Queda na produção
Os canaviais envelhecidos e o clima árido foram as principais causas da queda na produção de cana de acúcar em 2011
No dia 13 de dezembro, Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), juntamente com a diretoria da entidade, fará um balanço das atividades produtivas de cana do ano e das perspectivas para 2012. Sérgio Prado, representante da Unica em Ribeirão Preto e região, estima uma redução de até 15% no volume total da cana processada, um total de 486 milhões de toneladas.
Até outubro, a quantidade de cana-de-açúcar moída pelas unidades produtoras da região Centro-Sul do Brasil, somou 459,56 milhões de toneladas, contra 501,23 milhões no mesmo período da safra anterior. No acumulado mensal, o recuo foi de 17,6%, com moagem de 46,43 milhões de toneladas em outubro, contra 56,35 milhões no mesmo mês de 2010.
Os canaviais envelhecidos e o clima árido, segundo Sérgio, foram as principais causas da queda na produtividade. Segundo o representante, um canavial produz, em média, 110 toneladas de cana por hequitare (ha) até o quinto corte. Depois disso, a produtividade cai para algo em torno de 70 a 80 toneladas. Sem chuvas nos períodos de amadurecimento da planta, a quantidade de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) por tonelada de matéria-prima também ficou abaixo das expectativas.
Para o produtor Silvio Lovato, de Sertãozinho, a falta de cuidados na colheita mecanizada contribuiu para a quebra da safra que, segundo ele, deve ficar entre 10% e 15%. “Por causa das metas a serem cumpridas e da falta de cuidados, as colheitadeiras danificam as soqueiras, prejudicando o desenvolvimento das novas plantas”, reclama Silvio, que já iniciou a renovação de 20% de suas terras, onde a cana deu lugar à soja.
Falta Política Pública
Especialistas estimam que, até 2020, mais de 80% da frota brasileira de automóveis terá a tecnologia flex, mas, segundo o presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Marcos Jank, isto de nada adiantará se não houver políticas públicas de suporte ao etanol, que permitam mais competitividade com a gasolina.
Jank mostrou que, em janeiro de 2002, a participação dos impostos sobre o preço da gasolina na bomba era de 47%; hoje, não passa de 35%. No mesmo período, a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) declinou de 14% em outubro para 2,6%, em outubro de 2011. “São Paulo deu o melhor exemplo, ao baixar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços (ICMS) para 12%, enquanto em outros estados as reduções são tímidas”, analisa o presidente da entidade.
O executivo defende, ainda, a expansão da bioeletricidade, gerada por meio da queima do bagaço de cana. “Temos nos canaviais o equivalente a três usinas de Belo Monte em energia limpa, o que proporcionaria uma redução de 46 milhões de toneladas de gás carbônico emitidos em um ano”, acrescenta Jank.