Reflexão íntima
Pretende promover algumas mudanças íntimas em 2013? Então, confira dicas que podem ajudar nessa tarefa
Com o término de 2012 e a proximidade da virada de um novo ano, as pessoas são naturalmente levadas a reflexão do que viveram nos últimos 365 dias. Também projetam o que esperam viver daqui por diante. E no ‘check list’ pessoal estão — com certeza — algumas mudanças para melhor que todos pretendem colocar em prática.
Para falar sobre o tema, o portal da Revide conversou com a teraputa em Medicina Tradicional Chinesa e coach Carmen Saez Dy Uai, mais conhecida como Shanghai, que já viajou por mais de 100 países em busca de autoconhecimento, e dá importantes dicas para quem deseja mudar.
Exemplo de pessoa que literalmente ‘faz o que quer’ da vida, Shanghai, é uma cidadã do mundo. Sem residência ou domicílio, escolheu vivenciar o extremo da liberdade de ir e vir. E, desde que veio ministrar um curso de Medicina Chinesa em Ribeirão Preto há alguns anos, vem bastante à cidade, onde fez muitos amigos.
“Como tudo, há dois lados em não se ter uma casa. Uma liberdade muito grande com relação às demandas cotidianas de manutenção do lar e o cansaço de nunca ter onde chegar. Já dormi em cada pulgueiro... Quando se coloca na balança acaba saindo caro, mas a liberdade tem seu preço”, confessa.
Sem endereço fixo, Shanghai teve a oportunidade de estar em muitos lugares, e destaca dois que considera bastante especiais: Estocolmo, pela beleza arquitetônica e Nova Zelândia, pela beleza natural. Também viu muita coisa de que não gostou. Em países da África por onde esteve assistiu a miséria humana, a desigualdade e a impotência dos desprivilegiados.
“Vi de perto o efeito negativo da ganância, da corrupção. Vi até o apego ao sofrimento - as pessoas se adaptam ao sofrimento -, isso é impressionante”, relata.
As ‘andanças’ pelo mundo ampliaram sua visão da vida e dos seres humanos. “O instinto de sobrevivência e a capacidade de adaptação do ser humano são fantásticos. Em alguns países as pessoas estão corrompidas pela ganância, em outros, valorizam o que possuem e tem respeito uns pelos outros. Vi pessoas com princípios e também que é possível ter um coração mais bondoso, generoso, tranquilo e sereno. Enfim, vi os dois lados de tudo! Mas o mais importante foi perceber que — em qualquer lugar do mundo — se você trata um ser humano como ser humano, independentemente de cultura ou língua, ele responde como ser humano”, ressalta.
Com uma mochila contendo laptop, máquina fotográfica, celular, dois passaportes, troca de roupa, uma blusa de frio e escova de dentes (e algumas apostilas e livros autografados guardados no ‘templo’ em São Paulo), Shanghai tem tudo o que precisa, porque considera suas experiências — e o autoconhecimento — seus maiores ‘bens’ nesta vida.
“A gente gasta muita energia com nossas relações externas, mas investe muito pouco no contato conosco — não queremos ouvir nossos barulhos —, mas podemos ser grandes amigos de nós mesmos, e até lidar melhor com a solidão em função disso, pois esse contato íntimo pode ser trabalhado”, explica Shanghai.
Energia e pensamento
A compreensão de algumas ‘noções básicas’ é fundamental nesse processo de aprofundamento do autoconhecimento. Em primeiro lugar, detalha a estudiosa de si mesma, a da concepção de energia.
“A energia segue o pensamento. O prana (energia existente no ar) e a mente coexistem. Então, onde está o seu pensamento, é para lá que está sendo direcionada a energia, ele (o pensamento) é o duto, a estrada, o canal que carrega essa energia. O foco da sua atenção é para onde vai a energia, por isso, é tão importante treinar a concentração. E não existe energia boa ou ruim. Existe energia e ponto! Ela existe ou não existe apenas”, define.
Para a coach, as pessoas podem ser distinguidas entre as que tem poder de ação, poder de comunicação e poder de reflexão, e as que possuem força de ação (ou foco naquilo que desejam realizar) são as que mais se destacam no coletivo (as mais bem sucedidas) porque concentram-se naquilo que desejam e, mais importante, agem.
Segundo Shanghai, nos diferentes âmbitos da vida (familiar, profissional, social) estes processos [ação, emoção, intelecto] podem variar. Assim, por exemplo, uma pessoa pode sentir-se mais motivada à ação no trabalho e menos em casa com a família onde predomina a emoção ou o intelecto.
Dai a importância do autoconhecimento, para melhor se posicionar em todas as circunstâncias. Se a pessoa tem seu pensamento direcionado para as questões do trabalho, é para lá que está enviando sua energia. Se, ao contrário, foca o pensamento na relação familiar, é para lá que está enviando toda a energia ao seu redor, e assim sucessivamente. ‘Dosar ‘, portanto, o grau de ação, emoção e intelecto dispendidos nas diversas circunstâncias do dia a dia consiste em uma maneira de harmonizar-se nos diferentes âmbitos da vida. Trabalhoso, claro, porém possível, principalmente para quem se propõe ao exercício de domínio da mente, de controle dos pensamentos, a fim de canalizar a energia a seu favor. E a melhor forma de se fazer isso é através da meditação.
Meditação
“As crianças deveriam aprender em casa a meditar. As pessoas vivem em busca da felicidade, mas ela não existe sem equilíbrio e equilíbrio não existe sem se ‘estar presente’ sem autocontrole [principalmente para não pensar no passado, que gera angústia, ou no futuro, que cria ansiedade]. Você não sabe quem é só se olhando no espelho. Existe um mundo dentro de você e você só o acessa, só faz esse ‘contato consigo próprio’, através da meditação. Assim, não existe autocontrole profundo sem meditação, pois se você não se conhece profundamente, como pode saber o que esperar de você mesmo? A meditação é a única maneira de conhecer em profundidade nossos condicionamentos (e todos eles nos levam a comportamentos contraditórios), é a única maneira de se concentrar, de desenvolver uma visão sistêmica da realidade e encontrar equilíbrio [consequentemente, felicidade]”, ensina Shanghai.
Há inúmeras práticas meditativas disponíveis, o importante a cada indivíduo é encontrar a que realmente o conduza ao encontro consigo próprio. Uma boa dica dada por Shanghai é manter o foco. “Vão dizer para você esvaziar a mente, e esta vai parecer a tarefa mais difícil do mundo, pois milhares de pensamentos vão surgir, mas mantenha seu foco em algo. Deixe os pensamentos passando ao lado desse foco, como se estivesse numa estrada, deixe que eles ultrapassem e mantenha seu foco num ponto à sua frente. Se insistirem, diga-lhes que depois pensa neles, pois agora precisa se concentrar. Vá colocando-os um a um de lado, dizendo ‘fique aqui, assim que terminar de meditar resolvo’. E quando você tiver terminado a meditação, verá que todos eles sumiram!”.
Assista o vídeo "A energia segue o pensamento", com Shanghai:
Revide Online
Texto: Yara Racy
Foto: Carolina Alves