Protesto reduz sessão da Câmara

Protesto reduz sessão da Câmara

Manifestantes protestaram contra o reajuste de subsídios dos vereadores; presidente disse que não haverá revogação

Uma manifestação realizada na noite desta quinta-feira, na Câmara Municipal, reduziu o tempo da sessão ordinária e praticamente eliminou o Pinga Fogo, um espaço utilizado pelos vereadores para discursar.

Às 18h45, após apenas um dos inscritos – Beto Cangussú (PT) - no Pinga Fogo falar na tribuna, o presidente da Mesa Diretora, Walter Gomes (PR), declarou encerrada a sessão. A cada sessão metade dos vereadores tem direito de utilizar o espaço reservado ao debate.

O protesto reuniu cerca de 30 pessoas nas galerias da Câmara com faixas e cartazes. O terceiro e último grupo que chegou à Câmara teve dificuldades para entrar no prédio e houve discussão com porteiros, guardas municipais e assessores da Câmara.

Nas galerias, alguns manifestantes amarraram lenços no rosto, como uma espécie de máscara, mesmo tendo a Câmara aprovado uma lei que proíbe o uso de máscaras em manifestações.

Depois do encerramento da sessão, alguns integrantes do protesto ainda conversaram com os vereador André Luiz da Silva (PCdoB) e Beto Cangussú (PT), que buscaram explicar que o reajuste é legal.

Por alguns instantes o debate foi ríspido por parte dos manifestantes. “Eles estão no papel deles, mas os vereadores não podem também concordar com todas as opiniões da população. Se não tivesse salário eu seria vereador do mesmo jeito”, disse Beto Cangussú.

André disse que a maioria nem queria dialogar. “O protesto é legal, mas falta qualidade do debate. Tentei expor minha visão. Eles disseram que os vereadores não trabalham e eu disse que trabalho e muito”, afirmou.

Sem retorno

Walter Gomes assegurou, logo após a sessão, que não há qualquer possibilidade de revogação do reajuste nos subsídios, que ele considera legal. Sobre um inquérito aberto pelo Ministério Público, que considera a medida inconstitucional, ele disse que acatará qualquer decisão judicial. “Se a Justiça decidir que não é devido, vamos acatar”, disse.

Quanto aos protestos, o presidente do Legislativo disse que eles podem ocorrer normalmente. “Só não vamos aceitar mascarados. Quem quiser que proteste de cara limpa. Toda vez que tiver mascarados, vamos pedir, com educação, que saiam. Se não saírem encerraremos a sessão”, comentou.

Revide Online
Texto: Guto Silveira
Fotos: Divulgação

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