Relação conturbada
Transerp já multou o Consórcio PróUrbano 13 vezes desde o início do ano devido à situação dos banheiros e higiene dos terminais de ônibus em Ribeirão Preto. Valor da multa é considerado baixo
Entre janeiro e agosto de 2019, o Consórcio PróUrbano, responsável pelo transporte coletivo de Ribeirão Preto, foi multado em R$ 79 mil pela Transerp devido a problemas na manutenção e limpeza dos banheiros nos terminais de ônibus. No último dia 19, na Câmara dos Vereadores, o vereador Marcos Papa (Rede) divulgou fotos e vídeos obtidos com motoristas que mostram a situação dos banheiros no terminal da Avenida Jerônimo Gonçalves. Nas imagens, é possível ver a presença de baratas na área destinada à alimentação dos motoristas, além de grande quantidade de lixo nos banheiros exclusivos aos trabalhadores. Atualmente, o espaço é utilizado por moradores em situação de rua. Após denúncia, os banheiros foram limpos.
Como esta não foi a primeira notificação recebida pela empresa, foi protocolado na Câmara um pedido de detalhamento dos problemas constatados em cada uma das autuações. Desde o início do ano, já foram 13 multas somente em relação aos banheiros e 371 no total. Papa elogia a atitude da Transerp em multar a empresa, porém, considera baixo o valor da multa. “É quase um incentivo à transgressão porque basta a concessionária não ter funcionários que cuidem da limpeza e depois pagar uma multa. O valor das multas precisa ser reconsiderado imediatamente”, criticou.

A limpeza e a manutenção dos terminais estão previstas em contrato firmando entre o município e o PróUrbano. O acordo foi celebrado em 2012, tem duração de 20 anos e um custo global de R$ 2,2 bilhões. Por meio de nota, o PróUrbano informou que as multas funcionam como um instrumento de trabalho. “As críticas, as multas e outras manifestações auxiliam nosso aprimoramento”, alegam. A empresa também criticou a “ênfase que a imprensa dá ao assunto”. Na nota, foi enviado um cálculo baseado na distância rodada por mês, dividida pelo número total de multas. O resultado foi de uma multa a cada 7,4 mil quilômetros. “Dentro do contexto geral, é muito pouco. A maioria das multas é por atraso nos horários, atrasos causados por um trânsito travado que prejudica a todos, mas, principalmente o transporte coletivo”, amenizou a empresa.