Redução de antiplaquetários é possível
Estudo aponta que uso de antiplaquetários em pacientes com stents pode reduzir de 12 para 3 meses; riscos de trombose são menores
Um grupo de pesquisadores revelou, após dois anos de estudo, que o uso de antiplaquetários em pacientes que recebem stents farmacológicos durante angioplastias apresenta eficácia em apenas três meses.
O uso de antiplaquetários (remédios usados para evitar a ativação e acúmulo de plaquetas), cujo período normal é de 12 meses, pode trazer risco de hemorragias aos pacientes, principalmente idosos e diabéticos, que estão sujeitos a uma angioplastia coronariana.
O estudo, desenvolvido entre 2010 e 2012 e que contou com a participação do professor José Antônio Marin Neto, da Faculdade de Medicina da USP Ribeirão Preto, mostrou que a redução de 12 para três meses diminui os riscos de trombose, por exemplo, em pacientes que recebem a implantação de um stent farmacológico.
Os stents são dispositivos semelhantes a pequenas molas, implantados na corrente sanguínea para tratamentos de doença arterial coronariana. Essas ‘molinhas’ de metal são usadas em angioplastias para desentupir artérias do coração, rins, cérebro e outros vasos sanguíneos.
Um paciente que tem um stent farmacológico implantado durante uma angioplastia corre o risco de desenvolver trombose, e tudo isso graças ao longo período de uso dos antiplaquetários.
Porém, com a redução de 12 para três meses na aplicação de antiplaquetários, o paciente fica menos exposto ao risco da doença. Esse resultado só foi possível devido ao estudo que trabalhou com dois grupos com 1.550 pacientes cada (100 eram pacientes do Hospital das Clínicas da USP) e que recebiam antiplaquetários. Um grupo fez o tratamento pelo período de 12 meses enquanto o outro realizou o tratamento em apenas três.
“As análises estatísticas mostraram que o uso combinado dos dois remédios antiplaquetários pode ser interrompido, com segurança, após os três meses decorridos do implante desses stents farmacológicos”, afirmou o professor Marin Neto, segundo nota enviada pela assessoria de imprensa da USP Ribeirão Preto.
Contanto, o paciente que recebeu um stent farmacológico pode usar antiplaquetários por menos tempo que o método convencional. Isso, consequentemente, fará que o paciente esteja menos submetido à trombose e outras doenças.
O estudo é inédito e foi apresentado à comunidade científica durante um congresso internacional realizado no final de outubro em São Francisco, Estados Unidos.
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Texto: Fernando Belezine (Colaborador)
Fotos: Divulgação