Protesto na educação
Ato contra o corte de verbas nas universidades brasileiras reúne cerca de 4 mil pessoas em Ribeirão Preto
O ato contra o bloqueio de verbas do Governo Federal na educação reuniu cerca de 4 mil pessoas no final da manhã de quarta-feira, 15 de maio, na Esplanada do Theatro Pedro II, no Centro de Ribeirão Preto. A manifestação começou nas primeiras horas da manhã, em frente aos três portões da Universidade de São Paulo (USP). Alunos e professores seguiram em marcha da Avenida do Café até a região central. A paralisação, pacífica, foi acompanhada pela Polícia Militar e por agentes de trânsito da Transerp.

Segundo Annie Schmaltz, diretora da Associação dos Docentes da USP de Ribeirão Preto, o ato é uma resposta ao bloqueio de 30% na verba a universidades federais anunciado pelo Governo Federal e à suspensão de bolsas de pós-graduação anunciados pelo Ministério da Educação (MEC). “Isso impacta diretamente as universidade, como a manutenção de prédios, por exemplo. Já o anúncio de semana passada, dos cortes no Capes, atingem diretamente a ciência e tecnologia no Brasil. A USP, nesse sentido, foi fortemente atacada” explica.
A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) é uma fundação vinculada ao Ministério da Educação e que atua na expansão e consolidação da pós-graduação em todos os estados do país. Na quarta-feira, 8 de maio, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) comunicou a suspensão da concessão de novas bolsas de mestrado e doutorado de fundação. A medida veio uma semana depois de o MEC anunciar o contingenciamento de 30% das verbas das universidades federais.

No dia seguinte, 9 de maio, Anderson Ribeiro Correia, presidente da Capes, explicou que, o “bloqueio preventivo” seria aplicado a 3.474 bolsas. Já outras 1.324 bolsas de pesquisadores que cursam pós-graduação fora do Brasil, ou de mestrandos e doutorandos matriculados em programas com nota 6 e 7, que também haviam sido bloqueadas, seriam reabertas. “Hoje, 95% da pesquisa brasileira é feita por pós-graduandos. Nossa função, além de ensinar e formar profissionais, também é produzir ciência e conhecimento. Redução em pesquisa é redução em investimento. Cortar em pesquisa e educação destrói o país”, diz Eurico Arruda, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Para o estudante de psicologia Leonardo Mantoani, de 24 anos, a proporção do movimento mostra a importância da universidade pública no país. “É um movimento muito bonito. Um Brasil sem pesquisa é um Brasil sem nada. Somos referência em muitas áreas e esses cortes ameaçam isso”, afirma.
Texto: Pedro Gomes || Fotos: Luan Porto.