Redução de áreas 'empurra' verticalização

Redução de áreas 'empurra' verticalização

Estudo aponta redução de terrenos disponíveis para a construção civil

O crescimento da construção civil em Ribeirão Preto aponta para uma redução considerável na oferta de terrenos livres para novas edificações. Um levantamento feito pelo Instituto de Economia Maurílio Biagi, da Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (Acirp) constatou a diminuição dos terrenos.

De acordo com o estudo, em 1966, para cada prédio construído existiam ainda três terrenos disponíveis. Em 1990, para cada imóvel construído em Ribeirão Preto existia pouco mais de meio terreno disponível (56%). Em 2014, o número saltou de três construções para apenas uma área para nova edificação. O fato pode ser explicado pelo crescimento de áreas licenciadas na cidade (veja quadro abaixo).

O levantamento foi feito com base em dados da Secretaria Municipal da Fazenda e aponta para a verticalização da construção civil quase de forma “imposta” pelo mercado, em função do aumento do valor do metro quadrado de área.

Para o coordenador do Instituto e responsável pelo levantamento, Vicente Golfeto, Dados como esse devem ser considerados na formatação – no caso agora, revisão – do Plano Diretor do Município. “Assim, o primeiro dado numérico a ser conhecido é o referente ao binômio terrenos – ou lotes – vazios, não construídos e o estoque de construções que a cidade tem”, aponta.

Golfeto comenta também que  os números mostram certa estabilidade no estoque de terras vazias localizadas dentro do perímetro urbano, enquanto o total de edificações tem crescido anualmente.

“Isto explica, em parte, a grande verticalização que se nota em Ribeirão Preto. Terreno é uma das três partes do custo final de uma construção. As outras duas são o preço dos materiais de construção e o preço da mão-de-obra. Quanto maior o preço do terreno, maior a verticalização da cidade”, diz.

A saída seria, segundo Golfeto, a criação de novos loteamentos para a redução do custo das áreas e, logo, da construção civil. “É preciso aumentar a quantidade de terrenos disponíveis, por meio de loteamentos aprovados pelos órgãos municipais. É o que está faltando, pelo menos no mesmo ritmo e na mesma velocidade que se nota, das construções”.

Ocupação de vazios

Para o diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon), Eduardo Nogueira, o levantamento aponta que os vazios urbanos estão sendo ocupados e que isso tem um fator positivo.

“[Com a ocupação] os serviços e estruturas sociais já existentes poderão ser usadas pela população. Em contrapartida os órgãos públicos deverão examinar as infraestruturas existentes e, se for o caso, amplia-la para esta demanda”, afirma.

O diretor do Sinduscon explica que o valor do metro quadrado de área aumentou nos últimos anos, mas não substancialmente. E a majoração no custo final de imóveis ocorreu por vários fatores, não apenas pela redução da oferta de terrenos. Além dos preços das áreas, concorreram para o aumento, como legislação exigente quanto à questão trabalhista, serviços com reajustes acima da inflação, novas normas de desempenho etc. “A sociedade como um todo cresce, exige melhorias e isto evidentemente impacta em custos”.

Eduardo Nogueira avalia que o mercado em Ribeirão Preto é competitivo e sempre áreas boas serão disputadas, o que deve ser considerado como dificuldades normais em um mercado crescente. Mas também considera que a situação está sob controle. “Entendo que Ribeirão Preto está bem servida em ampliação de áreas para construção. Diversos lançamentos de loteamentos estão sendo efetuados na cidade, portanto as opções serão boas para atender a demanda. Ribeirão Preto esta se tornando um polo regional e nosso setor acompanha esta evolução”.

Além do anel viário

Para o vice-presidente estadual do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Walter Alves Oliveira, há mesmo falta de terrenos disponíveis para a construção civil dentro do anel viário. “É preciso ‘estourar’ o anel viário”, afirma, numa alusão a ultrapassar a via que circunda a cidade.

Walter explica que a proporção entre imóveis construídos e terrenos disponíveis sempre existiu. “Mas antes não havia a velocidade (na construção civil) que existe hoje, por falta de financiamento. Antes, se um pai desse um terreno para o filho, ele ficava esperando a oportunidade para construir. Hoje ele busca financiamento e constrói”, exemplifica.

Ele cita ainda exemplos de locais da cidade que se desenvolveram em função da chegada de infraestrutura adequada, como o caso da Vila Abranches. “Enquanto era uma portinha ninguém 'dava bola'. Depois que melhorou as condições de acesso o bairro se desenvolveu”.

Outro setor que deve se desenvolver com rapidez é o que fica nas proximidades do trevão, que está sendo remodelado. Mas na região Sudoeste, nas proximidades da antiga usina Galo Bravo, os empreendimentos começam a acontecer. “Já há um grande empreendimento no local e eu mesmo devo construir lá 140 casas”, Diz Walter Oliveira.

Relação de imóveis construídos e lotes disponíveis

Exercício    Prédios       Terrenos     Total
1990           101.840      57.633        159.473    
1991           104.186      57.412        161.598
1992           106.321      58.284        164.605
1993           108.372      56.701        165.073
1994           110.104      55.922        166.026
1995           114.763      57.689        172.452
1996           116.674      56.813        173.487
1997           121.339      54.513        175.852
1998           128.164      59.436        187.600
1999           129.378      57.877        187.255
2000           135.073      58.719        193.792
2001           140.898      61.139        202.037
2002           147.975      59.289        207.264
2003           150.055      57.386        207.441
2004           154.112      55.206        209.318
2005           162.131      62.774        224.905
2006           172.328      56.799        229.127
2007           176.975      55.476        232.451
2008           183.287      52.855        236.142
2009           187.106      53.842        240.948
2010           191.687      53.210        244.897
2011           197.501      54.306        251.807
2012           204.387      52.617        257.004
2013           214.167      51.184        265.351
2014           225.123      49.734        274.857
Fonte: Secretaria Municipal da Fazenda de Ribeirão Preto

Área licenciada para a construção civil de 2001 a 2013

Ano            Metros Quadrados
2001           1.164.294
2002           1.048.416
2003           1.060.519
2004           1.130.944
2005           697.718
2006           910.077
2007           1.534.006
2008           2.525.247
2009           1.754.315
2010           2.656.696
2011           2.696.691
2012           2.116.371
2013             2.506.258
Fonte: Secretaria Municipal de Planejamento e Gestão Pública de Ribeirão Preto

Revide On-line
Texto: Guto Silveira
Fotos: Arquivo Revide 

 

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