotidiano da comunidade mostram que valores como solidariedade, gentileza, generosidade e amor devem ser incentivados para que prevaleçam como referencial de conduta e de relacionamento. O incentivo à cultura de paz surge, assim, como uma proposta para enfrentar os comportamentos violentos observados na vida em comunidade”, explica Paulo César Gentile (na foto à direita), juiz da vara da Infância e da Juventude.

O objetivo do RAFI é resolver conflitos através de parcerias com universidades, dirigentes, mediadores, professores e estudantes das escolas públicas e privadas. É bem-vindo, também, o engajamento de grêmios estudantis e do público jovem nas ações e na discussão dos temas propostos, através da internet e das redes sociais.

O projeto prevê, ainda, a promoção de eventos culturais, com premiações e incentivos sociais, além da recolocação profissional de jovens e da organização e valorização dos espaços comuns nas comunidades carentes. “O envolvimento efetivo da rede escolar é fundamental, pois o enfrentamento da violência escolar — como bullying, violência física ou verbal, entre outras —  só é viável quando toda a comunidade escolar empreende ações de combate aos comportamentos negativos. Tais ações devem ser baseadas no fomento ao clima de pertencimento dos alunos, na aproximação da escola com a família, bem como no protagonismo juvenil”, alerta José Eduardo Costa de Oliveira, professor da rede pública de ensino.

O RAFI será também extensivo às famílias dos jovens. “Propomos reflexões sobre as causas da violência urbana e as formas de enfrentá-la. Sendo assim, é de suma importância que as famílias exerçam sua função no contexto social, protegendo, educando e orientando seus filhos. Pretendemos trabalhar esses valores junto aos pais”, explica Ana Paula.
 
Justiça restaurativa
Além de proporcionar a reflexão, a discussão e a ação coletiva em torno da violência urbana e nas instituições, o RAFI buscará difundir a discussão sobre o imaginário do medo e da violência, construído em torno da trágica história da criminalidade em Ribeirão Preto.

A Justiça Restaurativa está entre as metodologias a serem utilizadas. Baseada em modelos já existentes, essa prática representa uma alternativa para jovens em conflito com a lei. Em São Caetano do Sul, a aposta é reabilitar, e não repreender. Na cidade do ABC paulista, esse modelo está baseado na aplicação de medidas socioeducativas e na internação.

A iniciativa começou, em 2005, quando professores, funcionários, alunos e familiares foram capacitados para resolver conflitos escolares. As ferramentas utilizadas eram diálogo e conferências restaurativas, através das quais o infrator era responsabilizado e a vítima, atendida. Em 2006, o projeto se estendeu para questões de violência doméstica, alcoolismo e consumo de drogas e, em 2011, com apoio da Secretaria Especial de Direitos Humanos, passou a abranger crimes graves.

A implantação do RAFI em Ribeirão Preto pretende disseminar os valores da paz. “Queremos cultivar propostas que melhorem o ambiente de convivência escolar. O respeito e as perspectivas para um futuro melhor estão entre os valores que serão explorados. A inserção profissional da juventude no mercado de trabalho está entre as estratégias a serem utilizadas”, conta o jornalista e sociólogo João Carlos Borda.

Oficinas de paz
Outro importante apoio a ser incorporado ao RAFI serão os Oficineiros da Paz. Os núcleos, formados em diversas regiões da cidade, terão a missão de fomentar a reflexão e a produção intelectual e cultural, estimular rodas de conversa, festas, shows e encontros comunitários. As oficinas de paz funcionarão em escolas, associações de bairro, faculdades, igrejas, residências, clubes de serviço, grêmios estudantis e outros espaços comunitários.

Segundo o professor em Ciências Humanas e Sociais da USP, Sérgio Kodato, as oficinas permitirão analisar os resultados efetivos das ações contra a violência entre os jovens. “As pesquisas sobre índices de violência, criminalidade, tráfico de drogas e prevenção permitem desmistificar determinadas crenças prejudiciais para uma visão científica do fenômeno e de ações planejadas racional e criteriosamente”, observa o sociólogo.

Lançamento oficial
No evento de lançamento, que ocorreu no Teatro Uniseb, estiveram presentes professores e alunos da rede estadual de Ribeirão Preto, representantes do Ministério e Defensoria pública, representantes dos juizados do Adolescente, Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP), Prefeitura e Câmara Municipal.


A prefeita Dárcy Vera se dispôs a unir forças ao projeto. “É importante a participação de toda a sociedade, cada um fazendo a sua parte no âmbito cultural, do esporte, da educação, entre outros. O projeto cria oportunidades. Essa junção de toda a sociedade forma uma rede do bem e ao invés de muros, construiremos pontes para oferecer a esses jovens mais oportunidades”, comenta Dárcy.

Para Simone Maria Locca (na foto à direita), dirigente regional de ensino de Ribeirão Preto, faltava  um olhar atento aos jovens da cidade. “A união de forças para o resgate dos valores dos jovens junto à família, comunidade e instituições de ensino é importante para aproximar os alunos da educação e garantir a eles os seus direitos. Os professores que trabalharão como mediadores farão o papel de evitar os conflitos sociais”, afirma Simone.

O projeto tem a ambição de transformar a sociedade e os jovens para juntos criarem uma convivência de paz. “Trabalhar a base, que é a família, é um item fundamental que será trabalhado pelo RAFI e será um exemplo para o restante do nosso país. Costurar laços familiares irá contribuir com a sociedade como um todo”, comenta José Carlos Carvalho, presidente da ACIRP.

Geraldo Arthus (na foto à esquerda), vice-reitor do Uniseb, observa que o projeto também tem o lado científico. “O movimento nasceu com o nome correto ‘RAFI, costurando relações de paz’. Desde o iluminismo, acreditava-se que a ciência e a tecnologia resolveriam os problemas sociais. Isso não ocorreu. A sociedade precisa de afeto, respeito, sensibilidade e é isso que o projeto tem de especial. A iniciativa é atual, a solidariedade não é um caminho assistencialista. Por meio da afetividade, será possível transformar o nosso país. Sendo assim, caberia somente ao Uniseb o total apoio ao projeto”, afirma o vice-reitor.

A diretora da Escola Estadual Antônio Diederichsen, Luzia Ravagnani Abbud, afirma que o foco nos professores como mediadores é o que fará a diferença. “Considerar o relacionamento entre pais e alunos é fundamental para criar um clima de paz que irá beneficiar toda a sociedade, além de resgatar alguns valores que já estavam perdidos”, comenta Luzia.

Como vereador representante da Câmara Municipal de Ribeirão Preto, Maurício Gasparini, ficou surpreso com a audácia do projeto. “A adesão dos jovens  no evento de lançamento foi enorme. Toda ação que objetiva fomentar a cultura de paz e o relacionamento entre as instituições e o poder público só tende a alcançar o sucesso”, observa.

Ao tratar a realidade dos jovens infratores, um dos focos do projeto, Guilherme Astolf, representante da Fundação Casa, mostra-se entusiasmado. “A falta de oportunidade faz com que os jovens sejam encaminhados para a Instituição, porém é preciso olhar com mais atenção à vida. Eles precisam de oportunidades”, alerta Guilherme.

A secretária da assistência social, Maria Sodré, é testemunha dos altos índices de violência na cidade e o RAFI chega para integrar uma equipe que irá transformar positivamente esses números. “Somos testemunhas da carência desses jovens e o movimento é forte para mudar essa realidade”, expressa.



Revide On-line
Texto: Cristiane Araújo
Fotos: Carolina Alves

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