Referência no Ensino de Medicina
Com três cursos privados e um público, Ribeirão Preto atrai recursos humanos e econômicos na área da Saúde, sustentando uma extensa rede de atuação em torno do desenvolvimento do segmento médico
A ampliação de vagas em cursos de Medicina, em todo o país, constitui uma das estratégias de longo prazo do programa “Mais Médicos”, criado pelo Governo Federal com o objetivo de garantir que o Brasil tenha 2,7 médicos para cada mil habitantes, até 2026, índice considerado ideal. Nesse sentido, Ribeirão Preto oferece uma contribuição significativa, pois conta com quatro cursos de graduação, um público e três particulares, o mais recente, da Estácio Uniseb, autorizado pelo Ministério da Educação (MEC) em julho do ano passado.
Importante polo formador de profissionais da área de Saúde, em tese, a cidade responde por colocar, todos os anos, quase 300 novos médicos em atuação. São 60 vagas abertas pelo Centro Universitário Barão de Mauá, outras 120 oferecidas pela Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp), 100 disponibilizadas pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) e 76 pela Estácio Uniseb. Isso sem contar outros cursos do setor de Saúde como Ciências Biomédicas, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Informática Biomédica, Nutrição e Metabolismo, Terapia Ocupacional, entre outros.
Além de atrair estudantes e docentes, essa referência proporciona à cidade a manutenção de uma rede diferenciada de Saúde, como dos hospitais voltados para o ensino e atendimento à população da cidade, região e, muitas vezes, de outros estados também. O Hospital das Clínicas, por exemplo, ligado à FMRP-USP responde por cerca de 670 mil atendimentos médicos anuais. A Santa Casa, hospital de ensino do Centro Universitário Barão de Mauá, realiza aproximadamente 168 mil atendimentos anuais.
O campo de atuação é vasto para estes novos profissionais. A medicina pode ser exercida tanto na rede pública de saúde do país quanto nos convênios médicos, em consultórios particulares, empresas privadas e indústrias ou mesmo em estabelecimentos de pesquisa e de ensino superior. Atualmente, os cursos dispõem da mais alta tecnologia na área de equipamentos e de recursos terapêuticos. A medicina está cada vez mais comprometida com a humanização dos serviços e com a atenção integral ao cidadão, valorizando o conceito ampliado de saúde, voltado para o bem-estar físico, psico e social do paciente.
Pioneirismo
Implantada em maio de 1952 em Ribeirão Preto, a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMRP-USP), no decorrer de sua história, tornou-se um conceituado centro formador de profissionais da área de Saúde, totalizando quase cinco mil médicos graduados dentro do perfil de profissional generalista, humanista, crítico e reflexivo.
Em 63 anos, foram realizadas muitas mudanças para acompanhar o sistema de saúde, o surgimento de diferentes doenças, a descoberta de novos medicamentos, entre outras interferências. O aprendizado e o treinamento para o exercício profissional são realizados nos diversos cenários, dentro e fora do Campus da USP de Ribeirão Preto, sempre contando com salas equipadas, modernos equipamentos didáticos, amplos laboratórios de anatomia, microscopia, bioquímica, patologia, de habilidades e de técnicas cirúrgicas. A FMRP procura formar profissionais adequados às necessidades de saúde do Brasil, que saibam interpretar e intervir na realidade social do país. Forma mestres, doutores, pesquisadores, pós-doutores e desenvolve importantes pesquisas, contribuindo para a evolução do conhecimento científico.
Construção do conhecimento
O Curso de Medicina da Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp) foi criado em 1997 e, em 2003, adotou a metodologia Aprendizagem Baseada em Problemas (PBL), em que, ao contrário da metodologia tradicional, na qual o professor tenta transferir o conhecimento, o aluno constrói seu conhecimento sob a orientação de um professor-tutor.
Somado a outros diferenciais, como a inserção precoce do aluno no Sistema Único de Saúde (SUS), que acontece desde o primeiro ano, ou a intensa utilização do laboratório de habilidades médicas como prática antecipatória, o curso objetiva a formação do médico generalista, o protótipo do atual médico de família. Com essa orientação, o curso é considerado pelo Ranking Universitário Folha (RUF) o terceiro melhor entre as instituições privadas do estado de São Paulo e o sexto melhor curso entre as instituições privadas do país. “Formamos médicos capazes de resolver os principais agravos de saúde da população brasileira, dentro do SUS, com ênfase no trabalho em equipe multiprofissional. Nossa principal expectativa é que o futuro médico tenha condições plenas — materiais, técnicas e espirituais —, para o exercício ético-profissional da medicina”, enfatiza o coordenador do curso, doutor Reinaldo Bulgarelli Bestetti.
Investimento no humano
Autorizado em 1999 e reconhecido pela Portaria-MEC 2.375 em 5 de julho de 2005, desde a sua fundação, o curso de Medicina do Centro Universitário Barão de Mauá obteve aprovação em todas as avaliações do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), obtendo, em 2014, o conceito 4.0 (de 0 até 5 possíveis). Em 16 anos, o projeto pedagógico foi aprimorado e os convênios ampliados para o treinamento dos futuros profissionais médicos, inclusive em urgências e emergências.
Segundo o coordenador de curso, Prof. Dr. Ricardo Miranda Lesas, o compromisso do Centro Universitário com a sociedade é a formação do verdadeiro médico, aquele que extrapola os limites do exercício da medicina, na dimensão técnica e de domínio das ciências da saúde. “O perfil do médico no qual investimos é do individuo que, além da expertise médica, reúne uma serie de habilidades imprescindíveis a esse profissional, tais como a capacidade de comunicação com os pacientes, com os colegas e com a equipe de trabalho, a imprensa e a sociedade”, enfatiza Lesas.
Ainda de acordo com o coordenador, esse médico deve desenvolver o espirito de colaboração no ambiente de trabalho, ter capacidade de gerir recursos, visando ao interesse do paciente e das instituições provedoras e de fomento à saúde, sejam elas públicas ou privadas. Também deve conhecer e, sobretudo, engajar-se com nas políticas públicas de saúde do local onde trabalha e valorizar o interesse dos pacientes acima dos seus próprios.
Novos desafios
O curso médico da Estácio-Uniseb começou a ser planejado há seis anos. Duas instituições de ensino superior com tradição se uniram neste ideal: a Estácio, com 45 anos, e o Centro Universitário Uniseb, com mais de 15 anos, desenvolvido pelo Grupo COC, que tem mais de 50 anos na área de ensino. O projeto com todos os aspectos, pedagógico e estrutural, foi submetido ao Ministério de Educação e Cultura e aprovado por uma comissão formada por professores de universidades federais. “Fomos aprovados por unanimidade e iniciamos o curso médico há um ano e meio, com 76 alunos”, conta o coordenador, Prof. Dr. José Ernesto dos Santos, docente por 38 anos no Departamento de Clínica Médica da FMRP-USP.
Segundo o coordenador, o ensino é dinâmico e conta com participação ativa dos alunos. O corpo docente é formado por professores com larga experiência em ensino, com doutorado e alguns com pós-doutorado no exterior. “É um desafio iniciar um novo curso médico, porém, temos convicção que, com o apoio irrestrito que temos da Instituição e a participação competente e responsável do corpo docente, alcançaremos os objetivos propostos”, conclui Santos.
Hospitais-escola
HCFMRP
O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto iniciou as atividades em 30 de julho de 1956. Autarquia mantida pelo governo do Estado de São Paulo com objetivo de servir de hospital-escola para graduandos, também desenvolve campo de estágio para estudantes de pós-graduação, em nível de mestrado e doutorado e programas de residência médica, em nível de especialização, credenciados pelo Ministério da Educação (MEC). A pesquisa científica é um dos grandes diferenciais e o coloca em posição de destaque no setor da saúde.
HEB
Inaugurado em março de 2003, no campus da Unaerp, o Hospital Electro Bonini funciona como campo prático, cenário de aprendizagem e estágios dos cursos de Saúde e Serviço Social, Medicina e o Programa de Residência Médica. Parceiro do SUS, especificamente com a Rede Municipal de Saúde de Ribeirão Preto, oferece atendimento secundário a aproximadamente 160 mil habitantes. Foi considerado o segundo melhor hospital de Ribeirão Preto, com nota 9,369, de acordo com uma pesquisa realizada pela Secretaria de Estado da Saúde e 12º melhor do Estado.
Santa Casa
Criada por volta de 1896, com o objetivo de prestar serviço a toda comunidade de forma gratuita, a Sociedade Beneficente de Ribeirão Preto — o primeiro hospital fundado na cidade —, tornou-se hospital-escola através de convênio firmado com o Centro Universitário Barão de Mauá para servir aos cursos de Medicina, Biomedicina, Enfermagem e Fisioterapia. Com isso, ampliou serviços e voltou a atender em todas as referências médicas.
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