Questão de conscientização
Apenas 1% das 600 toneladas de lixo recolhidas por dia tem como destino a coleta seletiva
Entre os municípios brasileiros, não chega a 20% o índice dos que possuem algum tipo de separação do lixo para reciclagem, segundo dados da pesquisa Índices de Desenvolvimento Sustentável, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Ribeirão Preto faz parte dessa pequena fatia. O sistema de coleta seletiva foi implementado na cidade em 1991.
Quando o método foi implantado, foram elaboradas campanhas informativas para que a população entendesse o propósito e contribuísse com a causa. Desde 1998, o serviço de recolhimento de produtos recicláveis, como embalagem tetrapark, papel, papelão, plástico, vidro e metal, é feito pela Leão Ambiental. A reciclagem fica por conta da Cooperativa Mãos Dadas, fundada em julho de 2008.
No início, o resultado parecia próspero. Porém, hoje, a realidade se mostra bem diferente. Alguns impasses entre a Prefeitura, a empresa terceirizada e a cooperativa chegaram a interromper o serviço de reciclagem na cidade. Além disso, a quantidade de material reciclável em Ribeirão Preto é bastante reduzida. De acordo com a prefeitura, 1% das 600 toneladas de lixo recolhidas por dia tem como destino a coleta seletiva. De acordo com a Coordenadoria de Limpeza Urbana de Ribeirão Preto, este ano, 27 dos cerca de 160 bairros da cidade são atendidos por caminhões da coleta seletiva, mas este número pode aumentar com a Parceria Público-Privada (PPP) do lixo.
Atualmente, a Prefeitura gasta R$ 79 milhões no setor, mas a PPP tem como meta ampliar alguns serviços, como limpeza pública e coleta seletiva de lixo. A PPP prevê atender mais da metade da população de Ribeirão Preto com o serviço de coleta seletiva após oito anos, uma medida obrigatória para a empresa que conseguir a concessão do serviço. A ideia era que a iniciativa fosse firmada em maio deste ano, no entanto, a licitação ainda não foi feita.
Em 2012, Ribeirão Preto perdeu um repasse de verba do Ministério do Meio Ambiente (MMA) para a elaboração de um plano de coleta seletiva. O município foi pré-selecionado pelo governo federal e figurava entre 153 cidades que poderiam receber a ajuda, caso elaborasse um projeto executivo de triagem do lixo reciclado. De acordo com o Plano de Incentivo à Coleta Seletiva do governo federal, as cidades com mais de 500 mil moradores, como é o caso de Ribeirão Preto, tem direito a até R$ 600 mil para investir na coleta seletiva de lixo. Porém, o projeto não foi apresentado.
Duarte Nogueira (PSDB)
“O sistema de coleta seletiva funciona de forma precária — em apenas 10% dos bairros há alguma estrutura e isso representa apenas 1% do volume de resíduo produzido. E não há organização — o lixo separado nas casas volta a ser misturado durante o seu recolhimento, que também não tem frequência definida. Faltam projetos e estímulo às cooperativas de catadores. A cidade, por exemplo, perdeu R$ 600 mil do Ministério do Meio Ambiente para a coleta seletiva porque a prefeitura não apresentou projeto. E a Lei de Resíduos Sólidos, enviada à Câmara pelo Executivo e muito criticada pela sociedade, está na contramão do desenvolvimento sustentável e precisa ser melhorada. Em relação à coleta seletiva, por exemplo, a lei não prevê incentivos à inclusão social dos catadores, organizados em cooperativas, e estabelece o atendimento de 70% da população em 20 anos.”
Chiarelli (PT do B)
A coleta seletiva de lixo, além de gerar renda para as pessoas e economia para as empresas, significa uma grande vantagem para o meio ambiente, diminuindo a poluição dos solos, dos rios e do Aquífero Guarani. Os recicláveis (papéis, plásticos, metais e vidros) serão separados do lixo orgânico (restos de carne, frutas, verduras e outros alimentos). Existem indústrias que reutilizam esses materiais para a fabricação de nova matéria-prima ou, até mesmo, de outros produtos. Pilhas, baterias comuns e de celular, medicamentos e lâmpadas fluorescentes necessitam de descartes especiais. O lixo hospitalar também, pois costuma estar infectado com grande quantidade de vírus e bactérias. Nenhum dos últimos prefeitos se importou com isso. Vamos resolver a questão, gerando mais qualidade de vida e menos doenças para a população. Mais informações no site www.chiarelli.blog.br.”
Emilson Roveri (PSOL)
“Ribeirão Preto patina no setor de coleta seletiva de lixo. Apenas 1,2% do lixo produzido por dia na cidade é reciclado. Porém, o valor gasto por tonelada do serviço é muito maior do que em municípios onde a coleta abrange quase 100% dos moradores. Somente atendendo à Política Nacional de Resíduos Sólidos poderemos receber incentivos e financiamentos de órgãos federais de crédito e fomento. Nesse sentido, o PSOL se compromete a cumprir a lei, fazendo com que a coleta regular de lixo comum seja terceirizada e a coleta seletiva, municipalizada, com foco na inclusão social de catadores em toda a coleta seletiva, ficando associações e cooperativas responsáveis por 100% da coleta seletiva e que esta ocorra em dias específicos para a coleta do lixo seco e do lixo úmido. Na próxima Revide, será apresentada alternativa tecnologicamente sustentável para o tratamento do lixo.”
Dárcy Vera (PSD)
“Ribeirão Preto criou, este ano, a Lei Municipal de Saneamento Básico, com quatro eixos: resíduos sólidos, água, esgoto e drenagem. Está em discussão com o Ministério Público, a população e técnicos da Prefeitura o primeiro eixo, que prevê a destinação correta de todos os resíduos da cidade. Atualmente, Ribeirão Preto faz a coleta seletiva em 27 bairros, equivalente a 1% do total, seguindo o contrato da antiga administração. Com a nova lei, o município receberá gradativamente a coleta de todos os bairros, além dos pontos fixos que serão espalhados. As ações começaram esta semana com a implantação de um programa piloto em seis bairros: Vila Tibério, Castelo Branco, Vila Virgínia, Manoel Penna, Jardim Irajá e Centro. As residências destas regiões receberam sacos de lixo de coloração diferenciada para deposição dos materiais, que serão encaminhados à Cooperativa Mãos Dadas”.
João Gandini (PT)
“Se o tema é coleta seletiva, temos que levar em conta que o consumo do ribeirãopretano produz a quantia de 600 toneladas diárias de lixo, além dos entulhos gerados pela construção civil, que cresce dia a dia. Esse lixo leva tempo para ser eliminado na natureza, mas pode ser transformado em complexo sócio-econômico rentável. Faremos convênios com empresas, igrejas, ONGs, associações de bairro, etc., visando à criação de conselhos de Meio Ambiente específicos para maximizar os resultados. Temos pressa! Formaremos nove centros regionais de capacitação para cooperados de reciclagem de lixo, gerando inúmeros empregos para catadores organizados bairro a bairro. Implantaremos coletas seletivas atreladas a centrais de triagem de material reciclável e promoveremos postos de coleta organizados. Uma nova atitude de uma cidade no século XXI
Mauro Inácio (PSTU)
“Constatamos que de 2007 ao primeiro semestre de 2012, a Prefeitura repassou à Leão & Leão (responsável pelos serviços de limpeza urbana, incluindo a coleta de lixo) R$ 93 milhões, mas os resíduos da coleta seletiva atingiram apenas 0,75% da coleta geral. Os dados comprovam que o PSTU está correto ao defender a estatização dos serviços públicos. As empresas privadas buscam apenas o lucro; não se preocupam com o meio ambiente. Os candidatos que têm compromissos políticos com essa empresa defendem a continuidade da terceirização desse serviço via Parceria Público-Privada, o que resulta em prejuízo para o meio ambiente. Não é por acaso que a Leão & Leão faz grandes doações às campanhas dos candidatos de sua confiança. O PSTU não aceita dinheiro de empresas, por isso pode defender a estatização dos serviços de limpeza urbana e a coleta seletiva para 100% da cidade.”