Próteses não causam câncer de mama
Tem se debatido muito na mídia, principalmente a sensacionalista, que existe uma associação entre próteses de mamas e câncer de mama
Tem se debatido muito na mídia, principalmente a sensacionalista, que existe uma associação entre próteses de mamas e câncer de mama. Esta discussão, que já é bastante antiga, foi novamente colocada e pauta após alguns relatos clínicos na literatura médica mundial apontarem para o surgimento de um tipo raríssimo de linfoma em algumas pacientes com próteses de mamas, o chamado ALCL (Linfoma Anaplásico de Células Grandes). Só para se ter a ideia de quão rara esta doença é, o National Cancer Institute, nos Estados unidos, estima a frequência de 3 casos para cada 100.000.000 (cem milhões) de mulheres por ano.
O câncer de mama, doença que assusta muito todas as mulheres, para ser primário da mama, deve vir da glândula mamária, sejam seus lóbulos ou seus ductos. E já é ponto pacífico na literatura médica que este tipo de câncer não sofre influência alguma da presença das próteses.
O linfoma em questão, na verdade, não surge da glândula mamária, mas, sim, na cápsula que é formada ao redor da prótese. Não sendo, portanto, por definição, um câncer de mama e, sim, tendo origem em um outro tipo celular. É uma reação inflamatória crônica ao implante que causa esse tipo de neoplasia. O quadro clínico desse tumor se apresenta como um seroma tardio (líquido ao redor da prótese), podendo ser associado a uma massa palpável, que não melhora com medidas clínicas. Mesmo assim, é importante frisar que, mesmo os seromas tardios, comuns em algumas pacientes, costumam, na imensa maioria, serem benignos. O diagnóstico é feito com base em exames laboratoriais e biópsia e o tratamento normalmente requer remoção do implante, com capsulectomia (limpeza da capsula ao redor da prótese). O prognóstico costuma ser excelente, muito diferente do câncer de mama primário, cujo prognóstico depende muito do estágio (fase de evolução).
A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, em comunicado oficial do mês de abril de 2019, ressalta que em todo o Brasil há apenas 10 casos notificados até o momento e que não há nenhum motivo para maiores alardes. Existem comissões científicas e forças-tarefas em todo o mundo, incluindo o Brasil, estudando esse assunto, e não há nenhuma evidência científica para limitar a utilização de implantes mamários.
Portanto, é importante que tanto os cirurgiões plásticos e médicos em geral, como os pacientes, fiquem alertas e cientes sobre esta enfermidade, mas sem criar sensacionalismos desnecessários. Para a imensa maioria das pacientes, apenas o acompanhamento normal das mamas, com exames clínicos e imagens (mamografia e ultrassom), é o suficiente para a segurança — tendo implantes mamários ou não. Na dúvida, procure seu cirurgião plástico ou mastologista.

Endrigo Pontelli
Cirurgião plástico - CRM 108.537