Protagonistas da História
Neste Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, relembre quem foram — ou são — alguns dos ícones femininos que, de uma forma ou de outra, deixaram marcas significativas na sociedade
Não acredito que existam qualidades, valores, modos de vida especificamente femininos: seria admitir a existência de uma natureza feminina, quer dizer, aderir a um mito inventado pelos homens para prender as mulheres na sua condição de oprimidas. Não se trata para a mulher de se afirmar como mulher, mas de tornarem-se seres humanos na sua integridade”. A frase de Simone de Beauvoir, contida na obra “O segundo sexo”, de 1949, provoca imediatamente uma reflexão sobre a condição social da mulher. Ainda que tenha sido escrita há quase 70 anos, a afirmação de Beauvoir, uma das mais influentes autoras e filósofas de seu tempo, especialmente quando o tema é o feminismo, provoca discussões muito atuais. Isso porque, por estar em constante movimento, a sociedade, assim como a figura feminina nela inserida, ganha novos contornos o tempo todo.
A socióloga e professora universitária, Mônica Alário, recorda que o movimento feminista lutou — e ainda luta —, essencialmente, pelos direitos das mulheres, como a implementação de políticas públicas que melhorem a vida delas, as garantias de proteção contra a violência doméstica e o feminicídio, ou até mesmo por creches públicas de qualidade. Mais do que isso, a luta passa, primeiro, pelo reconhecimento e pelo respeito. “Embora de forma tímida, é possível afirmar que, no Brasil, houve avanços importantes em relação ao papel da mulher na sociedade nos últimos anos. Elas estão mais presentes, por exemplo, em cargos de chefia das mais diversas áreas, incluindo a política”, observa Mônica.
Girando os ponteiros do relógio um pouco mais para trás, vale ressaltar a conquista do direito delas ao voto. A voz diante das urnas passou a ser ouvida depois de muitas batalhas, como retrata o filme “As sufragistas”. “Outro momento da história recente que eu destacaria foi a conquista da emancipação feminina, a partir de 1968, representada pelo episódio da ‘Queima dos sutiãs’. De acordo com a filósofa norte-americana Nancy Frases, a luta das mulheres possui duas frentes principais: a luta pelo reconhecimento dos seus direitos e por redistribuição, inclusive de renda e de oportunidades, com o intuito de se chegar a uma sociedade mais justa entre homens e mulheres”, esclarece a socióloga.
A especialista acrescenta, ainda, que a figura feminina exerce um papel extremamente importante na sociedade atual. Apesar de carregar consigo uma herança que a colocou numa posição secundária, hoje, como resultado de muitas batalhas, exerce, cada vez mais, seu papel de protagonista, senhora da própria história e de seu destino. “É inquestionável a maciça presença feminina no mercado de trabalho e nas universidades, assim como ocupando cargos de liderança em organizações públicas e privadas. O problema é que elas ainda acumulam múltiplas funções, tanto trabalhistas quanto maternais e domésticas, ficando sobrecarregadas”, destaca.
O fato é que mulheres como Emmeline Pankhurst, líder do movimento feminista britânico e fundadora da Liga para o Sufrágio Feminino em 1889; Joana D’Arc, heroína francesa que foi santificada pela Igreja Católica; Indira Gandhi, grande política, estrategista e pensadora indiana; Irmã Dulce, que dedicou a vida a ajudar aos outros, Zuzu Angel, que usou a moda como ferramenta de protesto após a morte de seu filho durante a Ditadura Militar, entre tantas outras figuras atuais são consideradas ícones que representam a trajetória e a conquista da mulher. “Essas mulheres nos apontam um caminho possível de vitórias não apenas na vida profissional mas também na pessoal. O que nos leva a crer que a mulher, que durante séculos teve um papel rigidamente estabelecido na sociedade, continua a romper barreiras, lutando bravamente por respeito, equidade, representatividade, companheirismo, empatia e, porque não dizer, pela felicidade”, frisa a socióloga.
Refletir sobre a trajetória de mulheres que, de uma forma ou de outra, modificaram a história e deixaram sua assinatura em seu tempo pode ser um bom ponto de partida para abordar novamente a questão da representatividade feminina. Essa é, justamente, a proposta da Revide neste Dia Internacional da Mulher.
Por que 8 de março?
A data foi escolhida a partir da manifestação de mulheres operárias, nos Estados Unidos, por melhores condições de trabalho. O movimento, ocorrido no dia 8 de março de 1857, foi duramente reprimido. Além da violência, um incêndio na fábrica onde ocorria a manifestação causou a morte de mais de 100 operárias. Décadas depois, a data foi oficialmente declarada Dia Internacional da Mulher.
As Eleitas

Por meio de um breve perfil, conheça as 16 homenageadas das convidadas da Revide e confira por que elas ganharam destaque em meio às inúmeras personalidades femininas que, de uma forma ou de outra, fizeram — e fazem — história.
Maria, mãe de Jesus: chamada pelos católicos e ortodoxos de Nossa Senhora, foi identificada na Bíblia e no Alcorão como a mãe de Jesus pela intervenção divina. Sua história é marcada por ser uma mulher forte e silenciosa.
Grace Kelly (1929-1982): contemplada com um Oscar de Melhor Atriz pelo filme “Amar é Sofrer”, em 1954, a estrela renunciou à carreira artística para se casar com o príncipe de Mônaco, Rainier III.
Margaret Thatcher (1925 - 2013): primeira mulher a ocupar o cargo de primeiro-ministro da Grã-Bretanha, a “Dama de Ferro” sobressaiu-se pela clareza de seus discursos e pelos pulsos firmes.
Elizabeth Taylor (1932-2011): a estrela de Hollywood iniciou a carreira aos 10 anos e recebeu o Oscar de Melhor Atriz em duas ocasiões; Liz casou-se oito vezes e teve quatro filhos.
Elza Soares (1930): também conhecida por ser a companheira de Garrincha, jogador de futebol que integrou o time campeão da Copa do Mundo de 1962, foi eleita “a cantora brasileira do milênio” pela Rádio BBC, de Londres.
Jacqueline Kennedy (1926 - 1994): famosa pela elegância, pela coragem e pela persistência, ficou conhecida como a primeira-dama perfeita por ter ajudado a transformar seu marido, John Kennedy, em uma lenda da política.
Audrey Hepburn (1929-1993): a atriz belga, também conhecida por sua atuação humanitária, ficou marcada por clássicos do cinema, como “A Princesa e o Plebeu” e “A Bonequinha de Luxo”.
Cora Coralina (1889-1985): a poetisa e cronista brasileira publicou seu primeiro livro aos 75 anos, tendo recebido diversas homenagens e prêmios com as obras que se seguiram.
Clarice Lispector (1920-1977): de origem judia, a escritora e jornalista que nasceu na Ucrânia e naturalizou-se brasileira figura na lista dos mais importantes escritores do século XX.
Madre Mazzarello (1837 - 1881): inspirada pela providência divina para secundar São João Bosco no trabalho com a juventude, fundou o ramo feminino dos Salesianos tornando-se referência para as filhas de Maria Auxiliadora.
Estée Lauder (1908 - 2004): a cosmetologista e empresária norte-americana foi consagrada pelo jornal The Times como “gênio do negócio mais influente do século”, deixando como herança um real império da beleza.
Sophia Loren (1934): considerada uma atriz à frente do seu tempo e de uma beleza exuberante, a italiana fez sucesso em Hollywood e possui diversas estatuetas no currículo.
Glória Maria (1949): com espírito aventureiro, a jornalista da Rede Globo passou por diversos jornais e ficou conhecida pelas reportagens especiais em lugares exóticos.
Priscilla Presley (1945): ex-esposa de Elvis Presley e mãe da cantora Lisa Marie Presley, Priscilla rouba a cena pela elegância, pelo olhar marcante e pela personalidade forte.
Frida Kahlo (1907-1954): a sucessão de problemas de saúde enfrentados ou o relacionamento conturbado com Diego Rivera não foram capazes de tirar a força da obra da pintora mexicana — pelo contrário.
Princesa Diana (1961 - 1997): conhecida pelos trabalhos filantrópicos, a primeira esposa do príncipe Charles tinha a discrição e o carisma como principais características.
Texto: Pâmela Silva | Foto: Julio Sian