Proteção avançada
Pesquisadora descobre filtro solar à base de fosfato de cério, mais eficaz que os normalmente utilizados, licenciado por uma empresa do Rio de Janeiro
Um tempo atrás, mais precisamente antes de 1980, os brasileiros frequentavam a praia, a piscina e se expunham ao sol sem usar filtro solar porque o produto ainda não havia sido introduzido no mercado e nem fazia parte dos hábitos e necessidades da população. Hoje, 30 anos depois da chegada dos primeiros protetores solares, pode-se dizer que o consumo ainda não atingiu uma porcentagem considerável de consumidores, apesar dos males que a exposição exagerada ao sol causam, principalmente em horários de alta incidência de raios ultravioleta (UV).
Segundo uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), apenas 32% da população que tem vida ativa e que se expõe com frequência ao sol consome protetores solares. Isso provoca o aumento da incidência de câncer de pele — que representa 25% dos casos de câncer no Brasil, segundo dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) —, envelhecimento precoce, além de manchas e queimaduras. Esses são sérios motivos que deveriam conscientizar as pessoas a usarem o filtro solar ou, ao menos, saberem da importância do produto.
Pensando na saúde das pessoas e na expansão do mercado de protetores solares, estão sendo realizados muitos estudos e testes científicos nessa área. Um exemplo disso são as pesquisas desenvolvidas a partir de 2006 no Laboratório de Terras Raras, do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, que identificaram um novo filtro solar à base de fosfato de cério.
Segundo a pesquisadora Juliana Fonseca de Lima, orientada no doutorado pelo professor Osvaldo Antonio Serra, a descoberta traz vantagens sobre os produtos normalmente utilizados, como óxidos de zinco e de titânio — filtros inorgânicos. “O fosfato de cério é um pó branco, que facilita na combinação com cosméticos. Provei que, quimicamente, ele pode ser usado. Além de realmente ter mais capacidade para absorver a radiação ultravioleta, tem grande estabilidade e uma atividade fotocatalítica menor que os outros compostos inorgânicos. Isso significa que degrada menos o meio orgânico na presença de luz e de calor. Portanto, agiria como antioxidante na pele”, explica ela.
As pesquisas em torno do fosfato de cério começaram em 2006, quando Juliana estava no segundo ano da faculdade de Química, na USP, e terminaram em 2008. Em seguida, houve o pedido de registro da patente no Instituto Nacional de Pesquisa Industrial (INPI). “O trabalho levou dois anos, incluindo diversos processos, entre eles síntese dos materiais, buscas em literatura, aprimoramentos, até conseguir a estrutura e as propriedades desejadas. Durante esse tempo, já havíamos percebido que o fosfato de cério é um bom material, mas continuamos investigando até concluirmos sua real eficácia como filtro solar”, conta a pesquisadora, que além da orientação do professor Serra, teve a participação de Cláudio Roberto Neri no desenvolvimento do estudo. “Quando entrei no grupo, o objetivo já era a descoberta de um novo filtro solar. Fiquei apaixonada pelo projeto, pois além de estar no começo da faculdade, tratava-se de uma área ligada a cosméticos e aplicação, na qual tenho muito interesse”, revela Juliana.
Após a obtenção da patente, a descoberta foi divulgada e a empresa de cosméticos Silvestre Labs, do Rio de Janeiro, se interessou por ela, conseguindo a licença para o uso do produto este ano. Segundo Juliana, a princípio, o fosfato de cério pode ser aplicado em cosméticos como cremes, sprays, xampus, loções, condicionadores e outros materiais. “Essa empresa vai fazer testes do fosfato de cério em formulações cosméticas e habilitar o uso na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)”, ressalta a pesquisadora, esclarecendo que o prazo de aplicação do produto no corpo humano ainda deverá ser testado pela empresa responsável pelo seu traz vantagens sobre os produtos normalmente utilizados, como óxidos de zinco e de titânio — filtros inorgânicos. “O fosfato de cério é um pó branco, que facilita na combinação com cosméticos. Provei que, quimicamente, ele pode ser usado. Além de realmente ter mais capacidade para absorver a radiação ultravioleta, tem grande estabilidade e uma atividade fotocatalítica menor que os outros compostos inorgânicos. Isso significa que degrada menos o meio orgânico na presença de luz e de calor. Portanto, agiria como antioxidante na pele”, explica ela.
As pesquisas em torno do fosfato de cério começaram em 2006, quando Juliana estava no segundo ano da faculdade de Química, na USP, e terminaram em 2008. Em seguida, houve o pedido de registro da patente no Instituto Nacional de Pesquisa Industrial (INPI). “O trabalho levou dois anos, incluindo diversos processos, entre eles síntese dos materiais, buscas em literatura, aprimoramentos, até conseguir a estrutura e as propriedades desejadas. Durante esse tempo, já havíamos percebido que o fosfato de cério é um bom material, mas continuamos investigando até concluirmos sua real eficácia como filtro solar”, conta a pesquisadora, que além da orientação do professor Serra, teve a participação de Cláudio Roberto Neri no desenvolvimento do estudo. “Quando entrei no grupo, o objetivo já era a descoberta de um novo filtro solar. Fiquei apaixonada pelo projeto, pois além de estar no começo da faculdade, tratava-se de uma área ligada a cosméticos e aplicação, na qual tenho muito interesse”, revela Juliana.
Após a obtenção da patente, a descoberta foi divulgada e a empresa de cosméticos Silvestre Labs, do Rio de Janeiro, se interessou por ela, conseguindo a licença para o uso do produto este ano. Segundo Juliana, a princípio, o fosfato de cério pode ser aplicado em cosméticos como cremes, sprays, xampus, loções, condicionadores e outros materiais. “Essa empresa vai fazer testes do fosfato de cério em formulações cosméticas e habilitar o uso na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)”, ressalta a pesquisadora, esclarecendo que o prazo de aplicação do produto no corpo humano ainda deverá ser testado pela empresa responsável pelo seu desenvolvimento industrial. Ela ressalta, ainda, que a aplicação do cério, em geral, é feita como substância de polimento de vidros, sensor de gás, absorvedores da radiação ultravioleta, suportes ou promotores catalíticos em reações de conversão para exaustão de gases para automóveis.
Disciplina e comprometimento
Quem olha para Juliana, ou apenas conversa com ela, não imagina que por trás do jeito doce e tímido, e da voz baixa e calma, há uma mulher tão decidida e engajada. Com apenas 24 anos, a pesquisadora iniciou a vida profissional com grandes conquistas, a começar pelo ingresso em uma faculdade tão gabaritada e, depois, com este trabalho, que certamente será um marco para sua carreira. A pesquisa também deu vida à tese de doutorado, que já está em fase final. “A tese é sobre materiais à base de cério com capacidade de absorver raios UV”, conta Juliana, que pretende continuar na área de pesquisas, mas ainda não decidiu se segue a carreira acadêmica ou se busca oportunidade no setor industrial. Apaixonada por Química desde adolescente, a pesquisadora conta que sempre foi uma pessoa disciplinada. “Resolvi cursar Química no meu primeiro contato com a matéria. A partir daí, estudei muito e foquei nisso. No vestibular, só prestei exames para o curso de Química”, relembra Juliana.
Tanto interesse, comprometimento e competência fizeram com que fosse aceita no laboratório do professor Osvaldo Serra para integrar o grupo de pesquisas. “Durante toda a faculdade, tive o privilégio de ter a prática nas pesquisas. Quando se faz pesquisas com aplicação temos a oportunidade de, um dia, ver o que foi feito dentro do laboratório na prateleira do supermercado. Além disso, o trabalho ajuda no desenvolvimento para o próprio país ou até para o mundo. Gosto muito de pesquisa e estou feliz com o resultado. Dois anos de trabalho parece muito tempo, mas conseguimos desenvolver um novo material que produziu uma inovação. Hoje, fala-se bastante em proteção solar, em câncer de pele, então estamos lidando com a saúde das pessoas. Espero realmente uma confirmação industrial contendo meu filtro, não só no protetor solar, mas em diversos outros produtos”, conclui Juliana.
Texto: Marina Rezende
Fotos: Julio Sian